fevereiro, 2020



































































































































































































Pedro Franco

 

Balada para Greta Thunberg

 





1989, Praça da Paz Celestial.

Homem desconhecido para tanques.

Com corpo bloqueia a via.

Cena comovente.

2019, Suécia, Greta Thunberg

mata aula e de cartaz,

no frio e solidão,

reclama por medidas climáticas,

em frente ao parlamento sueco.

Não vamos ao depois, aos usos,

ao aproveitamento, ao resto,

torpe e rotineiro.

Fico com a menina, no frio,

lutando, apesar de doente,

por algo importante e como!

Chamam-na pirralha

e pirralha passa a ser elogio.

O Time a homenageou

e novas ondas de descrédito.

E vozes toscas, que se levantam

contra demagogia e corrupção,

perdem vaza de aplaudir

o gesto puro, a coragem na solidão,

no frio e só, clamando,

não em “showzinho”,

em espetáculo belo, até patético,

imemorável, transcendente.

Esqueçam o depois.

Fico com ela e seu cartaz

que pediu por todos, todos mesmo.

E solitária em “showzão”.

Eternamente grato,

Menina Greta Thunberg.




 






Direção e Editoria: Irene Serra

RIO TOTAL