Francisco Simões


Atualizado em 01/09/2007
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MEIA – TERRA
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Meia terra, meia promessa,
Meio teto, meio chão,
Meia palavra pouca pressa,
Meio discurso, pouca ação.
O campo meio agitado,
A cidade meio calada,
Sem-terra meio por tudo,
Sem-teto meio sem nada.
Meias sombras descarnadas,
Estrada e meia pra seguir,
Desencanto meio de lado
Meio de não desistir.
Desamor não é meio, é fim,
Em mentes meio pequeninas,
Como meia pobreza fardada
Em sua meia-farra assassina.

Meia luta, meio plantar,
Meia terra, meio perder,
Meio projeto é adiar,
Meia reforma é não fazer.
Meia milícia, uma gangue,
Violência meio mandada,
Meio chão regam com sangue,
Esperança meio estuprada.
Meia paz: hipocrisia,
Meia surdina: covardia,
Meia terra: esmolada,
Meias medidas: é não dar nada.
Entrevistas, meias desculpas,
Inquérito é meia farsa,
P’ros mortos metade da culpa,
P’ros vivos metade é ameaça.

Em: Outubro/1998.

Francisco Simões


 


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