Algumas
das posturas da Hatha Yoga facilitam a
prática da meditação.
São as sentadas, com a coluna alinhada de forma
natural, pois contribuem para uma melhor
canalização da circulação energética e
proporcionam a estabilidade física necessária para
uma harmonização psíquico-espiritual.
Eis
algumas delas:
Sukhâsana ou postura fácil:
Sente-se com as pernas unidas e esticadas. Utilizando
as mãos, flexione a perna esquerda e leve o pé
desta para baixo da perna direita. Em seguida
flexione a outra perna e leve o pé direito para
baixo da perna esquerda. Conserve o tronco
verticalizado.
Padmâsana
ou postura de lótus:
Sente-se com as pernas unidas e estendidas. Leve
o peito do pé direito a pousar sobre a coxa
esquerda, de forma que a sola do pé fique voltada
para cima. Depois, faça o pé esquerdo pousar sobre
a coxa direita. Ambos os joelhos tocam o solo e
apontam para frente. Os calcanhares pressionam o abdômen logo acima da região pubiana.
Varjrâsana ou pose do
diamante:
Ajoelhe-se conservando os joelhos juntos e os
pés esticados, de forma que a pernas se
apóiem no solo. Os dedos dos pés ficam
apontados para dentro e quase se tocam.
Sente-se sobre as pernas, mantendo a cabeça
alinhada e a coluna ereta, sem rigidez. |
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SILÊNCIO NATURAL E FECUNDO
Não
é uma tarefa simples afirmar o que é meditação.
As pessoas "compram" a idéia de que a
meditação é uma técnica que as libertará de seus
pesares e dores, executando uma entre tantas outras
formas de meditação. Dirão que o praticante
deverá sentar-se em uma posição fácil e
confortável e com a coluna ereta, relaxar o corpo,
respirar em determinada freqüência, concentrar-se
em um ponto, pensamento, imagem ou mantra e procurar,
com esforço de sua vontade, criar um estado de
atenção tal que a mente não fuja do objeto sob
foco da atenção. Assim tantos fracassam,
desanimando-se após algumas tentativas. Abandonam,
decepcionados, a grande via para a compreensão da
realidade, acreditando-se incapazes para tal tarefa.
Certamente
que a meditação não é isto que apregoam. A
meditação é um estado natural da mente, ao qual se
chega sem esforço da vontade, mas trabalhando com
ternura e seriedade por estágios preliminares onde
se estabelecem as condições necessárias para a
maturidade de uma percepção e ação retas. Devemos
observar o verdadeiro problema que não é a
conquista da atenção a qualquer preço, mas
simplesmente fazer desaparecer a desatenção.
Podemos estabelecer uma nova relação entre a
periferia da mente, onde ocorrem as distrações e o
centro focal da mente.
A
mente das pessoas comuns divaga pela periferia,
saltando de um pensamento para outro, obedecendo às
leis de associação, sempre perdendo rapidamente o
objeto focal, distanciando-se do centro de seu
interesse produzido por um estímulo externo ou
interno.
A
mente de algumas pessoas bem treinadas na arte da
concentração, foca sobre um objeto qualquer e
exclui todo o qualquer objeto da periferia,
consumindo para tal prodígio grande quanto
quantidade de energia; cria uma zona de grande
conflito entre centro e periferia e, portanto,
tensão. Ora, sempre que damos as costas à margem,
ao periférico, para olharmos para o centro, acabamos
por olhar o periférico por outro ângulo; afinal o
centro é um ponto, uma singularidade. Criamos, em
verdade, uma dualidade centro-periferia, mente
superior-mente inferior, mantendo-nos no jogo eterno
da mente, que fraciona a realidade.
O ESTADO MEDITATIVO
A
nova relação é um prestar atenção total às
distrações da mente, perceber seu movimento do
centro para a periferia e deste para o centro, sem
conflitos, sem esforço, não há intenção nos
movimentos. Neste estado há um total relaxamento da
mente e a atenção acontece, dá-se por si mesma.
Quando
não há resistência à mente e a seus conteúdos,
estes se esgotam por si mesmos, não é possível
esvaziar a mente, a mente esvazia-se a si mesma.
Surge
um silêncio natural e fecundo. Neste estado a
percepção acontece sem deformações produzidas
pelos conteúdos da mente, não há reações
nascidas dos condicionamentos adquiridos; pode-se
agir retamente, pois a realidade é percebida em sua
inteireza. Cada olhar é um novo olhar, nada é
velho, tudo é sempre novo para uma mente inocente.
É possível que você já tenha estado nesta
condições, ainda que por uma fração de segundo..
talvez olhando uma flor orvalhada pela manhã, ou ao
ver uma criança sorrindo, um crepúsculo, ou quem
sabe o seu próprio rosto ao espelho; neste instante
atemporal não havia feio ou belo, certo ou errado,
espiritual ou material, passado ou futuro, havia
apenas Vida... Vida em abundância.