Dra. Maria da
Conceição Lampreia
MENOPAUSA
A menopausa é, por definição, a data da última menstruação. São
necessários doze meses sem menstruação para se considerar menopausa. A
idade média ronda os 51,3 anos na sociedade Ocidental.
A menopausa tem tido através dos tempos implicações e significados
diversos, tendo sido assunto de várias publicações, com dúvidas, medos,
propostas de terapêutica, comprovadas clinicamente a par de outras sem
qualquer fundamento ou efeitos comprovados.
É fundamental desmistificar estes preconceitos com uma atitude positiva,
referentes a uma fase da vida da mulher que tende a ser cada vez mais
prolongada, pelo aumento da longevidade.
A menopausa reflete a ausência de produção de estrogênios pelos ovários
após cessação da sua função, mas existem outros locais de produção de
estrogênios, como o tecido adiposo e as supra-renais, daí a relação do
peso com a sintomatologia.
Esta privação de estrogênios provoca alterações precoces e tardias. São os
sintomas de privação precoces «os afrontamentos, suores, ansiedade,
alterações do humor, irritabilidade», que levam a mulher ao médico na
busca de uma terapêutica.
Os sintomas tardios são descurados, mas são os que trazem maiores
implicações clínicas, pois contribuem para o aparecimento de doenças
cardiovasculares e osteoporose. Esta última causadora de 40% de mortes na
população ocidental, pelas fraturas, sobretudo do colo do fêmur e da
coluna lombar. Estas fraturas têm também grande peso nas despesas públicas
pelas complicações que originam.
Existem outras alterações provocadas pelo hipoestrogenismo, como a atrofia
vaginal causa de dispareunia (dor nas relações sexuais), o prurido vulvar
e vaginal, assim como alterações urinárias, tais como a urgência (vontade
freqüente de urinar), uretrites e cistites.
Além destas existem alterações cutâneas, como atrofia e secura da pele e
alterações dos pêlos.
Torna-se, portanto, fundamental que a mulher seja vigiada não só nesta
fase da vida, mas desde que inicie vida sexual. As consultas de rotina
ginecológicas devem acompanhar a mulher nas diferentes fases da sua vida,
desde a contracepção à maternidade, da pré-menopausa à menopausa.
Antes de se instituir uma terapêutica hormonal de reposição, deve ser
feita uma avaliação clínica, laboratorial, complementada por ecografia
ginecológica com sonda vaginal para avaliação endometrial, estudo
mamográfico e eventual osteodensitometria.
O tipo de terapêutica dependerá da avaliação clínica e das preferências da
mulher (terapêutica oral, transdérmica – pensos ou gel, vaginal ou outras
por ex. «implantes»)
Antes de se propor uma terapêutica, é fundamental que haja um
esclarecimento das reações adversas, das complicações, dos benefícios e
sobretudo do modo e duração da utilização e da necessidade de
continuidade.
A terapêutica hormonal de reposição é uma mais-valia para uma menopausa
saudável, transformando esta fase da vida num período de bem-estar e
saúde. Esta terapêutica obriga a vigiar a mulher, não só quando surgem
sintomas anormais, como em exames de rotina que incluem, obrigatoriamente,
mamografias regulares para se diagnosticarem alterações precoces que
obriguem a uma intervenção específica.
A duração da terapêutica será um equilíbrio entre as vantagens e os
inconvenientes.
Segundo estudos recentes, não há interesse em prolongar por mais de 6 anos
a terapêutica para proteção cardiovascular. Quanto à osteoporose, a
duração ideal seria ilimitada, mas mais uma vez devemos ponderar todas as
variáveis para que os benefícios sejam superiores aos riscos.
Existem alternativas para a proteção do osso após o fim da terapêutica
estroprogestativa, como o raloxifeno, o cálcio e vitamina D, os
alendronatos e outras terapêuticas que, associadas a uma alimentação
adequada e a um exercício físico, são o pilar de uma vida saudável.
O cancro da mama continua a ser o principal fantasma para a mulher,
contudo estudos recentes mostram que não se detectou um aumento de risco
nas mulheres que utilizaram estrogênios no passado, mas verificou-se um
ligeiro aumento de risco nas utilizadores atuais.
No entanto, dados como a história familiar, nomeadamente referente a
familiares com câncer de mama, a existência de obesidade e a ingestão de
álcool são também agentes etiológicos a considerar.
Uma vigilância clínica e mamográfica são os pontos principais do despiste
desta patologia, assim como a duração da terapêutica. Uma história
familiar de câncer de mama não deve ser contra-indicação para a
terapêutica, mas uma referência para um maior cuidado na vigilância.
A continuidade na utilização da terapêutica irá favorecer a saúde,
prevenir doenças como as cardiovasculares, a osteoporose, a doença de
Alzeihmer, assim como irá melhorar as queixas urinárias e vaginais,
melhorando, assim, a sexualidade e a «qualidade de vida» em geral.
Por: Dr.ª Maria da Conceição da Silva Lampreia
Coordenadora de Ginecologia/Obstetrícia no Hospital das Descobertas
Leia mais sobre a menopausa, no artigo do Dr. Marcos Dias:
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