Câncer de próstata

    

O câncer de próstata representa um sério problema de saúde pública no Brasil, em função de suas altas taxas de incidência e mortalidade. Ele é o segundo mais comum em homens - só sendo superado pelo de pele - e o terceiro em óbitos. Segundo as Estimativas de Incidência e Mortalidade Por Câncer no Brasil, do Instituto Nacional de Câncer, deverão ocorrer 14.830 novos casos de câncer de próstata e 6.850 mortes causadas pela doença no país, em 2000.

Enquanto a incidência está ligada às características demográficas da população, a mortalidade alta é causada pelo retardo do diagnóstico, que favorece a ocorrência de tumores com alta capacidade biológica de invasão local e de disseminação para outros órgãos. Tais tumores são incuráveis quando tratados em fase metaestásica.

O câncer de próstata atinge principalmente os homens acima de 50 anos de idade. O aumento de sua incidência na população é também uma decorrência do aumento da expectativa de vida do brasileiro verificada ao longo deste século, cuja tendência é ultrapassar os 70 anos no ano 2020.

O que é câncer?

“Câncer é um grupo de doenças que ocorrem quando as células se tornam anormais, dividindo-se e formando mais células, sem controle ou ordem.

O câncer é resultado de uma série de alterações nos genes que controlam o crescimento e o comportamento celular. A ocorrência e a falta de controle dessas alterações gênicas são objeto de intensas pesquisas médicas em todo o mundo.

Alguns desses genes são hereditários e seus portadores podem ter predisposição ao câncer, enquanto outros tipos de câncer são considerados esporádicos."

Richard D. Klausner, NCI, 1998

O que é próstata?

É uma glândula masculina. É um órgão pequeno com formato de maçã. Ela produz parte do sêmen, um líquido espesso que contém os espermatozóides, produzidos pelos testículos.

Etiologia

A etiologia do carcinoma próstatico permanece desconhecidas. Um estudo de sua distribuição geográfica proporciona certos dados. A baixa incidência observada em homens japoneses aumenta e aproxima-se daquela observada em brancos americanos quando migram para os Estados Unidos, sugerindo um importante papel dos fatores ambientais.

Os androgênios estão envolvidos no crescimento dos carcinomas próstaticos e talvez sua própria etiologia. A maioria dos carcinomas próstaticos surge na região periférica subcapsular do lobo superior da próstata, uma região da glândula extremamente sensível a alterações no nível de androgênio. A queda dos níveis de androgênios numa fase avançada encontra-se associada a alterações involutivas na parede externa da glândula; nesta região afetada por tais alterações regressivas é que surge o câncer.

Manifestações clínicas

Os sintomas urinários, como alteração do fluxo, hematúria e freqüência, ocorrem tardiamente, em virtude da localização posterior periférica habitual do tumor. A dor nas costas, causada por metástases vertebrais, constitue uma manifestação inicial comum. As células do câncer prostático produzem fosfatase ácida, os níveis séricos desta tornam-se elevados quando o tumor se estende fora da cápsula, não sendo de grande valia no diagnóstico no carcinoma de estado inicial.

Diagnóstico

A detecção do câncer de próstata é feita pelo exame clínico (toque retal) e da dosagem de substâncias produzidas pela próstata: a fração prostática da fosfatase ácida (FAP) e o antígeno prostático específico (PSA, sigla em inglês), que podem sugerir a existência da doença e indicarem a realização de ultra-sonografia pélvica (ou prostática trans-retal se disponível). Esta ultra-sonografia, por sua vez, poderá mostrar a necessidade de se realizar a biopsia prostática transretal. O toque retal permite detectar nódulos pequenos, menores que 1,5 cm3, e avaliar a extensão local da doença. Sua realização periódica é a melhor forma de se reduzir a mortalidade por câncer de próstata.

Tratamento

A cirurgia é o tratamento indicado para tumores localizados; ela apresenta risco de causar impotência ou incontinência urinária. A hormonioterapia e a radioterapia reduzem o câncer, mas ele geralmente volta em alguns anos, verificando-se também o risco de impotência com estes tratamentos.

Profilaxia

Estudos epidemiológicos que compararam hábitos alimentares de diferentes populações, apresentando taxas de câncer de próstata altas e baixas, indicam que uma alimentação gordurosa, sobretudo uma caracterizada por consumo elevado de carne vermelha, favorece o crescimento de tumores prostáticos. O consumo elevado de gordura já é mal afamado por promover câncer de mama e de cólon, mas esses estudos indicam que o efeito da carne vermelha é ainda mais forte no câncer da próstata.

Um achado igualmente sugestivo foi obtido colocando os países numa grade com base na taxa de mortalidade por câncer de próstata e no consumo médio de gordura por pessoa. Os EUA e os países da Europa Ocidental, que são os que ingerem mais gordura, apresentam também as mais altas taxas de mortalidade por câncer de próstata. Inversamente, as nações na bacia do Pacífico que consomem os níveis mais baixos de gordura têm taxas muito baixas de morte por câncer da próstata.

Outro componente alimentar que parece influenciar o câncer da próstata – desta vez como um inibidor do crescimento – é a proteína de soja, uma substância consumida no Japão em abundância. A soja reduz o nível de testosterona circulante no sangue e inibe também uma enzima que transforma a testosterona em sua mais potente forma nas células prostáticas. Certas evidências indicam que produtos derivados do tomate, a vitamina E o mineral selênio também podem inibir o crescimento do tumor. Outros componentes de diversos alimentos também estão sendo pesquisados como possíveis promotores do câncer de próstata ou, ao contrário, como escudos contra essa doença. A necessidade atual é de mais estudos em humanos que avaliem o valor protetor de certas mudanças na alimentação e dos complementos alimentares em homens que correm risco de câncer de próstata ou de recorrência.

É interessante ver que os estudos com animais indicam que os fatores alimentares podem aumentar ou diminuir a tendência de o câncer microscópico crescer e converter-se numa massa perigosa. Porém, esses fatores não afetam os processos que originalmente fazem com que uma célula normal se torne maligna. Esse achado pode ajudar a explicar porque a incidência de câncer microscópico silencioso (calculada com base nas autópsias de homens que morreram de causas não relacionadas com o câncer de próstata) é essencialmente igual no mundo inteiro, enquanto a de câncer prostático palpável (os casos de câncer microscópico que de fato se desenvolvem) varia com a geografia.

Prognóstico

O prognóstico depende do estágio clinicopatológico, em menor extensão, do grau histológico. Na presença de doença inicial, 80% dos pacientes apresentam sobrevida de 5 anos e 60%, uma sobrevida de 10 anos após cirurgia agressiva com radioterapia adjuvante e quimioterapia. Infelizmente, menos de 20% dos pacientes são diagnosticados neste estágio inicial.

 
Ana Lima, jornalista 

 

 

 

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