CAMINHADAS com TÉCNICA e SEGURANÇA


Caminhar - em trilha como na cidade - é arte que exige ritmo, uma passada regular, e equilíbrio para conservar energia e poder ir longe. A correta colocação do pé exige firmeza e atenção às irregularidades do terreno, para que o deslocamento se transforme num movimento fluido e automático, permitindo então poder realmente prestar atenção à paisagem.

Pessoas que foram submetidas a cirurgias de coração, como pontes de safena e angioplastia ficam com o coração debilitado e outros músculos atrofiados. Por isso, a prática de exercícios, como a caminhada, é fundamental para garantir a reintegração à sociedade e a prevenção de novos problemas. A primeira providência é fazer uma avaliação clínica e uma prova ergométrica com um médico especialista em reabilitação cardíaca. Se esses testes mostrarem que a doença se estabilizou após a cirurgia, o médico deve fazer uma programação de atividade física adequada a cada caso.

É conveniente adotar um ritmo confortável (especialmente nas subidas) porque ele só poderá ser mantido, horas a fio, se for tolerável. Há gente que gosta de andar pela trilha como se estivesse batendo recordes. Mas o consenso parece ser a favor de um ritmo lento, descansado e prazeroso, atento às belezas ao redor e aos imprevistos que o dia possa oferecer. De fato, existem duas boas velocidades para se andar na trilha: devagar e mais devagar.

É nas descidas que costumam desabrochar bolhas nos pés. Por isso, antes de descer qualquer desnível, muitos costumam trocar meias suadas por outras secas, ou pelo menos acrescentar uma meia e reamarrar as botas. A primeira sensação de atrito e queimação na sola dos pés ou nos dedos impõe imediata parada para inspeção e reparos. O cuidado com os pés começa com a escolha do sapato, nem muito apertado e pequeno, nem grande demais para que não fique solto no pé, favorecendo atritos.

Uma mochila é essencial ao caminhar numa trilha. Além dela equilibrar o peso do equipamento que você precisa carregar, suas mãos ficam livres se porventura precisar usá-las. O equipamento básico que você deve levar em todas as caminhadas são: água (cantil ou mesmo uma garrafinha de água mineral dessas de 500 ml), lanterna com pilhas, repelente, protetor solar e boné, capa de chuva, papel higiênico e, nos casos femininos, absorvente íntimo.

Se você pretende caminhar por conta própria, sem a presença de um guia, carregue também pelo menos 10m de corda, facão de mato, bússola, um mapa da região com papel e caneta para anotações (tudo envolvido num saco plástico para evitar chuvas), caixa de primeiros socorros, isqueiro e um plástico para eventualmente dormir ou se cobrir. O mais importante é andar com no mínimo mais duas pessoas e uma, obrigatoriamente, deve conhecer bem a região.

Músculos aquecidos respondem bem melhor ao esforço de um dia na trilha. Exercícios de alongamento permitem justamente isto, um aquecimento suave dos músculos, além de propiciar maior elasticidade de articulações e tendões, e de reduzir qualquer tensão muscular.

Não busque os atalhos para subir ou descer as montanhas. Estes, além de causarem erosão quando das chuvas, propiciam acidentes por quedas, em face de terem inclinações mais acentuadas. Não desça correndo os declives nas trilhas, pois uma queda pode vir a ser fatal, principalmente se o corpo do acidentado for projetado contra as pontas de pequenos arbustos que afloram ao solo ou margeiam as trilhas.

O privilégio de desfrutarmos das nossas reservas naturais exige, em contrapartida, sabedoria para zelar por elas. Daí o lema, transformado em bandeira pelos conservacionistas: "Não tire nada, a não ser fotografias; não deixe nada, a não ser pegadas; não mate nada, a não ser o tempo". Traduzindo em miúdos, isso significa: Leve seu lixo de volta com você !

Tenha cuidado quando caminhar pelas trilhas, mantendo a visão para pelo menos 2 metros à sua frente, no leito da trilha, a fim de poder visualizar a presença de alguma cobra ou insetos (colméias) que poderão causar danos físicos aos caminhantes. Se você encontrar um enxame de abelhas (ou vespas), por exemplo, proteja acima de tudo os olhos com as mãos, afastando-se alguns metros e deitando-se ao solo, permanecendo imóvel (os insetos só atacam alvos em movimento). Lembre-se de que mais de 30 picadas de vespas ou de abelhas podem causar o mesmo efeito de uma picada de cobra, tornando-se mortal.

Cobras justificam um saudável respeito, mas não pânico. Diferentes espécies de cobras variam quanto à agressividade (e ao efeito do veneno) mas nenhuma delas esta aí a fim de morder ninguém. Cobras não ficam à espreita na trilha, prontas a atacar. As cobras têm medo do homem e, tendo chance, fugirão de sua presença. Somente se você pisar em alguma ou elas se sentirem acuadas, contra-atacam, e cabe a você não ser interpretado como uma ameaça por elas. Evite parar em clareiras ou pontos onde a vegetação está coberta de folhas secas (bambuzais ou bananais) pois esses locais são o habitat normal de animais peçonhentos. Lembre-se que o bote de uma cobra alcança somente a distância relativa a 1/3 do comprimento do seu corpo.

E o mais importante.....

Se você se perder em alguma floresta urbana, procure a parte mais baixa dos vales. Lá, em geral, corre um rio cujas águas deverão desembocar em um bairro situado ao redor do parque.

Se você se perder com um grupo, não se separem a título de irem procurar socorro. É preferível caminharem juntos, auxiliando-se mutuamente.

Se você se perder no interior da floresta, pare e pense com calma. Não entre em desespero. Ao iniciar uma caminhada avise antes a algum amigo ou parente de onde pretende ir, que horas ou dia pretende voltar e com quem você vai. Também é prudente avisar aos guardas florestais quando você entrar no parque. Lembre-se de que em breve haverá um alarme e que especialistas em busca e salvamento irão procurá-lo. Se ouvir o ruído de um helicóptero sobrevoando o local à sua procura, tente sinalizar a sua presença com o auxílio de um pequeno espelho, ou faça uma pequena fogueira colocando folhas verdes para fazer uma coluna de fumaça. Gritar não servirá para nada, pois o ruído do motor não deixará a tripulação ouvi-lo.
   

Informações enviadas pela Trilharte
   


 

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