Síndrome da Fragilidade:
novo conceito em saúde do idoso
A Organização Mundial da Saúde classifica cronologicamente o início da
terceira idade, começando aos 65 anos em países desenvolvidos e aos 60 em
países em desenvolvimento, mas não basta cantar parabéns e apagar as velinhas
para se tornar um idoso. “O envelhecimento é um processo que pode começar
antes dos 60 anos”, afirma o dr. Abrão José Cury Jr, coordenador do V
Congresso Paulista de Clínica Médica, cujo tema central é Saúde na Terceira
Idade.
Existem mudanças físicas e emocionais que comprometem a qualidade de vida e
podem levar à Síndrome da Fragilidade, conjunto de manifestações físicas e
psicológicas que predispõem uma pessoa a desenvolver doenças.
Dificuldades de recuperação após uma doença, redução da libido, osteoporose
acelerada, redução da força muscular, susceptibilidade a doenças, refluxo
gástrico, constipação intestinal, redução da absorção de alimentos e
medicamentos, redução do fluxo sanguíneo no fígado, infecções respiratórias,
como pneumonia, diabetes, doenças cardíacas, como infarto, são marcadores da
fragilidade física da pessoa, em geral, associados à incontinência urinária,
desnutrição, quedas, imobilidade, uso de vários medicamentos ao mesmo tempo e
depressão.
“É preciso se preocupar com a qualidade de vida do paciente, não aceitar as
mudanças físicas como inevitáveis e normais e, principalmente, cuidar da saúde
antes que as doenças se instalem”, enfatiza o clínico geral e cardiologista
Abrão Cury Jr.
Um dos passos importantes é a avaliação nutricional e a prescrição de uma
dieta, que considere a realidade e as características do paciente. Cardápio
individualizado, dividido em várias refeições, rico em fibras, adequado às
condições de mastigação, com suplementos e com líquidos são medidas que
contribuem para a boa saúde.
Outro aspecto importante é a avaliação do médico, que deve considerar a idade
do paciente, comprometimento da audição e visão, doenças pré-existentes,
depressão, hospitalização nos últimos meses, capacidade de compreensão,
problemas na tireóide, condições para desenvolver atividades diárias, como
vestir, comer, higienizar, andar, cuidar da saúde e outras.
Hoje, a medicina está capacitada para corrigir de forma eficaz o mais simples
dos problemas, mesmo que aparentemente sem importância, mas que pode
comprometer a qualidade de vida do idoso e acelerar o surgimento de doenças.
Em seu acompanhamento e tratamento, o médico tem papel fundamental. Cabe ao
profissional dar atenção e apoio ao paciente, buscando manter uma boa
capacidade funcional, bem como condições emocionais e sociais estáveis. “As
pessoas da terceira idade têm muito a oferecer aos jovens, devem se sentir bem
e merecem uma vida saudável e com prazer”, finaliza o médico.
Saude News Journal,
julho2004