Ano 22 - Semana 1.125


Como são admiráveis as pessoas que nós não conhecemos bem!
Millôr Viola Fernandes, (1923-2012)




ARQUIVO GERAL


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16 de maio, 2019

Leis que favorecem os idosos

 

Lei nº 2.796 de 17 de setembro de 1997:
Assegura aos cidadãos idosos (maiores de 65 anos) o ingresso gratuito em museus e casas de cultura depropriedade do Estado do Rio de Janeiro.

Lei nº 2.795 de 17 de setembro de 1997:
Autoriza o poder executivo do Estado do Rio de Janeiro a criar o"Programa de Vacinação para a terceira idade".

Leinº 2.536 de 08 de abril de 1996:
Dispõe sobre o conselho estadual de defesa dos direitos da pessoa idosa e dá outras providências.

Lei nº 2.456 de 6 de novembro de 1995:
Cria o ano estadual do idoso e torna obrigatória ao longo do período comemorativo a fixação da frase "Respeitar o Idoso é Respeitar a Si Mesmo – 1996 – Ano Estadual do Idoso".

Lei nº 2.454 de 31 de outubro de 1995:
Obriga os cinemas localizados no Estado do Rio deJaneiro a concederem desconto no preço do ingresso aos cidadãos maiores de 65 anos.

Lei nº 2.240 de 26 de julho de 1995:
Torna prioritário o embarque e desembarque dos maiores de 65 anos nos transportes coletivos do Estado.

Lei nº 2.200 de 18 de dezembro de 1993:
Cria a delegacia especial de atendimento às pessoas de terceira idade.

Lei nº 1.872 de 15 de outubro de 1991:
Dispõe sobre o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa, entidade que tem como objetivo formular diretrizes e promover, em todos os níveis de Administração Pública Direta e Indireta, atividades que visem à defesa dos direitos dos idosos, à eliminação das discriminações que os atingem e a sua plena inserção na vida econômica, social e cultural do Estado.

Lei nº . de 23 de maio de 1991:
Concede desconto nos ingressos para espetáculos realizados nas salas de propriedade do Estado do Rio de Janeiro aos cidadãos de 65 anos.

 

 

A Questão do Envelhecimento


Erica Verderi

Felizmente, essa realidade opressiva sobre os  velhos está mudando para melhor. O aumento espetacular do percentual de idosos em praticamente todo o mundo e a organização da Terceira Idade em grupos de pressão, na forma de Conselhos Municipais e Estaduais de idosos, parece ser um começo promissor rumo a uma mudança de mentalidade. Há a perspectiva de que os “modelos” de novas formas de envelhecer se multipliquem obrigando a sociedade a rever suas representações de velhice e de envelhecimento”
(José Carlos Ferrigno)

 
Nossa aparência física pode influir imensamente sobre a maneira como nossentimos a respeito de nós mesmos. Ela está constantemente mudando e vamos nos tornando cada vez mais velhos. As mudanças na aparência dos últimos anos podem se converter numa fonte de frustração para algumas pessoas se elas as associarem a uma perda de atração, perda de possibilidades.

Muitas mudanças físicas que ocorrem com a idade afetam a aparência. Ganho de gordura generalizado, perda dos músculos, perda da estatura, má postura, pele seca, renovação mais lenta das células lubrificantes, pele pálida devido à perda de pigmentos da pele, manchas na pele muito expostas ao sol, os vasos sanguíneos se tornam mais evidentes devido ao afinamento da pele e outras no sistema psicológico e funcional.

Especialistas do envelhecimento se preocupam em recuperar a capacidade funcional orgânica para assim, melhorar os hábitos diários, a qualidadede vida e adquirir o bem-estar. A perda de capacidade resulta na diminuição do bem-estar do geronte.

A idade avançada não indica o fim da vida de uma pessoa. Apenas a intensidade nas atividades do dia a dia é que diminuem. Porém os sabores da vida passam a ser melhor degustados.

