Ano 13 - Semana 685
 



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           22 de maio, 2010
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Hérnia de Hiato

Você sabia que azia, tosse ou dor no peito podem ser sinais de hérnia de hiato?
 

  Musculação e atividade física excessiva podem agravar hérnia de hiato
  Problema atinge cerca de 10% dos brasileiros com mais de 50 anos
  Incidência do distúrbio aumentou 5% na última década


Segundo dados do IBGE, a expectativa de vida dos brasileiros vem aumentando nas últimas décadas. Com isso, alguns distúrbios comuns durante o envelhecimento também tiveram sua incidência aumentada. É o caso da hérnia de hiato que registrou um aumento de 5% na última década. O problema que afeta a região do estômago atinge pessoas com mais de 50 anos, mas também aqueles que excedem na atividade física e musculação.

Para entender melhor esse distúrbio, seus sintomas e tratamento, conversamos com o Dr. Vladimir Schraibman (CRM-SP 97304), orientador de Cirurgias Robóticas do Hospital Israelita Albert Einstein e que acaba de voltar do Congresso World Robotic Symposium, em Orlando, Estados Unidos, onde deu uma aula sobre os benefícios do uso do robô em casos de hérnia de hiato volumosas.

Outra novidade desse congresso trazida pelo especialista é que em cerca de um ano as cirurgias robóticas deverão ser feitas também pela técnica de orifício único pela cicatriz umbilical, com menos dor, menor tempo de recuperação pós-operatória, melhor aspecto estético e mais precisão.

Hérnia de Hiato



1) O que é hérnia de hiato?

A hérnia de hiato é uma projeção de uma porção do estômago por meio do orifício que o esôfago passa para penetrar na cavidade abdominal. Caracteriza-se por uma fraqueza do músculo diafragma. Esse músculo divide o abdômen do tórax, e é por um espaço nesse músculo, conhecido por hiato esofágico, que o esôfago penetra na cavidade abdominal. Devido ao alargamento deste espaço, uma parte do estômago desliza em direção ao tórax, o que se denomina hérnia de hiato.


2) O que causa e quais são os sintomas?


Ainda não se sabe corretamente o que causa a hérnia de hiato. Porém, sabemos que esforço físico e musculação em excesso, obesidade, constipação e tosse crônica podem predispor a formação da hérnia de hiato. Na maior parte dos casos, a hérnia de hiato é assintomática. Quando os sintomas ocorrem, os principais são azia, eructação e regurgitação. Caso a hérnia seja muito grande, podem ocorrer sintomas de compressão de estruturas torácicas, como tosse e falta de ar. Algumas vezes, seus sintomas podem ser parecidos com os das doenças cardíacas


3) A prática de esportes pode levar ao surgimento da hérnia de hiato?


Esportes que forçam a musculatura abdominal como futebol, musculação em excesso e levantamento de peso aumentam a pressão intra-abdominal, um dos fatores para o desenvolvimento da hérnia. Portanto, podemos concluir que tais práticas podem contribuir para o aparecimento da hérnia.


4) Como prevenir o aparecimento dessa hérnia?

Recomenda-se o emagrecimento para quem está muito acima do peso, além de evitar a prática de exercícios que levam ao aumento da pressão intra-abdominal, como levantamento de peso e musculação em excesso.


5) Como é diagnosticada a hérnia de hiato?

O diagnóstico é feito pela endoscopia digestiva, um exame rápido e seguro.


6) Quais os tratamentos mais indicados?

A princípio, o tratamento é clínico e consiste, basicamente, em emagrecer e ter uma dieta regrada, além de evitar refrigerantes, chocolates, café, frutas cítricas e alimentos gordurosos que irritam a mucosa gástrica agravando os sintomas.


Se o paciente apresentar sintomas de refluxo gastroesofágico, o tratamento deve incluir antiácidos por um período de quatro a 12 semanas. Podendo-se associar medicamentos ditos pró-cinéticos que auxiliam no esvaziamento gástrico, diminuindo a sensação de plenitude.

O tratamento cirúrgico só é indicado quando há falha do tratamento clínico ou quando há presença de alguma complicação. A cirurgia é feita por videolaparoscopia e consiste na correção da hérnia de hiato com sutura na porção do diafragma, ou da incontinência do esfíncter inferior do esôfago por meio da confecção de uma válvula anti-refluxo com o fundo gástrico que envolve total ou parcialmente o esôfago. O uso do robô está indicado em situações de re-operação, pacientes idosos e hérnias volumosas.

 

Dr. Vladimir Schraibman  é  especialista em cirurgia geral e gastrocirurgia
do Hospital Israelita Albert Einstein.
Médico colaborador do Setor de Fígado, Pâncreas e Vias Biliares
do Departamento de Cirurgia da Universidade Federal de São Paulo
 


 


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Direção
IRENE SERRA
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