Francisco Simões


Outros de seus poemas:
- Meia-terra
- Meu quando
- Pai Nosso
- Que Deus?

Atualizado em 03/11/2007
---

 



O SAPO E O POETA
_______________


Alguns gordos e felizes sapos
Ainda batem longos, longos papos
Nos seus lodosos e felizes charcos
Marcos dessa civilização
Que imuna a emoção,
Que desumana o convívio.

Tanto canto de sereia,
Uma filáucia que se ateia
Nas tribos, nos saraus, à mesa,
Uma bazófia burguesa,
Burgomestres emproados,
Sabujos entronisados.

Estamos ficando enfermos
Qual um roseiral apétalo,
Qual noite que esqueceu o orvalho,
Órfãos pensamentos, acéfalos,
Na ventura de virtual sermos
Se virosos não tombarmos falhos.

Estamos deixando poluir-se o amor,
Esvaziar-se a ânsia do sonho impossível,
Grassar a epidemia do torpor,
Arder a brenha, esfumar as estrelas,
Sobejar o medo, desalentar a paz,
Fugir a vida ao escondê-la.

Enquanto isso ainda há gordos sapos
Que batem longos, longos papos,
Que têm a noite, as estrelas, o tempo de amar
Na cumplicidade do silêncio e do luar.
Oh! Trevas, Oh! Bruxas, alerta:
Transformem em sapo este poeta.


Em Agosto / 2000
 

Francisco Simões


 


●  Conheça  vários dos poemas de Francisco Simões em Escritores e Poetas.

email: fm.simoes@terra.com.br

●  Leia suas crônicas no CooJornal.