Ano 9 - Semana 452
 



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26 de novembro, 2005
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Homem em Alto-Mar


Era uma vez, um homem que navegava por altos-mares. Seguia em busca de novidades...

O dia se punha alto, o sol brilhava altaneiro e já se descambava no horizonte. Na grande imensidão do nada, ele avistou um vulto... um vulto de mulher que nadava.

Apressou-se com suas remadas, para alcançá-la. Quem sabe precisava de alguma coisa? Em tão alto-mar, que faria aquela mulher se uma onda maior viesse?
 

Aproximando-se da mulher perguntou:
- Que fazes aí, sozinha em alto-mar, nadando a braçadas? - Não tens medo?


A mulher respondeu:

- Não tenho medo. Caminho sobre as ondas dos sonhos, e os meus sonhos me tornam leve, de tal forma que as ondas não me cobrem... eu flutuo sobre elas.


- E o sol não te queima a pele, não te fere os olhos, não te cega?


- Não, o sol é um deus que vive dentro de mim, não me queima, pois o escondo em mim mesma, como se fosse um precioso troféu.


- Não te sentes só neste mar infinito, onde nada se vê, nada se encontra?


- Não, viajante de altos mares. Não, porque sou dona do meu destino, o escolhi assim, boiar sozinha em altos mares, deixar-me queimar pelo sol, e viver só, nas ondas dos meus sonhos.>
Mas e tu, viajante, o que fazes neste mar deserto, em tão alto-mar, que a terra firme se vê tão distante?  O que buscas, meu viajante?


- Busco o prazer... somente o prazer. Busco o desconhecido, a beleza, a leveza, o encanto dos mares, o perigo das ondas, a alucinação das sereias!


- Mas que prazer buscas, nestas visões de perigo e alucinação?


- O prazer de conquistar a imensidão, o nada... Conquistar talvez o sonho, que vive dentro de mim e que nem sei qual é. Busco, busco... e não sei o que busco. Se busco a certeza de um afeto ou apenas momentos de fantasia... mas busco. Quem sabe um dia encontre e preencha o vazio que habita dentro de mim.
 

- Eu sei... tu buscas o sonho da felicidade que em algum lugar deixaste, sem saber que o deixavas, e nem onde o deixavas, e agora o procuras, para torná-lo talvez uma realidade... mas não o encontras. Não é assim?


- Sim. Busco o sonho da felicidade para preencher o meu vazio, o vazio que me foi deixado pelo meu querer sem querer, amar sem amar, desejar sem desejar.

Enfim, busco o paraíso que não sei onde está... se dentro de mim, se fora de mim, em alguém distante, em alguém perto,  ou além no infinito.
 

- Vem, aconchega-te em meus braços, e sente o meu palpitar... sente o vulcão do sol que brilha dentro de mim... sinta-me, possua-me.. e encontrarás o paraíso. Não o paraíso que está dentro de mim, mas aquele que está dentro de ti. Não importa se sou bela ou se sou feia, se sou apenas uma voragem ou uma nuvem que passa... porque, de fato, o paraíso está é dentro de ti e não em lugar algum em que busques.
 

Nisto, a mulher se agarra na barca do homem e sobe. O homem a possui e, no êxtase do prazer, se eleva aos céus... Mas, de repente, vem uma onda muito grande, trovões, relâmpagos que clareiam os céus e, por um instante, o homem vislumbra o rosto da mulher que está a possuir... (“Oh! Ela é humana!”)

Mas não é um ser humano que ele busca, ele busca as deusas dos mares que flutuam nas ondas de seus sonhos e reluzem ao sol de verão de sua juventude fugidia! Diante desta tormenta de raios, incertezas, angústias, e o sentimento da perda do falo, o homem diz  à mulher:

 

- Por favor, desce de minha barca pois ela é leve e insegura. Com a força das ondas nós dois seremos arrebatados mar a dentro, numa viagem sem volta... paremos por aqui. Eu te peço. Desce da minha barca, pois tu a inclinas com tuas fantasias idiotas, com teus sonhos que pesam como quilos e mais quilos de chumbo.
 

- Não te preocupes... eu não peso, porque sou apenas um sonho. A onda virá e por cima dela me projetarei, porque os sonhos não pesam... os sonhos voam. Os sonhos, como nuvens se desfazem ou, se fazem, não pesam... são apenas sonhos, nada mais!
 

Porém, o homem assustado, com medo de que sua estabilidade de navegador estivesse ameaçada e sua real felicidade pudesse ser destruída, empurra a mulher, que cai no mar e desaparece.
 

Passa-se o tempo e, um dia, outra vez em alto-mar, o homem busca com o olhar perdido aquele vulto, pois seu corpo e sua alma pedem, de novo, uma viagem ao paraíso, aquela viagem repleta de delírios e desejos que as sereias não lhe puderam dar. Mas as ondas vão... as ondas vêm... e nada, nenhum vulto se vislumbra  mar a dentro. A mulher que tinha figura humana desapareceu entre as ondas, perdeu-se no infinito de seus próprios sonhos.

 

O SONHO SE EVAPOROU...

 

Então o homem se pergunta:
Mas por quê? Eu não fiz nada... dei-lhe apenas um leve tranco para não pesar na minha barca... Por que ela não voltou, depois que a onda e a tempestade passaram?”

E dos céus uma voz lhe responde:

Amigo... o sonho de ser feliz é um sonho... mas quando ele se torna realidade, se  tu não o abraças, não o prendes e não enfrentas todos os riscos que para ser feliz se fazem necessários... o sonho vai embora... e junto vai
                                                                                            
A FELICIDADE!

 

Texto e foto enviados por Cida Dantas

 


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IRENE SERRA
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