Empurrão
 

A águia empurrou gentilmente seus filhotes para a beirada do ninho. Seu coração se acelerou com emoções conflitantes, ao mesmo tempo em que sentiu a resistência dos filhotes a seus insistentes cutucões.

Pensou: "Por que a emoção de voar tem que começar com o medo de cair?"

O ninho estava colocado bem no alto de um pico rochoso. Abaixo, somente o abismo e o ar para sustentar as asas dos filhotes.

"E se, justamente agora, isto não funcionar?" - ela pensou.

Apesar do medo, a águia sabia que aquele era o momento. Sua missão estava prestes a se completar, restava ainda uma tarefa final: o empurrão. A águia encheu-se de coragem.
Enquanto os filhotes não descobrirem suas asas não haverá propósito para a sua vida.  Enquanto eles não aprenderem a voar não compreenderão o privilégio que é nascer águia.  O empurrão era o menor presente que ela podia oferecer-lhes. Era seu supremo ato de amor.

Então, um a um, ela os precipitou para o abismo. E eles voaram!

Às vezes, nas nossas vidas, as circunstâncias fazem o papel de águia.  São elas que nos empurram para o abismo.
E quem sabe não são esses os momentos que nos fazem descobrir que temos asas para voar?

 

Enviado por Marina Gurgel Valente,
USA

 

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