O poder da fé
       

É uma pessoa de muita fibra, de muita fé. Sabe enfrentar com coragem e dignidade todas as dificuldades que têm surgido ao longo de seu caminho. Agora, porém, ao perder alguém que muito amava, precisou fazer um esforço especial para não cair na tristeza e no desânimo. E, aos olhos dos outros, conseguiu sobrepujar a dor que apenas calcou lá no fundo do coração. Fez uma viagem. Visitando um convento, dirigiu-se à capela, então deserta, viu uma imagem de Cristo crucificado e caiu-lhe aos pés. Chorou, chorou demais. E, entre soluços, rezava, mais entregue a Deus do que à própria dor.
Esteve ali durante muito tempo, deixando livre toda sua tristeza, toda sua saudade, toda sua perplexidade perante a morte.

Aos poucos foi se acalmando, olhando para aquele enorme crucifixo, contemplando a figura de Cristo que sangrava nas mãos, nos pés, na cabeça sob os espinhos, e em cujos olhos só havia humildade e perdão.
Saiu dali sentindo-se bem melhor, de alma lavada, novamente em paz com a vida, aceitando a vontade de Deus.

Um ano depois, passando outra vez pelo mesmo lugar, dirigiu-se logo ao convento em busca daquele crucifixo que tanto bem lhe fizera.

Para sua surpresa, encontrou apenas um muito pequeno, de pouco mais de meio metro de altura. Aproximou-se de uma freira que passava e perguntou onde tinham colocado a outra imagem, aquela bem grande, de tamanho natural, de Cristo na Cruz.

- Desculpe-me, mas nunca tivemos outros crucifixo desde que esta capela existe.

Perguntou se havia outra capela.

Não, era a única, não havia outra nem outro crucifixo, somente aquela capela com aquele crucifixo.

Então compreendeu, com a alma em deslumbramento: tinha sentido visivelmente, plasticamente, o que apenas sentimos quando a dor, a humilhação, o fracasso, nos colocam bem diante de Deus:  O TAMANHO IMENSO DO CRISTO CRUCIFICADO.
          

(M.S.)

 

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