Fernanda Guimarães

 

07 de junho, 2013
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Momento Íntimo


Não me peças a palavra exata
Vivo para além de todas as letras
Pudesses adivinhar os gestos
Quando entre um verso e outro
Suspira o olhar em eterna busca
Não me falarias em certezas

Perscruta-me sempre o indizível
Precipício sorrateiro e invisível
Onde as mãos lançam-se vazias
Ávidas por mim mesma
Mãos alheias, vezes suaves
Estendidas a recolher
As preces que eu não disse
Mãos que me aprisionam
Em muros farpados
Arranhando-me a pele dos sentidos
Mãos que me afagam
E acolhem sem perguntas
Os lamentos que não senti

É apenas meu este silêncio
Esse confessar íntimo de palavras
Quando desgarradas de mim
As mãos sussurram meus gritos inaudíveis
E entrelaçam meus dedos e voz
Conjugando os meus sons
Ecos desafinados do meu desconhecer
Esses que como cordas tensas
Perambulam notas graves
Buscando o tom que mais revele
Esta dissonante incompreensão
Impalpabilidade de mim por mim mesma
Neste momento em que sou apenas só
E minhas mãos são as pedras
Da minha própria vidraça
Estilhaçando as lágrimas
Que meus olhos não puderam chorar
 

 



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