O período de transição entre a vida ativa e a aposentadoria, quando não planejada, poderá trazer ao geronte o sentimento de perda; se planejada, um momento de nova conquista. Mas como saber a hora de planejar? Sempre é hora de planejar! Todos estamos cada dia mais velhos. A conquista ou a perda dependerá do perfil do geronte, dos planos para o futuro, dos programas para a terceira idade que ele fizer parte e da sociedade que lhe propiciar melhor nível de qualidade cultural, profissional, de saúdee de socialização.

O estresse compromete o bem-estar do envelhecente. Um estresse pode geralmente provocar problemas físicos tais como tensões, dores de cabeça ou ataques cardíacos. A primeira coisa que o geronte deve fazer é identificar os eventos em sua vida que o conduzam à sensação de estressee gradativamente substituindo por eventos de prazerosidade.

É certo que não se pode evitar o envelhecimento. No entanto, podemos exercer influência sobre a maneira de como envelhecer, contribuindo para um significativo bem estar com qualidade de capacitação em nossas atividades/movimentos e relacionamento social.

Envelhecer não significa necessariamente redução de capacidade  ediminuição de atividades. Envelhecer pode significar enriquecimento espiritual e uma vida aprazível, a partir do momento que a Educação Física Gerontológica se disponibilizar em prol das pessoas que envelhecem, contribuindo para a aceitação de todos que estão passando pela vida e construindo uma história. E não simplesmente deixando a vida passar...


 

A Carroça Vazia

Uma das grandes preocupações de nosso pai, quando éramos pequenos, consistia em fazer-nos compreender o quanto a cortesia é importante na vida. Por várias vezes percebi o quanto lhe desagradava o hábito que têm certas pessoas de interromper a conversa quando alguém está falando. Eu, especialmente, incidia muitas vezes nesse erro. Embora visivelmente aborrecido, ele, entretanto, nunca ralhou comigo por causa disso, o que me surpreendia bastante.

Certa manhã, bem cedo, ele me convidou para ir ao bosque a fim de ouvir o cantar dos pássaros. Acedi com grande alegria e lá fomos nós, umedecendo nossos calçados com o orvalho da relva.

Ele se deteve em uma clareira e, depois de um pequeno silêncio, me perguntou:
- Você está ouvindo alguma coisa além do canto dos pássaros?

Apurei o ouvido alguns segundos e respondi:
- Estou ouvindo o barulho de uma carroça que deve estar descendo pela estrada.

- Isso mesmo... Disse ele. É uma carroça vazia...

De onde estávamos não era possível ver a estrada e eu perguntei admirado:
- Como pode o senhor saber se está vazia?

- Ora, é muito fácil saber que é uma carroça vazia. Sabe por quê?

- Não! - Respondi intrigado.

Meu pai pôs-me a mão no ombro e olhou bem no fundo dos meus olhos, explicando:
- Por causa do barulho que faz. Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz.

Não disse mais nada, porém deu-me muito em que pensar.

Tornei-me adulto e, ainda hoje, quando vejo uma pessoa tagarela e inoportuna, interrompendo intempestivamente a conversa de todo mundo, ou quando eu mesmo, por distração, vejo-me prestes a fazer o mesmo, imediatamente tenho a impressão de estar ouvindo a voz do meu pai soando na clareira do bosque e me ensinando:

- Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz!



DO LIVRO "E, PARA O RESTO DA VIDA..."
Autor: Wallace Leal V. Rodrigues

 

 

“Stashing”


Simone Sotto Mayor

Há tempos comentei aqui que gosto de acompanhar o surgimento de novas palavras, que vêm “oficializar” comportamentos que estão se tornando comuns, mas que ainda não tinham sido nomeados. A partir do ponto em que se dá “nome aos bois”, fica mais fácil de se entender, refletir e, até mesmo, escolher como se quer agir. E quem já viveu algo parecido se sente reconfortado, ao constatar que trata-se de uma tendência. E que não foi só consigo, ou por falha sua, que aquilo aconteceu.

