Ano 12 - Semana 659
 



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Atualizado em 21/11/2009
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Menopausa


A menopausa é, por definição, a data da última menstruação. São necessários doze meses sem menstruação para se considerar menopausa. A idade média ronda os 51,3 anos na sociedade Ocidental.

A menopausa tem tido através dos tempos implicações e significados diversos, tendo sido assunto de várias publicações, com dúvidas, medos, propostas de terapêutica, comprovadas clinicamente a par de outras sem qualquer fundamento ou efeitos comprovados.

É fundamental desmistificar estes preconceitos com uma atitude positiva, referentes a uma fase da vida da mulher que tende a ser cada vez mais prolongada, pelo aumento da longevidade.

A menopausa reflete a ausência de produção de estrogênios pelos ovários após cessação da sua função, mas existem outros locais de produção de estrogênios, como o tecido adiposo e as supra-renais, daí a relação do peso com a sintomatologia.

Esta privação de estrogênios provoca alterações precoces e tardias. São os sintomas de privação precoces «os afrontamentos, suores, ansiedade, alterações do humor, irritabilidade», que levam a mulher ao médico na busca de uma terapêutica.

Os sintomas tardios são descurados, mas são os que trazem maiores implicações clínicas, pois contribuem para o aparecimento de doenças cardiovasculares e osteoporose. Esta última causadora de 40% de mortes na população ocidental, pelas fraturas, sobretudo do colo do fêmur e da coluna lombar. Estas fraturas têm também grande peso nas despesas públicas pelas complicações que originam.

Existem outras alterações provocadas pelo hipoestrogenismo, como a atrofia vaginal, causa de dispaureunia (dor nas relações sexuais), o prurido vulvar e vaginal, assim como alterações urinárias, tais como a urgência (vontade freqüente de urinar), uretrites e cistites.

Além destas existem alterações cutâneas, como atrofia e secura da pele e alterações dos pêlos.

Torna-se, portanto, fundamental que a mulher seja vigiada não só nesta fase da vida, mas desde que inicie vida sexual. As consultas de rotina ginecológicas devem acompanhar a mulher nas diferentes fases da sua vida, desde a contracepção à maternidade, da pré-menopausa à menopausa.

Antes de se instituir uma terapêutica hormonal de reposição, deve ser feita uma avaliação clínica, laboratorial, complementada por ecografia ginecológica com sonda vaginal para avaliação endometrial, estudo mamográfico e eventual osteodensitometria.

O tipo de terapêutica dependerá da avaliação clínica e das preferências da mulher (terapêutica oral, transdérmica – pensos ou gel, vaginal ou outras por ex. «implantes»)

Antes de se propor uma terapêutica, é fundamental que haja um esclarecimento das reações adversas, das complicações, dos benefícios e sobretudo do modo e duração da utilização e da necessidade de continuidade.

A terapêutica hormonal de reposição é uma mais-valia para uma menopausa saudável, transformando esta fase da vida num período de bem-estar e saúde. Esta terapêutica obriga a vigiar a mulher, não só quando surgem sintomas anormais, como em exames de rotina que incluem, obrigatoriamente, mamografias regulares para se diagnosticarem alterações precoces que obriguem a uma intervenção específica.

A duração da terapêutica será um equilíbrio entre as vantagens e os inconvenientes.

Segundo estudos recentes, não há interesse em prolongar por mais de 6 anos a terapêutica para proteção cardiovascular. Quanto à osteoporose, a duração ideal seria ilimitada, mas mais uma vez devemos ponderar todas as variáveis para que os benefícios sejam superiores aos riscos.

Existem alternativas para a proteção do osso após o fim da terapêutica estroprogestativa, como o raloxifeno, o cálcio e vitamina D, os alendronatos e outras terapêuticas que, associadas a uma alimentação adequada e a um exercício físico, são o pilar de uma vida saudável.

O cancro da mama continua a ser o principal fantasma para a mulher, contudo estudos recentes mostram que não se detectou um aumento de risco nas mulheres que utilizaram estrogênios no passado, mas verificou-se um ligeiro aumento de risco nas utilizadores atuais.

No entanto, dados como a história familiar, nomeadamente referente a familiares com câncer de mama, a existência de obesidade e a ingestão de álcool são também agentes etiológicos a considerar.

Uma vigilância clínica e mamográfica são os pontos principais do despiste desta patologia, assim como a duração da terapêutica. Uma história familiar de câncer de mama não deve ser contra-indicação para a terapêutica, mas uma referência para um maior cuidado na vigilância.

A continuidade na utilização da terapêutica irá favorecer a saúde, prevenir doenças como as cardiovasculares, a osteoporose, a doença de Alzeihmer, assim como irá melhorar as queixas urinárias e vaginais, melhorando, assim, a sexualidade e a «qualidade de vida» em geral.


Dr.ª Maria da Conceição da Silva Lampreia
Coordenadora de Ginecologia/Obstetrícia no Hospital das Descobertas, Lisboa


 


 


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