Se fôssemos
discorrer sobre o assunto de forma detalhada,
deveríamos iniciar tentando
conceituar os termos sexualidade e velhice.
Entretanto, como não cabe aqui e agora um
aprofundamento, vamos classificar como velhice a fase
da vida após os 65 anos de idade. Infelizmente não
poderá ocorrer o mesmo com o termo sexualidade,
visto que vem sendo empregado insistentemente de
forma errada, querendo significar sexualidade genital
ou prática sexual. Então, dessa maneira, lemos e
ouvimos conselheiros da terceira idade afirmando que
a prática sexual prolonga a juventude, faz bem ao
coração, etc, etc.
Se tomarmos o termo sexualidade
no seu correto e amplo sentido, os conselheiros têm
toda razão, mas se o termo estiver querendo dizer,
erroneamente, prática sexual, tudo se complica. O
que dizer do número enorme de mulheres que, por uma
razão ou outra, vivem sós, cujos companheiros
partiram para uma outra vida ou para uma outra
mulher? Cabe a elas, para conservar sua juventude e
sua saúde cardíaca, sair em busca desesperada de um
novo parceiro, correndo riscos vários e expondo-se
por vezes ao ridículo? Não, é claro que não! Vale
aqui dizer que nada há contra uma mulher sozinha
desejar refazer sua vida com outro homem. O que se
quer dizer é que o fato de ter ou não outra pessoa
em sua vida vá influenciar em seu envelhecimento. O
que influencia, sim, é a prática da sexualidade em
seu sentido amplo e correto.
E o que vem a ser
isso? Segundo Freud, sexualidade significa uma
pulsão de vida, tudo que nos traz prazer, seja ele
de que tipo for. A sexualidade pode ser expressa e
exercida quando realizamos qualquer coisa prazerosa.
E quantas coisas há, além do intercurso sexual, que
nos acarreta momentos de intenso prazer?
Constantemente vemos
pessoas já idosas, bem passadas dos 65 anos, cheias
de vida, vendendo saúde, sem que no entanto tenham
uma vida sexual regular e, muitas vezes, até
nenhuma. Sem a menor sombra de dúvida, essas pessoas
exercitam sua sexualidade de outras formas, criando
campos de interesse onde mergulham de corpo e alma.
Qualquer atividade, se exercida com paixão, com
gosto, com genuíno interesse, é prazerosa. Às
vezes, o simples fato de se preparar uma boa comida
na cozinha pode tornar-se um exercício de
sexualidade, desde que se faça com prazer.
Freud escandalizou
seus pares ao afirmar a sexualidade infantil. No
entanto, se conhecermos a exata dimensão do termo,
concluímos que não existem motivos para o
escândalo. Uma criança, quando suga uma chupeta, ou
o seio materno, exerce sua sexualidade, está tendo
momentos de intenso prazer. Da mesma forma que um
idoso, dedicado a uma causa, um estudo, ou a qualquer
atividade que lhe traga prazer, preserva sua
juventude e tende a viver com mais saúde.