Pois hoje há mais um termo em inglês, criado recentemente, que define um comportamento contemporâneo presente entre nós: o “stashing”. Originalmente, o verbo “to stash” quer dizer “esconder alguma coisa valiosa num lugar secreto”. “Stashing,” hoje, traduz também uma maneira muito peculiar de se relacionar amorosamente: uma pessoa namora alguém, mas decide esconder este alguém de quem quer que faça parte de sua vida. Os substantivos (stashing, stasher) e o verbo (to stash), com os novos significados, constam desde 2015 no dicionário Collins da língua inglesa, que já citamos aqui. Ou seja, acabaram de nomear algo que vem acontecendo há alguns anos, em relacionamentos amorosos, mundo afora. Infelizmente, caríssimos leitores homens, é um comportamento mais adotado por homens, em relação às suas parceiras.

E por que a vítima desse comportamento é escondida e excluída de todo o resto da vida do parceiro? Porque, dessa forma, o indivíduo pode fingir que não está se relacionando de verdade, com ela. Ao se recusar a reconhecer a existência de um parceiro ou parceira publicamente, alguém se autoriza a dizer a si mesmo que não está, na realidade, junto de ninguém. A partir daí, pode justificar para si mesmo o fato de sair com outras pessoas, de fazer só o que lhe convém e de agir, de forma geral, com desconsideração e desrespeito em relação ao seu par. E assim, numa sociedade centrada no masculino como a nossa, está perfeitamente facultado a tratá-lo (ou tratá-la) como alguém inferior a si. Infelizmente para a vítima que, confusa ou incrédula, pode demorar a entender a situação com clareza.

Mas, afinal, como funciona este processo? Como saber se uma relação que se está vivendo é o tipo de relacionamento que tentamos descrever hoje? Diríamos que é mais ou menos assim: vocês saem regularmente, passam noites juntos, de vez em quando até viajam juntos. Mas, aos poucos, você se dá conta de que algo está errado. Primeiro, você nota que, enquanto seu par já encontrou alguns de seus amigos ou familiares, você ainda não conheceu uma só pessoa da vida dele: não foi apresentada a nenhum familiar, nem nunca teve nenhuma espécie de contato com ninguém do círculo social dele. Em várias ocasiões, você vai vê-lo ao telefone falando com alguém, descrevendo o que está fazendo, e sua presença ou seu nome nunca serão mencionados. Você repara que, enquanto seu par aparece naturalmente nas suas postagens em redes sociais, a recíproca não acontece. Nas postagens dele, nenhuma indicação de que vocês estão num relacionamento.

Quando questionado, seu par lhe dirá, muito provavelmente, que esse tipo de conversa é desnecessária. Que tudo é só uma questão de oportunidade ou, talvez, de um pouco mais de tempo. Em breve, seu par estará pronto para “o próximo passo” com você; no caso, assumir para os outros que você existe… Seu par pode questionar o fato de você ficar tão aborrecido por ainda não ter sido apresentado a seu meio social: o que realmente deveria importar para você é o que está acontecendo entre vocês dois. “Assim, você não vive o momento”, pode ser uma frase que você ouvirá algumas vezes.

Estar sob o tal “stashing” deixa, invariavelmente, a noção de valor de si em frangalhos. Por que, então, o rompimento é postergado? Porque, como em outras situações abusivas (cônjuges de alcoólatras, por exemplo), tirando todos os comportamentos ofensivos, o parceiro ou parceira consegue achar a relação maravilhosa. Julgam que é tudo tão bom, quando estão a sós, que ficam esperando as coisas “entrarem nos eixos”…

Pessoas que aceitam ficar nesta situação precisam saber que só existem duas maneiras de sair fora do sofrimento que é o “stashing”. É claro que a primeira é trazer as questões para serem discutidas a dois, com o excluído explicando como se sente e perguntando ao outro se ele aceita fazer um pouco mais para mostrar que vocês estão juntos. Se ele acatar o pedido – e realmente cumprir isso – ótimo!

Se isto não ocorrer, pode ser difícil, mas não há meio termo: o jeito é sair agora, imediatamente. É preciso recuperar a coragem, virar a página e ficar sozinho por algum tempo, até encontrar alguém que demonstre ter orgulho de estar com você. Ninguém merece ser um relacionamento invisível de alguém, apenas “uma companhia”. Toda pessoa que se respeita, e que tem seu amor próprio íntegro, deve ser apresentada ao mundo por um parceiro que está feliz de todos saberem que vocês estão juntos.



 


Direção e Editoria
IRENE SERRA
irene@riototal.com.br