Ano 22 - Semana 1.149

Os homens nascem bons; a sociedade é que os corrompe.
(Jean-Jacques Rousseau, filósofo francês)




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16 de novembro, 2019

O peso da fé


Uma pobre senhora, com visível ar de derrota estampado no rosto, entrou em um armazém, aproximou-se do proprietário conhecido pelo seu jeito grosseiro, e lhe pediu fiado alguns mantimentos.

Ela explicou que o seu marido estava muito doente, não podia trabalhar e que tinham sete filhos para alimentar.

O dono do armazém zombou dela e pediu que se retirasse do seu estabelecimento.

Pensando na necessidade da sua família ela implorou:
- Por favor senhor, eu lhe darei o dinheiro assim que eu o tiver...

Ao que o comerciante lhe respondeu que ela não tinha crédito e nem conta na sua loja.

Em pé, no balcão ao lado, um freguês que assistia a conversa entre os dois se aproximou do dono do armazém e lhe disse que ele deveria dar o que aquela mulher necessitava para a sua família, por sua conta.

Então o comerciante falou meio relutante para a mulher:
- Você tem uma lista de mantimentos?

- Sim - respondeu ela.

- Muito bem, coloque a sua lista na balança e o quanto ela pesar eu lhe darei em mantimentos.

A pobre mulher hesitou por uns instantes e com a cabeça curvada, retirou da bolsa um pedaço de papel, escreveu alguma coisa e o depositou suavemente na balança.

Os três ficaram admirados quando o prato da balança com o papel desceu e permaneceu embaixo.

Completamente pasmo com o marcador da balança, o comerciante virou-se lentamente para o seu freguês e comentou contrariado:
- Eu não posso acreditar!

O freguês sorriu e o homem começou a colocar os mantimentos no outro prato da balança. Como a escala da balança não equilibrava, ele continuou colocando mais e mais mantimentos até não caber mais nada.

O comerciante ficou parado ali por uns instantes olhando para a balança, tentando entender o que havia acontecido...

Finalmente, ele pegou o pedaço de papel da balança e ficou espantado pois não era uma lista de compras e sim uma oração que dizia: -
Meu Deus, o senhor conhece as minhas necessidades e eu estou deixando isto em Suas mãos...

O homem deu as mercadorias para a mulher no mais completo silêncio. Ela agradeceu e deixou o armazém.

O freguês pagou a conta, dizendo:
- Valeu cada centavo!

Muito mais tarde o comerciante reparou que a balança havia quebrado.



Só Deus sabe o quanto pesa uma prece...


 

A sombra na parede

Foto Alamy


Recordo-me que aquela noite estava muito quente... e, por ser o Professor de Natação da escola há mais de 10 anos, mantinha as chaves comigo. Resolvi nadar um pouco para afastar o calor e pensamentos estranhos.

Era uma noite iluminada por uma lua brilhante, cheia e muito linda. Caminhei devagar até a escola, abri a porta e como conheço cada centímetro desse lugar, nem me preocupei em acender a luz.

Fui em direção à escada que leva ao trampolim... senti o corrimão frio de alumínio... lentamente fui subindo cada degrau... não tinha pressa alguma... e confesso que nunca havia sentido tal emoção. Ao chegar ao fim da escada, caminhei até a base do trampolim de concreto... sabia que estava a mais de 3 metros de altura... sabia a distância exata da água... eu sabia tudo sobre saltos... eu sabia tudo...

Subitamente minha atenção foi desviada para uma luz que vinha de uma janela a minha frente... era a luz da lua que brilhava através do teto de vidro. Quando estava sobre o trampolim, vi minha sombra na parede em frente. Abri os braços e vi refletido às minhas costas um "homem com os braços abertos em forma de cruz". Engraçado... eu que nunca fui religioso, pensei na cruz de Jesus Cristo e em seu significado. Quando criança aprendi um cântico cujas palavras me vieram à mente e me fizeram recordar que Jesus tinha morrido para nos salvar por meio de seu precioso sangue. Lembrei-me de minha mãe contando a história de um menino que nasceu há mais de 2000 anos e cuja missão era ensinar-nos a amar o nosso próximo como a nós mesmos, e que ele não foi muito compreendido e morreu assim, como essa sombra na parede... de braços abertos... em uma cruz... Que estranho! Parecia que eu via seu rosto...

Que brisa é essa? De onde será que vinha essa brisa refrescante???

Não sei quanto tempo permaneci ali de braços abertos, contemplando a minha sombra na parede com os braços abertos. Só sei que cada vez mais sentia uma paz... paz absoluta... paz de espírito. Desisti de pular, nem eu sei o porquê... Talvez a brisa, a paz, talvez o rosto daquele homem, talvez a cruz, não sei... Somente resolvi descer os degraus sem pressa... parecia que eu estava sendo conduzido... leve...
 
Ao chegar à beira da piscina resolvi ver se a água estava gelada. Abaixei-me e estiquei meu braço. Espanto!!! Não senti a água! Sentei-me e coloquei os dois pés dentro da piscina. Não senti a água! Levantei-me e procurei o interruptor para acender a luz. Acendi e vi que o pessoal da manutenção havia esvaziado a piscina depois da última aula...

Tremi todo e senti um calafrio na espinha. Se eu tivesse saltado, seria meu último salto. Nesse dia eu senti que Jesus existe, que seus anjos estão ao nosso lado em todos os momentos, que precisamos apenas silenciar nossos medos, nossa ansiedade, nosso egoísmo, nossas queixas que não acabam nunca... É só silenciar e sentir...

Que você possa refletir, que você possa silenciar por alguns minutos e deixar que Ele cuide de você.


 


Direção e Editoria
IRENE SERRA
irene@riototal.com.br