Ano 16 - Semana 795
 




Outros artigos sobre COMPORTAMENTO


 

         13 de julho, 2012

A Mulher e a Menopausa


Olga Inês Tessari


A menopausa é apenas mais uma das fases da vida reprodutiva da mulher.

Mas é a fase onde ocorre o maior número de sintomas e sofrimento para a mulher que não souber administrar e lidar bem com este período.

É nesta fase, entre os 40 e 50 anos, mais ou menos, que o organismo feminino diminui a produção de estrógenos, levando a um desequilíbrio hormonal o que provoca uma série de sintomas: ondas de calor, suores noturnos, insônia, diminuição do desejo sexual, irritabilidade, depressão, ressecamento vaginal, diminuição da atenção e da memória, entre outros.

É nesta fase da vida, do ponto de vista emocional, que a mulher passa a viver uma série de conflitos.

A mulher que chega hoje aos 40/50 anos, é uma mulher que tomava pílula anticoncepcional, que efetuou um planejamento familiar, que está, profissionalmente, no auge de sua carreira, ocupando lugares de grandes exigências e de muita responsabilidade.

Além disso, neste período, a mulher se depara mais fortemente com o dilema da atualidade: manter-se eternamente jovem, porque a sociedade cultua a juventude e a beleza. E, ao olhar-se ao espelho, observando rugas, sua imagem envelhecida, gordurinhas a mais, não há como não ficar ansiosa ao verificar que sua juventude está se esvaindo...

Esta também é uma fase onde os filhos já crescidos e criados ou a caminho da emancipação não exigem mais os cuidados maternos de antes; é aqui também que os pais da mulher passam a exigir maiores cuidados por parte dela. Este conjunto de alterações dos papéis familiares exigem uma readaptação da mulher.

É nesta fase, também, que a perda de familiares ou de amigos ocorre com maior frequência.

Esta fase pode ser caracterizada como o momento em que ocorre um grande número de perdas simultaneamente: perda do papel maternal, da juventude, da vida reprodutiva, de entes queridos.

Uma mulher que não esteja preparada para vivenciar esta fase com toda esta problemática, com certeza ficará ansiosa e depressiva. Afinal, como lidar com todas estas mudanças?

Se passou a vida a se preocupar com os filhos, o dia a dia deles, como lidar com o vazio que a independência deles gera?

E como lidar com a mudança do papel de filha?

Afinal, seus pais, que sempre se dedicaram e cuidaram dela, passam agora a exigir que ela cuide deles...

Que mudança!!!

Além disso como lidar com o envelhecimento do corpo numa sociedade que privilegia a juventude eterna?

É muito comum, as mulheres, nesta fase da vida, entrarem em depressão tanto pela variação hormonal, como pela dificuldade de encarar todas estas mudanças.

Mas é importante que ela se conscientize de que esta fase, apesar das perdas, é maravilhosa também.

Não há mais a preocupação com uma possível gravidez!

É o momento em que a diminuição da preocupação com a educação dos filhos proporciona um tempo maior onde ela pode se dedicar a seus projetos pessoais engavetados pela falta de tempo (aquele curso, aquela 2ª lua de mel com o marido, etc...).

É o momento para repensar sua relação com seus pais e se permitir retribuir a eles todo o amor do mundo que eles dedicaram a ela!

É hora, também, de repensar o culto ao corpo e aceitar o fato de que se o corpo está envelhecendo.

A mente, por sua vez, está no seu ápice.

Deve-se usar e abusar das experiências de vida acumuladas ao longo dos anos.

Portanto, apesar dos sintomas físicos desta fase (que podem ser facilmente tratados através da reposição hormonal), é importante repensar e aceitar as mudanças que nela ocorrem.

Olga Inês Tessari é
Psicóloga, Psicoterapeuta e Pesquisadora
otessari@hotmail.com
SP


Seu artigo será bem recebido em riototal@riototal.com.br

Direção e Editoria
IRENE SERRA
irene@riototal.com.br