Dr. Luiz Gonzaga Leite
Perda de memória: um sinal a ser investigado
Memória é a coordenação de processos psíquicos que envolvem a
capacidade de registro, fixação, integração no acervo do
conhecimento, evocação e lembrança. Esses processos serão utilizados
nos seis tipos de memória: imediata, recente, remota, fotográfica,
lógica e audiovisual.
Embora os problemas relacionados à perda de memória sejam cada vez
mais comuns entre pessoas com mais de 60 anos, não é uma
exclusividade. Algumas podem experimentar certa dificuldade em
encontrar a palavra certa na hora certa, ou ainda esquecer os nomes
das pessoas quando as encontram. Outras vão desenvolver problemas
mais sérios, perdendo a habilidade de se recordar de conversas ou
mesmo toda a familiaridade com os acontecimentos passados.
Na velhice, algumas pessoas apresentam perda temporária de memória e
certo grau de confusão mental, também chamada de delírio. Quando
essa perda é mais persistente, leva o nome de demência. É difícil,
de pronto, predizer se um paciente tem apenas problemas brandos e
circunstanciais a serem tratados ou se de fato está caminhando para
um agravamento de quadro.
As causas mais comuns da perda de memória são: efeitos colaterais de
medicamentos, pancadas, infecções, depressões, doenças de tireóide e
deficiência de vitamina B12, por exemplo. Portanto, há que se estar
consciente e identificar as causas que podem ser tratadas ou
evitadas.
Quando um jovem tem problemas com sua memória, deve procurar seu
médico e relatar quando esses episódios ocorrem, se estão
relacionados a mudanças de ambiente, se e quais os remédios se está
tomando (inclusive os medicamentos naturais que não necessitam de
prescrição médica). Até o hábito de ingerir bebidas alcoólicas é
relevante no diagnóstico de perda de memória. Febre, dores,
tremores, perda ou ganho de peso também devem ser discutidos com o
médico. As fases de depressão que envolvem diminuição ou aumento de
apetite, bem como distúrbios do sono, são importantes na composição
do quadro.
Alguns testes para mapear a memória podem ser realizados por um
especialista. Eles geralmente incluem perguntas básicas que vão
exigir diferentes esforços de memória. Quando o teste comprovar um
distúrbio, o médico conversará com o paciente, seus familiares e com
a pessoa responsável pelos seus cuidados (se houver) para, juntos,
avaliarem possíveis causas.
Mal de Alzheimer, certas doenças vasculares no cérebro ou até mesmo
um quadro de sífilis mal cuidado são algumas possíveis causas. Além
de um histórico completo do paciente, alguns exames físicos são
necessários, como hemograma, tomografia computadorizada e
ressonância magnética.
Vale ressaltar que a memória é dividida em partes: memória de curto
prazo e memória de longo prazo. Notamos que os idosos têm mais
dificuldade em se lembrar de fatos recentes do que de acontecimentos
que marcaram seu passado. Embora os cientistas que estudam a memória
ainda não tenham encontrado justificativa para essa alteração de
memória com o passar dos anos, vale uma dica: não se desespere se
você for surpreendido por alguns lapsos de memória. Mantenha-se
confiante, procure ajuda profissional e não deixe que meras
suspeitas abalem o seu astral. Uma boa disposição mental é
fundamental em qualquer tratamento.
Luiz Gonzaga Leite
Coordenador do Departamento de Psicologia do Hospital Santa Paula
(SP)