Fernanda Guimarães

 

07 de junho, 2013
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E escolhi seguir, a despeito de tudo
Tu permaneces com tuas dúvidas
Consumindo-te em dores tardias
Ainda que saibas que é vã a esperança
Não me peças que te fite mais uma vez
Em meus olhos, já não te encontrarias
Não penses que parto, sem olhar em volta
A tristeza também caminha na ponta dos pés
Embora tu a chames de indiferença
Não me peças mais palavras, nem motivos
Liberto-te de mim, do meu eterno vazio
Da solidão do viver ao meu lado
Minhas mãos já não te cabem
E teu carinho me fustiga a pele
Não mais condenes o teu coração
A te amar por mim, como sempre fizeste
Saio também com passos desalinhados
Mas não quero mais acalmar os vendavais
Encolhendo-me no conforto da aparência
Cansei de esconder lágrimas em sótãos
E de ocultar a insatisfação em sorrisos frios
Há no meu coração marcas indeléveis
Lábios torturados pelo silêncio
E um incômodo exílio de verdades
Deixo-te a possibilidade do recomeço
De te perceberes, além de mim.
Em meu peito, levo os dias de sol
Os sussurros da descoberta inocente
O tatear de mãos em meio ao desamparo
A inquietude dos dias distantes
Quando apartados um do outro
Era a saudade a nos esperar
Levo os bilhetes rascunhados de amor
Quando o desejo nos roubava o sono da noite
Também ficará tatuado em mim
O carinho atrevido em horas insuspeitas
O “eu te amo” murmurado em madrugadas
Quando teu coração encostado ao meu
Despertava-me de qualquer sonho
Deixo-te enfim, para que um dia
Possas novamente ouvir estrelas...
 

 



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