Ano 15 - Semana 782
 




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         13 de abril, 2012

É Bom Envelhecer?


Susan Guggenheim


No início de abril os jornais publicaram o resultado de importante pesquisa realizada no Rio de Janeiro sobre População e Família, com o auxílio da ONU. Saíram os índices do IDH (índice de desenvolvimento humano), distribuídos por bairros e divididos em faixas etárias. Os resultados apontaram para certos fatos que nós cariocas, já desconfiávamos mas que agora, com a ajuda desta pesquisa que nos pareceu bastante confiável, nos permite refletir sobre alguns dados. Observa-se que a perspectiva de vida está incluída como um item tão importante quanto a renda ou o nível de escolaridade. A perspectiva de vida, isto é a média de vida que aquele cidadão que vive em tal bairro poderá alcançar é em certas regiões, igual às de pessoas que vivem na Itália, em Veneza, por exemplo. Isto parece interessante porque o IDH, também vem associado a uma alta renda per capita, a um alto nível de instrução, número de filhos, sexo, cor da pele.

O Rio e todo o Brasil é sabidamente um lugar de desigualdades sociais. Esta pesquisa mostra através de dados concretos como as diferenças econômica, cultural e tantas outras se expressam na vida de cada um. Quando se aponta para os problemas de saúde e educação, por exemplo não se está usando somente uma retórica política ou técnica. Está se dizendo que "se não temos bons serviços de saúde, serviços de saneamento, boas escolas, empregos com remuneração justa, morreremos bem mais cedo". Uma pessoa em Santa Cruz terá uma média de vida de 55,84 anos e a do Bairro Peixoto 72,45 anos. São 17 anos de diferença, sem incluirmos o tipo de qualidade de vida que ambos usufruíram quando moravam nestes bairros. É desigual, é excludente, é justo? São algumas perguntas possíveis ao primeiro impacto. Mas e o crescente envelhecimento populacional, o idoso saudável? E ele só pertence à elite? Talvez não. Sabemos que a longevidade está associada às boas condições de vida. Basta olharmos as ruas de Miami ou de Bruxelas. Elas estão repletas de idosos bem vestidos, corados e gentis. No Brasil e, em especial o Rio de Janeiro há muitos idosos andando no calçadão de Copacabana ou sentados nas praças. A velhice, no entanto, não é só exclusividade dos ricos. Há idosos nas Velhas Guardas de todas as Escolas de Samba, em todas as filas do INSS e em muitos asilos públicos. A medicina tem ajudado aos pobres e, às vezes, o simples cuidado com a pressão arterial em postos de saúde salva muita gente e aumenta o IDH de bairros da zona norte, do subúrbio e da Baixada. Mas é bom envelhecer com uma qualidade de vida ruim? Cheio de preocupações econômicas, sem conforto, com pouco lazer? Os próprios idosos podem responder. Eles relatam com muita angústia que um filho está desempregado ou que gostariam de ajudar a um neto mas, não têm dinheiro para isto. Sonham com passeios e viagem que não farão. Parece triste pensarmos em envelhecer assim. Seria bom que todos tivessem a oportunidade de desfrutarem de uma boa velhice. Serem aqueles velhinhos que andam pelo Jardim Botânico ou Leblon, que estão nas vans indo aos teatros ou na fila do aeroporto para passarem umas férias com um filho distante. Este é mais um ideal ou poderemos ver em futuro próximo, uma nova pesquisa em que o IDH mostre um índice mais democrático e todas as pessoas do Rio de Janeiro sejam comparadas em qualidade de vida aos queridos cidadãos italianos.

Susan Guggenheim é
Psicanalista e psicoterapeuta de idosos
susan@domain.com.br




 


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