Paulo Roberto de Carvalho
   

Medicina Ortomolecular
Prático guia terapêutico
   

Vitaminas, sais minerais, aminoácidos, lipídios, hormônios, antioxidantes, todas as substâncias já existentes no organismo, são as armas utilizadas pela Medicina Ortomolecular para manter e promover a saúde. 

Reconhecendo as alterações da constituição molecular do organismo e o excesso de radicais livres como parte importante das doenças, essa nova técnica procura o equilíbrio das funções metabólicas e imunológicas pelo uso de nutrientes simples e naturais como agentes terapêuticos. 

Fundamentada em bases científicas reconhecidas por pesquisadores dos maiores centros tecnológicos dos Estados Unidos e da Europa, a Medicina Ortomolecular incorporou-se à vida dos habitantes do primeiro mundo como forma de evitar doenças e envelhecimento precoce, manter a beleza da pele e dos cabelos e auxiliar no tratamento clínico convencional.

No Brasil, pouca informação chega aos profissionais de saúde e pacientes, que, deste modo, ficam impossibilitados de utilizar a Medicina Ortomolecular com eficiência e segurança. 

Apresentamos aqui algumas propriedades, mecanismos de ação e a maneira de utilizar alguns nutrientes da Medicina Ortomolecular, capazes de promover um equilíbrio físico e mental imprescindível ao ser humano do século XXI.

Arritmias Cardíacas
Magnésio - tem efeito vasodilatador e antiarrítmico
Potássio - deficiência e excesso estão relacionados com arritmias
Taurina - normaliza o fluxo de íons através da membrana celular do miocárdio

Artrite reumatóide
Vitamina C - possui atividade fibrinolítica e propriedades estabilizadoras das membranas. Os processos inflamatórios aumentam sua excreção, favorecendo a deficiência.
Ácido pantotênico - estimula as supra-renais, aumentando os níveis de cortisol.
Vitamina K - estabiliza a superfície interna da cápsula articular.
Zinco - tem ação antiinflamatória, possivelmente por diminuir os níveis de cobre. 

Ateroesclerose 
Ácido fólico e Vitamina B12 - promovem a transformação de homocisteína em metionina.
Niacina - baixa colesterol e triglicerídios e aumenta HDL- colesterol
Vitamina C - a concentração plasmática e leucocitária de ascorbato encontra-se diminuída na doença coronariana. A síntese de ácidos biliares a partir do colesterol depende de vitamina C. Estimula a lipase lipoprotéica no catabolismo dos triglicerídios. Fundamental à produção do colágeno das paredes arteriais. Pode diminuir o colesterol e a agregação plaquetária.
Vitamina E - tem efeito anticoagulante, diminuindo a adesividade e a agregação plaquetária. 
Cálcio - pode saponificar os ácidos graxos no intestino, diminuindo sua absorção. 
Cromo - experimentalmente benéfico, pode baixar colesterol e triglicerídios.
Magnésio - deficiência está relacionada com doença coronariana, arritmias cardíacas, angina pectoris e aumento da mortalidade por infarto do miocárdio. Inibe a agregação plaquetária. 
Extrato de ginko biloba - antioxidante, auxilia na insuficiência arterial periférica. 
Extrato de carqueja e beringela - baixam colesterol. 
Ácidos graxos monoinsaturados do azeite de oliva -  inibem a síntese de colesterol. 

Cálculos urinários 
Magnésio - útil em todos os tipos de cálculos, inibe a formação de cálculos de oxalato de cálcio.
Outros - em pacientes com hiperoxalúria, evitar alimentos com ácido oxálico (feijões se outras leguminosas, cacau, café instantâneo, espinafre, chá, salsa) e doses de vitamina C acima de 4 gramas.

Diabetes
Cromo - por fazer parte do complexo GTF(Glicose Tolerance Factor), potencializa a ação da insulina.
Vanádio - estimula a captação de glicose de forma semelhante a da insulina.
Biotina - age sinergicamente com a insulina e independentemente diminuindo a glicemia.
Niacina - componente do GTF. 
Piridoxina - mais indicado na neuropatia diabética e no diabetes da gravidez.
Vitamina B12 - útil na neuropatia diabética. 
Vitamina C - muitas vezes deficiente devido ao aumento da excreção primária e ao aumento da oxidação.
Vitamina E - pode reduzir as necessidades diárias de insulina.
Magnésio - comumente baixo nos diabéticos, age como co-fator da glicólise. 
Manganês - geralmente baixo no diabetes, é importante como co-fator na glicólise e sua deficiência pode levar à intolerância à glicose.
Zinco - tem excreção aumentada nos diabéticos e seu déficit pode afetar o metabolismo dos carboidratos e dos lipídios.

Doença de Cröhn
Ácido fólico - pode estar deficiente por falta de ingestão, má absorção ou pelo uso de sulfasalazina. A suplementação pode reduzir o quadro diarreico.
Vitamina B12 - freqüentemente deficiente, deve ter administração intramuscular
Vitamina D - deficiência pode provocar hiperparatireoidismo secundário. 
Ácido pantotêncico - pode ser benéfico pelo estímulo na produção de cortisol.
Cálcio - deficiência decorre da perda de superfície absortiva, esteatorréia, cortcóideterapia ou deficiência de Vitamina D. 
Magnésio - níveis freqüentemente baixos nas hemácias, podem estar relacionados com fadiga, anorexia, hipotensão, confusão, irritabilidade, convulsões, etc.

Eczema 
Beta caroteno - a vitamina A mostrou-se experimentalmente benéfica.
Ácido Gama linolênico (Omega6) - pode haver deficiência, uma vez que a conversão a partir do ácido linoléico aparece deficiente nos pacientes com eczema atópico. 

Esclerose Múltipla
Vitamina E - toda medicação antioxidante pode apresentar bons resultados em controlar as crises e retardar irreversibilidade das lesões.
Ácido lipóico - antioxidante com ação importante no sistema nervoso central.
Vitamina B 12 - tem ação direta sobre a síntese de mielina. Clinicamente, auxilia na recuperação das crises e no estado geral dos pacientes.
Cálcio - teoricamente, a suplementação de cálcio durante a puberdade e a adolescência poderia evitar o aparecimento da doença mais tarde.
Ácidos graxos poliinsaturados - provenientes de linhaça, oliveira, girassol, etc., estão negativamente correlacionados com a progressão e a severidade da doença. 
Ácido gama-linolênico (Omega6) - encontra-se deficiente no sangue da maioria das pacientes com esclerose múltipla.

Fadiga
Ácido pantotênico - tem francas propriedades antifadiga, provavelmente por estimular a síntese de cortisol nas supra-renais. 
Piridoxina - aumenta a performance e a resistência física.
Ácido fólico - deficiência provoca sintomas de cansaço.
Vitamina B 12 - especialmente as injeções de hidroxi-cobalamina.
Ferro - suplemento somente em caso de deficiência.
Magnésio - fundamental à síntese de ATP e à função de diversas enzima, deve ser suplementado sob a forma de aspartato de magnésio.
Zinco - aumenta a força e a resistência musculares.
Ácido aspártico - suplementado sob a forma de aspartato de magnésio ou de potássio, melhora a performance físico.
Glutamina - melhora o transporte de amônia e aumenta os níveis cerebrais de ácido glutâmico, neurotransmissor excitatório essencial ao bom funcionamento do SNC.

(continua) 

    

Paulo Roberto de Carvalho, médico ortomolecular





  
   Direção e Editoria
Irene Serra
irene@riototal.com.br