Sarita Barros

Atualizado em 12/04/2008
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A SACERDOTISA
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A vestal
aproxima-se
lenta e inexoravelmente
Sua alva túnica
beija-lhe os pés descalços
Traz nos cabelos de trigal maduro
grinalda de mirra e minúsculos miosótis
Bela e espectral
move-se solene e gracilmente
Nívea túnica transparente linho
deixa ver dois altos alvos pombos de eretos bicos
revolvendo-se no rítmico andar
O inocente meigo rosto de ninfeta
coberto por delgada camada de prateado pó
fina cinza colhida nas “feiras” da Paixão
por sete vezes peneirada
nas sete peneiras de cada pecado capital
Seus olhos azul-turquesa
possuem a bruxuleante luz opala
das gélidas citrinas manhãs de agosto
Aproxima-se a oficiante em cadenciada marcha
cinto de ouro com ampulheta à guisa de fivela
marca o compasso dos passos
Pousa-lhe minervista coruja ao destro ombro
a piar desalentado encanto
Traz na mão esquerda entre dedos exangues
rubra tenra bela rosa recém colhida
das faces últimas afagadas
— Sempre há fresca face a ser beijada
de sorte que a flor nunca emurchece —
Arminho cobre-lhe os frágeis friachos ombros
— puro mármore argênteo —
A sombra roxoazulada nos olhos
acentua o translúcido brilho das turquesas opalinas
amenizando a negra esmeraldina pátina
que cobre os lábios abissais
Orgulhoso seu colo alabastrino ostenta
colar de negras pérolas em sete voltas posto
ostentando cada volta grande ônix
circundado por sete diamantes foscos
Na cadência de seus passos rufa silencioso tambor
perseguido por silentes pífaros
audíveis somente por expectantes olhos
no alvorecer da morte.

 

Sarita Barros


 


Sarita Barros é Instrutora de Yoga.

email: sarita.b@terra.com.br

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