Dr. Ricardo Giacometti Machado       

   

GLAUCOMA



O glaucoma é uma doença do nervo óptico que geralmente afeta pessoas com pressão dos olhos (pressão intraocular) elevada.

O glaucoma se caracteriza por danificar progressivamente o nervo óptico. A velocidade em que o dano progride depende, entre outros fatores, do nível de pressão atingido: quanto maior a pressão, mais rapidamente o dano progride. 

Existem várias formas de glaucoma.

Nas formas mais comuns não há qualquer sintoma, e a pessoa não percebe que está com algum problema (geralmente defeitos ou sombras na visão ou visão ruim) até que a lesão do nervo já esteja bem avançada, e aí procura o oftalmologista quando já não há muito o que fazer senão tentar preservar o pouco que resta de visão.

Existe uma forma, no entanto, na qual os pacientes podem apresentar crises de aumento súbito da pressão. Neste caso, sim, há sintomas de dor nos olhos e/ou dor de cabeça, visão de halos ao redor de luzes, visão embaçada, lacrimejamento, podendo chegar até a sentir náuseas e apresentar vômitos, quando a pressão aumenta muito. Estas crises podem resolver-se sozinhas ou não. Quando a crise não se resolve por si, é o chamado Glaucoma Agudo. Trata-se de uma emergência por que, se não for tratado rapidamente, pode levar a um grande dano no nervo em pouco tempo, dependendo do nível de pressão atingido.

Na maioria das vezes, o glaucoma não pode ser evitado e, por isso, o diagnóstico deve ser feito o mais precocemente possível. O único profissional capacitado para diagnosticar o glaucoma é o oftalmologista. Em alguns casos, no entanto, o glaucoma pode ser evitado (por exemplo, quando é decorrente de traumatismos, infecções, inflamações, ...) se a pessoa procurar logo um oftalmologista.

O ideal é que as pessoas, principalmente aquelas que estejam nos grupos de risco - mais susceptíveis ao glaucoma - visitem regularmente seu oftalmologista (pelo menos uma vez por ano).

A maioria dos casos de glaucoma não tem cura, mas pode ser controlado com o uso de colírio(s), medicações, laser ou cirurgia.

Diagnóstico

O diagnóstico do glaucoma é baseado em três fatores:

- A pressão intraocular
- O aspecto do nervo óptico (e/ou da camada de fibras nervosas);
- O exame de campo visual.

Para se dar o diagnóstico de glaucoma, é necessário que pelo menos dois destes fatores estejam presentes.

Assim, se apenas existe pressão ocular elevada, trata-se de Hipertensão Ocular. O paciente que tem hipertensão ocular não necessita necessariamente de tratamento, mas deve ser observado de perto, já que a pressão ocular elevada é o principal fator de risco para se desenvolver o glaucoma.

Do mesmo modo, se apenas o aspecto do nervo está alterado, estudos mais profundos são necessários, para se descartar a presença de outras entidades que propiciam este mesmo aspecto (miopia, raça negra, glaucoma de pressão normal, constituição, etc...).

Atualmente, tem-se dado maior importância ao estudo da camada de fibras nervosas do que ao aspecto do nervo. No entanto, para se estudar a camada de fibras nervosas, são necessários exames que ainda não são amplamente disponíveis, além de serem mais caros. Por isto, o aspecto do nervo ainda é amplamente utilizado para esta finalidade.

O Tratamento

O tratamento do glaucoma visa reduzir a pressão intraocular e, assim, fazer com que o dano ao nervo óptico não mais progrida - ou progrida mais lentamente.  

Apesar de a pressão intraocular não ser o único fator determinante do glaucoma, por enquanto é o único fator que conseguimos controlar satisfatoriamente e com segurança.

O tratamento do glaucoma pode ser feito por meio do uso de colírios e medicações (tratamento clínico), por meio da aplicação de laser e/ou por meio de cirurgia (tratamento cirúrgico).

O tratamento deve iniciar-se tão logo seja feito o diagnóstico, e deve prolongar-se pelo tempo que se prolongar o glaucoma. Na maioria das vezes isto significa o resto da vida.

Nos casos dos glaucomas secundários, o tratamento redutor da pressão intraocular prolonga-se até que seja resolvida a causa do glaucoma - e, por conseguinte, o glaucoma. Por exemplo, se o glaucoma foi causado por uma hemorragia, até que a hemorragia seja eliminada e a pressão tenha se normalizado.

Fatores de Risco

A única maneira segura de se saber se está com glaucoma é fazendo uma consulta ao seu oftalmologista, único profissional capacitado a fazer o diagnóstico.

FATORES DE RISCO PARA GLAUCOMA

Existem alguns fatores que tornam a pessoa mais susceptível ao glaucoma. Estes fatores podem ser divididos em dois grupos:

Fatores do próprio olho:
Miopia alta (maior que 5 graus).
Hipermetropia alta.
Antecedente de inflamação ocular.
Antecedente de traumatismo ocular.  

Fatores do organismo, externos ao olho:
Diabetes
Hipertensão Arterial.
Hipotensão Arterial.
Idade maior que 45 anos.
Antecedente de glaucoma em parente consangüíneo direto.
Raça Negra.  

As pessoas que se enquadram nestes fatores apresentam maior risco de desenvolver glaucoma e devem visitar regularmente seu oftalmologista, pois este é o único modo de se detectar precocemente a doença e iniciar o tratamento o mais rápido possível.

Observações:

A pressão intraocular (P.I.O.) normal varia de 9 ou 10 mmHg até 21 ou 22 mmHg. Tende a ser mais elevada no período da manhã.

Também tende a ser maior quanto mais elevada a idade, exceto nos indivíduos orientais, no quais a tendência é de haver diminuição da pressão conforme a idade avança. Curiosamente, não se observa uma diminuição da incidência de glaucoma em orientais, mas sim uma maior incidência de Glaucoma de Pressão Normal, provando que a pressão ocular não é o único fator determinante do glaucoma.

Não existe um valor de pressão absolutamente seguro, no qual uma pessoa está indefinidamente livre do glaucoma. Outros fatores, tais como a raça, a idade, o grau de comprometimento do nervo óptico, a expectativa de vida, devem ser levados em conta ao determinar qual a pressão ideal para cada pessoa e até para cada olho individualmente.

Existem pessoas que, mesmo apresentando pressão dentro do normal, desenvolvem glaucoma ("Glaucoma de Pressão Normal"). Nestas pessoas, predominam outros fatores, ainda em estudo, tais como alteração do metabolismo da célula, alteração do fluxo sanguíneo, etc.

Outras pessoas, ainda, não têm glaucoma mesmo com pressão elevada ("Hipertensão Ocular").

O que se observa, no entanto, é que quanto maior a pressão maior o risco de se desenvolver glaucoma em algum momento, sendo que a probabilidade chega próxima dos 99% com pressões maiores que 27mmHg. Além disso, quanto maior a pressão, mais rapidamente o nervo óptico será danificado.

Portanto, nem o diagnóstico, nem o acompanhamento, devem basear-se apenas na pressão intraocular, mas também em outros exames que avaliam o aspecto e a função do nervo óptico.  

 

Dr. Ricardo Giacometti Machado é médico oftalmologista
Pesquisa de Ana Lima
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