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VIDA II
Vida que és boa para tanta gente,
E que a tantos embriaga de prazer
Para mim foste má, foste inclemente,
Deixando-me só, muito triste a sofrer.
Hoje eu sigo apenas caminhando
Não tenho pressa de encontrar
Não sei o quê.
Talvez a morte chegue
E me encontre sozinha no fim.
Não faz mal,
Eu já me acostumei
A sobreviver assim!!!...

O TREM DE FERRO
Piuí... Piuí...
O trem de ferro fazia assim
Quando chegava em Miraí
Aquilo era felicidade pra mim.
Era criança mas me lembro
Esse apito ainda me toca fundo
Pois de janeiro a dezembro
Era a ligação de Mirai com o mundo.
Com um mundo que eu não sabia existir
Pois para mim naquela idade,
Os limites do mundo eram os de Mirai,
Minha cidade.
Depois cresci, me formei,
De Mirai me mudei,
Novos horizontes busquei,
Outras terras visitei
Mas a felicidade de ali
Eu nunca mais encontrei.
Há tempos eu lá voltei,
Mas quão diferente estava
Da cidade que deixei
No tempo em que eu lá morava...
E até aquele trem
Que fazia piuí
O progresso da cidade
Levou para longe dali.
E agora parando pra pensar,
Não sei onde buscar
Aquela felicidade que morava ali
Em Mirai.
SAUDADE
Hoje lembrando nosso apartamento,
Por um momento,
Tive saudade da vida que vivi
Das emoções que senti.
Senti pena de nós, de nossas vidas
Separadas, vazias, sem sentido,
Sozinhos, sofrendo de saudade
Mas com a sensação de ter vivido.
Nunca mais nosso teto, nossa cama,
Nunca mais nossas noites de ternura
Deixamos a ilusão para quem ama
E, só para quem ama, essa ventura.
Que pena, meu amor, que tudo já passou
E continuamos mentindo que acabou...
INGRATIDÃO
Como dói a ingratidão!
É como ferida aberta no peito
A gente tenta curá-la
Mas não tem jeito.
O tempo passa e a gente não esquece.
A vida passa, e o esquecimento
Parece uma palavra sem sentido
Porque a lembrança da ingratidão
Não sai nunca do nosso coração
Que fica para sempre dolorido.
Por que não se esquece
Esse sentimento?
Por que a ingratidão
Não sai do nosso pensamento?
Por que não vem o esquecimento
E cura esse tormento?
Deus do céu que ouve minha oração
Ensina o ser humano
A tirar do coração
As marcas da ingratidão
Para não mais sofrer tanto,
Para enxugar o seu pranto,
E cortar pela raiz
O mal que o torna infeliz.

TELEFONE
Você ontem me telefonou
E por acaso conversamos longamente.
É. Longamente.
Pois, agora, o normal é assim:
Você liga, eu atendo,
E a linha fica ocupada
Com o nosso silêncio...
Mas ontem você falou.
Contou-me até que chorou.
Chorou por quem não lhe quer
Chorou por outra mulher!
E eu aqui tão sozinha,
Tão carente, mas na minha,
Não lhe falei que eu também,
Enquanto você não vem,
Choro sempre e ninguém vê
Mas choro só por você.

LEMBRANÇAS
Onde será que mora
Aquele que um dia amei?
Eu queria vê-lo agora
Como e porque em não sei.
Por que se não o amo mais?
Não curto nenhuma dor
Acabaram-se os meus ais,
Até já tive outro amor!
Ele não marcou tanto assim
Pois não passou de ilusão
Significou pouco pra mim
Eu nem senti solidão!...
.................................................
Só sei que hoje eu queria
Vê-lo por um momento,
Pra saber se essa agonia
Se liga a algum sentimento
Latente,
Que reflete em minha mente
Sempre que me volta à memória
Essa história...
Esta página é parte
integrante da Revista Rio Total
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