Milton Ximenes Lima

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      17 de julho, 2010
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MINHA PERDIDA ALDEIA (*)
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Do alto da montanha mais alta,
faço exercícios de contemplação...
No horizonte de muitos sóis,
descubro esplendores em azul
pincelando o céu sobre as serras,
abençoando envelhecidos caminhos
que aprisionam a minha terra.
O meu olhar cativa
o momento de compreender
aquelas alegres cores dos flamboaians,
e a vaidade da única acacieira
que teima em amarelecer
o rastro dos meus passos
na íngreme e histórica ladeira.
Pelas ruas,
incógnitos rostos zombam das minhas lembranças
de semeador de saudades.
O rio, amendrontado e sem cor,
não mais murmura no coração da grande aldeia...
À leste, a grande pedra, antes altaneira,
adormece e adoece,
porque os abrigos dos homens
se aproximam, de suave maneira,
já pisam seus verdes pés.
Por detrás, um frade e uma freira,
imagens também em pedra,
em solidária irmandade,
emprestam exemplos de fé
e lhe oferecem orações inúteis e sem idade..

Muito depois do crepúsculo,
ao embalo da madrugada sem sonhos,
na janela do quarto imenso e sem alma
da hospedaria,
tento reconhecer
e recolher
as estrelas da minha infância:
elas me confidenciam eternas sabedorias,
me aconselham a partir
e não mais regressar,
porque o menino que fui
dissolveu-se nos ventos de outras dimensões,
abraçado às ruínas daquela vida
do tempo anterior,
(imagens, carícias e canções,
e algumas lágrimas escondidas),
da sua cidade antiga e tão querida,
berço do primeiro poema de amor!

 

   (*) Cachoeiro de Itapemirim, E.S.
 

 

Milton Ximenes Lima






 


 

 




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