Ano 14 - Semana 719
 




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        22 de janeiro, 2011

Sexualidade e Velhice

Regina Más  

Se fôssemos discorrer sobre o assunto de forma detalhada, deveríamos iniciar tentando conceituar os termos sexualidade e velhice. Entretanto, como não cabe aqui e agora um aprofundamento, vamos classificar como velhice a fase da vida após os 65 anos de idade. Infelizmente não poderá ocorrer o mesmo com o termo sexualidade, visto que vem sendo empregado insistentemente de forma errada, querendo significar sexualidade genital ou prática sexual. Então, dessa maneira, lemos e ouvimos conselheiros da terceira idade afirmando que a prática sexual prolonga a juventude, faz bem ao coração, etc, etc.

Se tomarmos o termo sexualidade no seu correto e amplo sentido, os conselheiros têm toda razão, mas se o termo estiver querendo dizer, erroneamente, prática sexual, tudo se complica. O que dizer do número enorme de mulheres que, por uma razão ou outra, vivem sós, cujos companheiros partiram para uma outra vida ou para uma outra mulher? Cabe a elas, para conservar sua juventude e sua saúde cardíaca, sair em busca desesperada de um novo parceiro, correndo riscos vários e expondo-se por vezes ao ridículo? Não, é claro que não! Vale aqui dizer que nada há contra uma mulher sozinha desejar refazer sua vida com outro homem. O que se quer dizer é que o fato de ter ou não outra pessoa em sua vida vá influenciar em seu envelhecimento. O que influencia, sim, é a prática da sexualidade em seu sentido amplo e correto.

E o que vem a ser isso? Segundo Freud, sexualidade significa uma pulsão de vida, tudo que nos traz prazer, seja ele de que tipo for. A sexualidade pode ser expressa e exercida quando realizamos qualquer coisa prazerosa. E quantas coisas há, além do intercurso sexual, que nos acarreta momentos de intenso prazer?

Constantemente vemos pessoas já idosas, bem passadas dos 65 anos, cheias de vida, vendendo saúde, sem que no entanto tenham uma vida sexual regular e, muitas vezes, até nenhuma. Sem a menor sombra de dúvida, essas pessoas exercitam sua sexualidade de outras formas, criando campos de interesse onde mergulham de corpo e alma. Qualquer atividade, se exercida com paixão, com gosto, com genuíno interesse, é prazerosa. Às vezes, o simples fato de se preparar uma boa comida na cozinha pode tornar-se um exercício de sexualidade, desde que se faça com prazer.

Freud escandalizou seus pares ao afirmar a sexualidade infantil. No entanto, se conhecermos a exata dimensão do termo, concluímos que não existem motivos para o escândalo. Uma criança, quando suga uma chupeta, ou o seio materno, exerce sua sexualidade, está tendo momentos de intenso prazer. Da mesma forma que um idoso, dedicado a uma causa, um estudo, ou a qualquer atividade que lhe traga prazer, preserva sua juventude e tende a viver com mais saúde.


Regina Más é psicóloga
rmas@uol.com.br 
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