Medicina Ortomolecular
Prático guia terapêutico
Vitaminas, sais minerais, aminoácidos, lipídios, hormônios, antioxidantes, todas as substâncias já existentes no organismo, são as armas utilizadas pela Medicina Ortomolecular para manter e promover a saúde.
Reconhecendo as alterações da constituição molecular do organismo e o excesso de radicais livres como parte importante das doenças, essa nova técnica procura o equilíbrio das funções metabólicas e imunológicas pelo uso de nutrientes simples e naturais como agentes terapêuticos.
Fundamentada em bases científicas reconhecidas por pesquisadores dos maiores centros tecnológicos dos Estados Unidos e da Europa, a
Medicina Ortomolecular incorporou-se à vida dos habitantes do primeiro mundo como forma de evitar doenças e envelhecimento precoce, manter a beleza da pele e dos cabelos e auxiliar no tratamento clínico convencional.
No Brasil, pouca informação chega aos profissionais de saúde e pacientes, que, deste modo, ficam impossibilitados de utilizar a Medicina Ortomolecular com eficiência e segurança.
Apresentamos aqui algumas propriedades, mecanismos de ação e a maneira de utilizar alguns nutrientes da Medicina Ortomolecular, capazes de promover um equilíbrio físico e mental imprescindível ao ser humano do século XXI.
Arritmias Cardíacas
Magnésio - tem efeito vasodilatador e antiarrítmico
Potássio - deficiência e excesso estão relacionados com arritmias
Taurina - normaliza o fluxo de íons através da membrana celular do miocárdio
Artrite reumatóide
Vitamina C - possui atividade fibrinolítica e propriedades estabilizadoras das membranas. Os processos inflamatórios aumentam sua excreção, favorecendo a deficiência.
Ácido pantotênico - estimula as supra-renais, aumentando os níveis de cortisol.
Vitamina K - estabiliza a superfície interna da cápsula articular.
Zinco - tem ação antiinflamatória, possivelmente por diminuir os níveis de cobre.
Ateroesclerose
Ácido fólico e Vitamina B12 - promovem a transformação de homocisteína em metionina.
Niacina - baixa colesterol e triglicerídios e aumenta HDL- colesterol
Vitamina C - a concentração plasmática e leucocitária de ascorbato encontra-se diminuída na doença coronariana. A síntese de ácidos biliares a partir do colesterol depende de vitamina C. Estimula a lipase lipoprotéica no catabolismo dos triglicerídios. Fundamental à produção do colágeno das paredes arteriais. Pode diminuir o colesterol e a agregação plaquetária.
Vitamina E - tem efeito anticoagulante, diminuindo a adesividade e a agregação plaquetária.
Cálcio - pode saponificar os ácidos graxos no intestino, diminuindo sua absorção.
Cromo - experimentalmente benéfico, pode baixar colesterol e triglicerídios.
Magnésio - deficiência está relacionada com doença coronariana, arritmias cardíacas, angina pectoris e aumento da mortalidade por infarto do miocárdio. Inibe a agregação plaquetária.
Extrato de ginko biloba - antioxidante, auxilia na insuficiência arterial periférica.
Extrato de carqueja e beringela - baixam colesterol.
Ácidos graxos monoinsaturados do azeite de oliva - inibem a síntese de colesterol.
Cálculos urinários
Magnésio - útil em todos os tipos de cálculos, inibe a formação de cálculos de oxalato de cálcio.
Outros - em pacientes com hiperoxalúria, evitar alimentos com ácido oxálico (feijões se outras leguminosas, cacau, café instantâneo, espinafre, chá, salsa) e doses de vitamina C acima de 4 gramas.
Diabetes
Cromo - por fazer parte do complexo GTF(Glicose Tolerance Factor), potencializa a ação da insulina.
Vanádio - estimula a captação de glicose de forma semelhante a da insulina.
Biotina - age sinergicamente com a insulina e independentemente diminuindo a glicemia.
Niacina - componente do GTF.
Piridoxina - mais indicado na neuropatia diabética e no diabetes da gravidez.
Vitamina B12 - útil na neuropatia diabética.
Vitamina C - muitas vezes deficiente devido ao aumento da excreção primária e ao aumento da oxidação.
Vitamina E - pode reduzir as necessidades diárias de insulina.
Magnésio - comumente baixo nos diabéticos, age como co-fator da glicólise.
Manganês - geralmente baixo no diabetes, é importante como co-fator na glicólise e sua deficiência pode levar à intolerância à glicose.
Zinco - tem excreção aumentada nos diabéticos e seu déficit pode afetar o metabolismo dos carboidratos e dos lipídios.
Doença de Cröhn
Ácido fólico - pode estar deficiente por falta de ingestão, má absorção ou pelo uso de sulfasalazina. A suplementação pode reduzir o quadro diarreico.
Vitamina B12 - freqüentemente deficiente, deve ter administração intramuscular
Vitamina D - deficiência pode provocar hiperparatireoidismo secundário.
Ácido pantotêncico - pode ser benéfico pelo estímulo na produção de cortisol.
Cálcio - deficiência decorre da perda de superfície absortiva, esteatorréia, cortcóideterapia ou deficiência de Vitamina D.
Magnésio - níveis freqüentemente baixos nas hemácias, podem estar relacionados com fadiga, anorexia, hipotensão, confusão, irritabilidade, convulsões, etc.
Eczema
Beta caroteno - a vitamina A mostrou-se experimentalmente benéfica.
Ácido Gama linolênico (Omega6) - pode haver deficiência, uma vez que a conversão a partir do ácido linoléico aparece deficiente nos pacientes com eczema atópico.
Esclerose Múltipla
Vitamina E - toda medicação antioxidante pode apresentar bons resultados em controlar as crises e retardar irreversibilidade das lesões.
Ácido lipóico - antioxidante com ação importante no sistema nervoso central.
Vitamina B 12 - tem ação direta sobre a síntese de mielina. Clinicamente, auxilia na recuperação das crises e no estado geral dos pacientes.
Cálcio - teoricamente, a suplementação de cálcio durante a puberdade e a adolescência poderia evitar o aparecimento da doença mais tarde.
Ácidos graxos poliinsaturados - provenientes de linhaça, oliveira, girassol, etc., estão negativamente correlacionados com a progressão e a severidade da doença.
Ácido gama-linolênico (Omega6) - encontra-se deficiente no sangue da maioria das pacientes com esclerose múltipla.
Fadiga
Ácido pantotênico - tem francas propriedades antifadiga, provavelmente por estimular a síntese de cortisol nas supra-renais.
Piridoxina - aumenta a performance e a resistência física.
Ácido fólico - deficiência provoca sintomas de cansaço.
Vitamina B 12 - especialmente as injeções de hidroxi-cobalamina.
Ferro - suplemento somente em caso de deficiência.
Magnésio - fundamental à síntese de ATP e à função de diversas enzima, deve ser suplementado sob a forma de aspartato de magnésio.
Zinco - aumenta a força e a resistência musculares.
Ácido aspártico - suplementado sob a forma de aspartato de magnésio ou de potássio, melhora a performance físico.
Glutamina - melhora o transporte de amônia e aumenta os níveis cerebrais de ácido glutâmico, neurotransmissor excitatório essencial ao bom funcionamento do SNC.
(continua)
Paulo
Roberto de Carvalho, médico ortomolecular