Luiz Alberto Py

SENTIR PENA DE SI MESMO
é perda de tempo


Quem não vira a página e deixa o sofrimento ir embora, tende a acreditar que tudo o que acontece é uma repetição do passado...

Percebo que algumas pessoas têm pena de si mesmas. Elas contam episódios tristes e dolorosos de suas vidas, guardados como se fossem recordações dignas de um álbum. Fico com pena não das situações sofridas – porque por sofrimentos todos nós passamos – mas da dificuldade que essas pessoas apresentam em superar os traumas e deixá-los no passado.

É deprimente que algumas pessoas se disponham a viver colecionando dores, sofrimentos e, principalmente, rancores e amarguras. Essas lembranças só servem para aumentar o peso da vida. Seria melhor que fizessem um esforço para virar a página e deixar o passado ir embora, desfazendo-se na poeira do tempo.

O maior perigo dessas atitudes reside no fato de que toda a vida da pessoa fica contaminada pelos acontecimentos antigos e tudo de novo que acontece é avaliado como se fosse uma repetição do passado.
As pessoas que foram traídas passam a esperar de cada pessoa que delas se aproxima uma nova traição, as que foram agredidas vêem uma agressão em cada nova situação de vida, e assim por diante.

Quando cultivamos a atitude de ter pena de nós mesmos, estamos nos colocando voluntariamente em uma situação de fragilidade e inferioridade.

Mais vale tentar esquecer o passado. É melhor lutarmos para conquistar nossos ideais e nos ligarmos a nossos projetos do que ficarmos vitimados pelos infortúnios do passado e assim negarmos a nós mesmos a possibilidade de conquistar a felicidade.

 

Luiz Alberto Py é Médico formado pela UFRJ,
integrante da Sociedade Brasileira de Psicanálise

   
   
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