O auto-exame dos testículos

Apalpar a bolsa escrotal permite identificar anormalidades, 
como tumores que provocam a esterilidade.



Poucos homens sabem, mas o auto-exame dos testículos é tão importante quanto o auto-exame das mamas para as mulheres. O tumor nos órgãos responsáveis pela produção de espermatozóides pode surgir entre a segunda e terceira décadas de vida, ou seja, dos 10 aos 30 anos. Quando é identificado na fase inicial, as chances de cura do câncer de testículo podem superar 90%.

O auto-exame é simples e deve ser feito, pelo menos, uma vez por semana, de preferência na hora do banho. Ainda quando criança os pais têm de instruir o filho para apalpar a bolsa escrotal com as pontas dos dedos. O tecido é liso e pouco irregular, o que torna fácil sentir nódulos. Se for percebida alguma anormalidade (nódulos e caroços), um urologista deve ser procurado imediatamente. “Apalpar é a maneira mais eficiente para identificar o tumor e não leva mais de vinte segundos”, declara o urologista Sidney Glina, do Hospital Albert Einstein de São Paulo (Brasil).

Idade perigosa

A incidência do câncer de testículo é maior entre jovens com idade média de 20 anos. Assim que o tumor é identificado o primeiro procedimento deve ser a coleta de sêmen (líquido que contém os espermatozóides) para congelamento. A medida assegura que, caso o paciente fique estéril pela ação da quimioterapia ou radioterapia, seus espermatozóides possam ser utilizados futuramente numa inseminação artificial. “Cerca de 60% dos pacientes ficam inférteis após o tratamento. Por isso guardamos o sêmen, que dificilmente sofre alterações pela ação do tumor”, explica Sidney Glina. O banco de sêmen do Hospital Albert Einstein, por exemplo, cobra 800 reais para coletar e congelar o líquido. A cada seis meses é necessário pagar mais 200 reais para manutenção do material no banco.

Tratamento

As técnicas disponíveis para tratar do câncer de testículo são a quimioterapia (medicamentos que combatem a multiplicação irregular das células) e a radioterapia (tratamento com aplicação de raio-x). As estatísticas mundiais são de que em 90% dos casos um dos dois métodos impede o desenvolvimento da doença. Caso o tumor migre para a região do abdômen (metástase) a retirada do testículo deve ser imediata. “Os riscos de isso acontecer são cinqüenta vezes maiores em homens que têm história familiar de testículo alto”, diz Glina. “A formação do testículo durante a gestação se dá junto aos rins e, depois, migra para a bolsa escrotal. Em alguns bebês os testículos não percorrem todo o caminho até a bolsa e precisam ser colocados no lugar por meio de uma pequena intervenção cirúrgica”, esclarece o especialista.

Estatísticas americanas

Nos Estados Unidos, país reconhecido mundialmente por manter atualizadas as estatísticas de todo tipo de câncer, o câncer de testículo atinge 7,6 mil pessoas todos os anos. Deste total, aproximadamente 400 morrem. A doença é mais comum em homens com idade entre 15 e 35 anos. Para identificar o câncer ainda na fase inicial o governo americano financia propagandas nos principais meios de comunicação (rádio e TV), além de recomendar aos professores que ensinem seus alunos a realizarem o auto-exame do testículo a partir dos 10 anos.

Fonte: Salutia
Pesquisa. Ana Lima

 

 

 

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