Ano 21 - Semana 1.091
1º de setembro, 2018




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Jorge Elias Neto







BALADA DA CARNE



Já que o dia é par, falemos de amor.

Já que à frente sempre restará o horizonte,
não me enterrarei além dos olhos.

Já que é no vazio insalubre da cura
que se percebe a alma evanescendo,
tragam-me uma taça.

Já que eu disse sim,
limitem os convidados
presentes à minha embriaguez.

Já que a palavra é uma puta,
rasguem o poema.

Já que a rima é farta; e o poeta, um estorvo,
que se recompense o primeiro idiota
a me cortar a carne.



do livro “Rascunhos do absurdo”
– Ed. Flor&cultura – 2010







 

● Aqui, conheça um pouco mais de Jorge Elias Neto.

 


Direção e Editoria
IRENE SERRA
irene@riototal.com.br