Mariana Timóteo da Costa

Brasileiros estão ficando surdos

A deficiência atinge 63% da população e grande parte
é causada por poluição sonora ou remédios

Boa parte dos 63% dos brasileiros que sofrem de algum tipo de surdez tiveram o mal provocado por poluição sonora, remédios impróprios ou infecções sucessivas no ouvido. “Esses distúrbios são irreversíveis e podem levar à perda total da audição, caso não sejam tomadas medidas de prevenção”, explica a otorrino Tanit Ganz Sanchez, da Sociedade Brasileira de Otologia, responsável por uma pesquisa inédita sobre o problema envolvendo mais de 60 mil brasileiros de 25 estados.

O estudo também mostrou que 40% desses deficientes auditivos não sabem que sofrem do problema. “Por isso, a necessidade de medidas do governo, como a execução da Lei de Controle de Poluição Sonora, programada para entrar em vigor no Rio nas próximas semanas”, diz o deputado estadual e ecologista Carlos Minc, um dos autores da lei, lembrando que a poluição sonora faz com que milhares de cariocas ouçam pior a cada ano.

“Vamos começar exigindo que fábricas barulhentas apliquem revestimento acústico e que os empregados desses locais usem proteção no ouvido”, diz Minc, que também quer diminuir a quantidade de ônibus no estado. “Temos que investir em outros meios de transporte, que façam menos barulho, como trem e metrô”, afirma o deputado.

Os especialistas concordam: “Quem trabalha em locais muito ruidosos deve fazer exames de audição (audiometria) de seis em seis meses”, alerta o otorrino carioca Shiro Tomita.

As precauções não param por aí. Tomita aconselha as pessoas a não se automedicarem, já que vários remédios podem provocar deficiência auditiva nos mais sensíveis. “Anticoncepcionais, antibióticos, diuréticos e remédios à base de ácido acetilsalicílico, princípio ativo da aspirina, estão associados à lesão do nervo do ouvido”, diz.

Teste

Responda sim ou não. Se pelo menos uma resposta for sim, você deve confirmar o resultado com um
exame de audiometria

1) Você tem dificuldade de entender quando conversam com você?
( ) Sim
( ) Não

2) As pessoas reclamam que você não escuta bem?
( ) Sim
( ) Não

3) Você tem dificuldade de entender conversas em grupos ou locais barulhentos?
( ) Sim
( ) Não

4) As pessoas reclamam se você aumenta o volume do rádio ou TV?
( ) Sim
( ) Não

5) Você trabalha em locais barulhentos como metalúrgicas, tecelagens?
( ) Sim
( ) Não

6) Já saiu ou sai muito pus do seu ouvido?
( ) Sim
( ) Não

7) Você tem zumbido no ouvido?
( ) Sim
( ) Não

Surdez neurossensorial

A surdez neurossensorial ocorre quando o nervo acústico ou auditivo, que conduz as ondas sonoras do ouvido ao cérebro, é traumatizado. “Isso pode ocorrer por vários motivos: poluição sonora, estresse, medicamentos, infecções persistentes ou rompimento do tímpano”, diz o otorrino Fernando Portinho.
 Não existe cura para o mal. “O melhor é fazer um diagnóstico precoce para proteger o ouvido do paciente”, diz o otorrino Shiro Tomita. Crianças com problemas e dores de ouvido constantes devem ser levadas ao médico. “As bactérias podem tomar o nervo, prejudicando muito a audição”, alerta Portinho.

Sintomas – Dificuldade de escutar, zumbido no ouvido e tonteira.

Prevenção – Pessoas que vivem ou trabalham em ambientes barulhentos devem usar proteção para o ouvido. É bom evitar a automedicação, já que o mal pode se manifestar em pacientes sensíveis a antibióticos, pílulas anticoncepcionais e diuréticos. Quem fica com o ouvido constantemente inflamado (otite) também deve procurar um médico.

Exame – A audiometria mede a qualidade da captação das ondas sonoras pelo paciente. Radiografia e ultrassonografia também são usadas, assim como o exame de tronco cerebral, onde um aparelho mede os ruídos sonoros captados pelo cérebro.

Tratamento – Consiste em manter a perda auditiva em níveis estáveis, protegendo o ouvido com medicamentos e melhorando a audição com aparelhos.

Onde se tratar:
Rede pública – Postos de Saúde

Tele-Saúde: 273-0846

Fonte: O Dia

 

         
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