Andréa Abdala Frank



HIDRATAÇÃO
NA TERCEIRA IDADE


 
Estudos científicos nacionais e internacionais recomendam uma ingestão diária aproximada de 1,5 a dois litros de líquidos para adultos em geral. Com o avanço da idade, esta indicação passa a assumir significativa importância, considerando a maior vulnerabilidade e a probabilidade para o desenvolvimento de manifestações orgânicas de desidratação celular.

A desidratação entre as pessoas idosas relaciona-se com as seguintes causas básicas: a utilização de medicamentos que induzem ao aumento do volume urinário diário, como diuréticos e anti-hipertensivos e a redução na sensibilidade da sede, mediada pelo cérebro. Além dos já citados, o processo de envelhecimento acarreta maior ressecamento das mucosas, entre elas a oral, denominada xerostomia ou boca seca. A xerostomia explica-se pela menor produção e secreção de saliva pelas glândulas orais, considerada fisiologicamente normal, contudo facilmente corrigida desde que a necessidade de líquidos seja devidamente preenchida.

Mediante este desequilíbrio e dependendo do tempo pelo qual ele se estenda, o corpo humano não só estará mais vulnerável à desidratação como poderá ser acometido de alterações renais significativas. O baixo volume corporal de água exigirá esforço maior dos rins, responsáveis pela filtração do sangue e pela produção da urina, culminando com a retenção de substâncias tóxicas pelo organismo, como uréia, ácido úrico e outras.

É importante ressaltar que em casos de alterações cardiovasculares e renais diagnosticadas é recomendável a procura de maiores orientações com médicos e nutricionistas, já que nestes casos o volume de líquido a ser consumido por dia pode sofrer algumas restrições pertinentes e válidas.

Por razões preventivas e de comodidade, aconselha-se que a ingestão da maior parte destes líquidos seja feita no período da manhã e da tarde, excluindo os exageros noturnos. Esta orientação visa a prevenir possíveis tombos e quedas durante a noite, por ausência de luminosidade suficiente no trajeto realizado entre o quarto e a ida ao banheiro, o que pode ocorrer mais de uma vez na madrugada.

Quando nos reportamos a adequação da ingestão de líquidos estamos recomendando que este volume seja atendido não só pelo consumo de água. O consumo de refrescos e sucos de fruta e sopas também estão incluídos no volume diário destes líquidos. Para refrescos e sucos recomendamos a adição mínima de açúcar refinado ou similares. Dependendo do cliente é aconselhado o uso de adoçantes artificiais. No preparo das sopas devemos ter cuidados na adição do sal de cozinha. O uso exagerado deste é contra-indicado à saúde do coração.

A variedade das frutas usadas nos sucos e nos refrescos fornecerá ao organismo diversos nutrientes importantes nesta fase da vida. Deve-se manter a mesma conduta para com as sopas, variando os legumes e as verduras na preparação das mesmas, dando preferência às carnes brancas.

A hidratação adequada do organismo torna-se a cada dia mais necessária por representar várias funções importantes: facilita e melhora o funcionamento intestinal; auxilia na expectoração de resíduos pulmonares, principalmente nos episódios gripais; é importante regulador na manutenção ideal da temperatura corporal e promove a revitalização das células, mucosas e peles, mantendo a saúde e a beleza naturais das mesmas.

Sejamos criativos e ousados, deixando de lado a monotonia da alimentação e do cardápio para os idosos, bem como para as demais faixas etárias, permitindo-nos a autopromoção de benefícios que venham a contar a favor na construção de hábitos alimentares mais saudáveis e menos preocupantes com relação à qualidade de vida nos tempos atuais.


   (publicado no O Globo)

 

   Andréa Abdala Frank
Nutricionista,
 Prof. do Instituto de Nutrição UFRJ 
a.abdala@uol.com.br  
junho/2002




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