Milton Ximenes Lima

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               agosto, 2010
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Infância

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


















Múltiplos verões, tempos distantes,
pés meninos nas pedras quentes
daquelas ruas cachoeirenses,
nas frias águas do Itapemirim,
rio de curvas sem fim,
e nos caminhos dos ensinamentos das adultas vozes,
senhoras do saber e da vida.

Na casa aprisionada de silêncios,
minha alma se fragmenta em labirintos:
eis o pai cultivando ausências
e a mãe abraçando tristezas tantas
que desaprendeu a sorrir...

Plantam-se mundos do faz-de-conta,
cortinas várias em teatro familiar
dissimulando peças irreais,
paralelas a palavras mágicas
insinuando sonhos iluminados
de promessas de tempos melhores.

Entre as paredes frias, conselho que a criança eterna não sabia:
"-Pobre não tem padrinho,
só se constrói sozinho.."

Novos caminhos, outras canções...
Viagens: do Cachoeiro
para o Rio de Janeiro...
Mas até aonde me perseguirão estas visões?
e em que esquina se deixaram escorregar
aqueles mesmos pés, ora reais e definitivos,
para que, bêbados de tristezas e solidões,
ainda me fizessem me pensar poeta?

 

Milton Ximenes Lima
 

 




miltonxili@yahoo.com.br

 

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