De soldado a rei


    O marechal de França Bernadotte, que viria a ser em 1818 rei da Suécia, foi nomeado pela jovem República Francesa embaixador em Viena. Soube-se logo, na aristocrática e altiva corte da Áustria que o embaixador francês tinha começado sua carreira como simples soldado num regimento comandado por M. de Béthizy, a esse tempo nobre emigrado.

    Julgando mortificar o ilustre guerreiro com a recordação de sua origem humilde, o barão de Thugut, ministro austríaco, disse-lhe um dia, em presença dos mais empertigados palacianos:

    - Senhor embaixador, temos em Viena um oficial emigrado, que assegura ter-vos conhecido noutras circunstâncias muito menos prósperas que as atuais.

    - Pode saber-se como se chama esse oficial? perguntou com vivo interesse Bernadotte.

    - Chama-se M. de Béthizy.

    - Oh, senhor ministro!... Recordo-me perfeitamente; foi outrora meu coronel e eu um simples soldado às suas ordens. Por certo que se alguma coisa sou e valho neste mundo, a ele o devo, às suas bondades e aos seus estímulos. Sinto profundamente que o caráter oficial de que me encontro revestido não me permita recebê-lo e honrá-lo no palácio da embaixada; mas peço-lhe que digais da minha parte que Bernadotte, o antigo soldado do regimento de seu comando, lhe professa  hoje o mesmo respeito e a mesma gratidão que sempre lhe professou.

    Esta resposta, digna do fundador da atual dinastia da Suécia, confundiu o leviano ministro, que se permitiu lançar em rosto a sua origem plebéia, àquele que pouco depois justificou ser digno de uma coroa


Enviado por Ivan Tabuada 
TabuadaN@aol.com