Honoré de Balzac gostava de pensar que sabia o caráter das pessoas pela
letra. Trouxeram-lhe um dia o caderno de um menino e pediram que desse uma
idéia de suas aptidões e do que prometia para o futuro. Depois de examinar
cuidadosamente as garatujas do menino, perguntou à senhora idosa que
trouxera o caderno:
- A senhora é mãe desta criança?
- Não, nem tenho parentesco, respondeu ela. - Então dir-lhe-ei minha
opinião franca, exclamou Balzac. Este menino é desmazelado e provavelmente
estúpido. Receio que nunca chegue a ser coisa alguma!
- Mas mestre! disse rindo a senhora, este caderno era seu, quando estava
no colégio!


Troca oportuna!
Quando faleceu um velho tio de Balzac, o notável romancista, que não
estimava o parente, considerando-o um grande usurário, ficou surpreendido
por ser contemplado pelo mesmo, em testamento, com uma pequena fortuna.
Satisfeitíssimo, participou o acontecimento aos amigos nos seguintes
termos:
- Ontem, às 5 horas da manhã, meu tio e eu trocamos esta vida por outra
melhor.