Ano 16 - Semana 802


 

Eritrina
Familia: Leguminosae
Cultivo: Fácil
Altura: 1,8 m
Largura: 1 m
Umidade: Baixa
Luminosidade: Pleno sol
Disponibilidade: Fácil






CUIDANDO DAS PLANTAS
ARQUIVO


 

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       31 de agosto, 2012
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Eritrina
(árvore-de-coral, corticeira)

erythrina crista-galli


As eritrinas são árvores ou arbustos floríferos, comumente espinhosas, exuberantes, com folhas caducas (plantas caducas ou decíduas são plantas que perdem suas folhas em determinada época do ano). A maioria das mais de cem espécies que constituem esse grupo requer temperaturas um tanto altas para crescer e florescer com êxito. No entanto, existem espécies que florescem em locais bem frios. São grandes fixadoras de nitrogênio.

A Erythrina crista-galli L., também chamada eritrina-crista-de-galo, sapatinho-de-judeu, ou flor-de-coral, é uma árvore da família das leguminosas (Fabaceae).
Em MG, RJ e SP é chamada mulungu, no RS é corticeira, suinã em SP e MG, canivete em MG e sinanduva em SC. O nome científico vem do latim, erythros (vermelho) em referência à cor das flores.

Todo ano, brotos novos e um tanto espinhosos são produzidos carregando uma profusão de folhas verdes com brotos cinza-azulados ou verde-azulados, divididos em grupos de três folíolos.

As eritrinas são nativas das regiões tropicais e subtropicais da América. Sua área de ocorrência abrange Mata Atlântica (desde o sul de BA), na Floresta de Araucária (até o RS), atingindo o Cerradão (sul de MS e MG). Ocorre também na Argentina, Bolívia, Paraguai e Peru. É uma espécie secundária tardia, de ocorrência irregular, abundante em capoeiras, no sopé das encostas de serras, grotas e nas margens de cursos de água.
As plantas podem chegar de 3,5 m a 20 m de altura em seu habitat natural, mas em cultivo pouquíssimas vezes ultrapassam os 2 m.

erythrina crista-galli, natural


As folhas, que caem no outono, são normalmente precedidas por flores grandes - emblema nacional da Argentina - de coloração vermelho-escura; as inflorescências, cerosas, têm entre 4 e 5 cm, semelhantes às flores da ervilha, desabrochando desde o fim de maio até agosto.

Algumas árvores-de-coral são amplamente utilizadas ao longo das ruas e em parques, especialmente nas áreas mais secas. Em alguns lugares, como Venezuela, são usadas como árvores de sombra para as culturas de café ou cacau. Na região de Bengala, eles são usadas para a mesma finalidade em certas plantações.

Tem grande importância para o paisagismo, pois, quando florida, é extremamente ornamental. O que mais chama a atenção é justamente que, durante a sua floração, as folhas caem. Essa característica também ocorre em algumas outras espécies como o ipê e a cerejeira.

Não é uma planta difícil de se cultivar, mas para melhores resultados ela prefere um local ensolarado, abrigado, idealmente virado para o norte.

erythrina sandwicensis

erythrina sandwicensis

A espécie Erythrina sandwicensis tem uma variação extraordinária na cor da sua flor: laranja, amarelo, salmão, verde e branco. Este polimorfismo de coloração marcante é provavelmente único no gênero. Endêmica, das ilhas do Hawaí, é a única espécie de erythrina que nasce naturalmente por lá. É normalmente encontrada em florestas secas na ilha de sotavento das encostas até uma altitude de 600 m.

sementes de eritrinaAs sementes de pelo menos um terço das espécies contêm potentes alcalóides do grupo curare e alguns destes são usados para fins medicinais pelos indígenas, assim como para entorpecer os peixes.
Na medicina popular, a casca e as sementes são usadas como calmante de tosse e nas afecções bucais. É também empregada nas doenças de fígado.
Todas as sementes são tóxicas em algum grau, mas algumas delas podem causar envenenamento fatal. Elas são resistentes e flutuantes e muitas vezes são levadas pelo mar a grandes distâncias.
 
Suas folhas são compostas, trifolioladas com folíolos glabros. Suas flores são vermelhas de cálice campanulado. O fruto é uma vagem, conhecido também como legume, com sementes semelhantes ao feijão.

mulunguEscolhido como árvore-símbolo da Embrapa Agrobiologia, o mulungu tem inúmeras aplicações ligadas à agroecologia. Por ser propagado vegetativamente, através de estacas, e se beneficiar do processo de fixação biológica de nitrogênio, dispensando adubos nitrogenados.
É recomendado como moirão vivo e para o enriquecimento e arborização de pastagens onde a característica espinhosa facilita sua introdução. É recomendado, também, para a recuperação de matas ciliares e de ecossistemas degradados e na manutenção da fauna silvestre, pois suas flores atraem aves, principalmente beija-flores, atraídos pelas suas flores ricas em néctar.
É usado para o sombreamento de culturas perenes, como o cacau, aceitando transplantio de mudas com até 2 m de altura.

A madeira leve, branca ou amarelada, não tem durabilidade, sendo pouco usada no Brasil; geralmente na confecção de palitos, brinquedos, estojos, tamancos, fósforos e urnas funerárias. Como lenha, tem baixo poder calorífico mas é adequada para a produção de celulose e papel. A exuberante beleza das árvores fazem do mulungu uma espécie altamente decorativa mas ainda, entre nós, pouco usada na arborização urbana.

A Erythrina caffra é a árvore oficial das cidades de Los Angeles e Califórnia, onde é referida simplesmente como "coral tree” (árvore de coral).

erythrina caffra


A árvore emblemática de Mérida é E. Poeppigiana e de Trujillo, na Venezuela é a E. fusca.

erythrina poeppigiana

erythrina fusca


Primavera e verão

As eritrinas vicejam melhor num composto bem rico, com um pouco de folhas decompostas. Replante os exemplares anualmente em setembro, até atingir vasos de 25 cm de boca. Depois, alternadamente, replante ou troque a camada superficial por composto novo, sem alterar mais o tamanho do recipiente.

Coloque o exemplar ao lado de uma parede quente, de preferência virada para o norte, em local bem ensolarado e protegido do vento para que se desenvolva melhor. Regue livremente na primavera e no verão.


Outono e inverno

De maio até o fim de agosto, as plantas desabrocham suas belíssimas floradas, coloridas principalmente de vermelho. Nesse período, adube com fertilizante liquido, misturado à água das regas, a cada quinze dias.

No fim do inverno, pode os brotos e ramos até uma altura um pouco acima do solo, para que o exemplar rebrote com um formato mais encorpado. Cubra a planta com uma camada de ramos secos ou palha, sob estopa ou saco, para mantê-la no lugar.

Apesar de as plantas normalmente sobreviverem a baixas temperaturas, é mais seguro proteger as raizes, se você morar em locais de inverno rigoroso.


Propagação

Faça estacas de brotos jovens de 8 a 10 cm de comprimento, com esporão, em setembro ou começo de outubro. Mergulhe as extremidades dos cortes em pó de hormônio enraizador e depois as coloque em vasos individuais de 10 cm, com partes iguais de areia e turfa. Mantenha o vaso úmido, semi-sombreado, e em temperatura entre 21ºC e 24°C. Cubra o conjunto com plástico transparente, e, se puder, aqueça o fundo do recipiente na mesma temperatura.
Depois do enraizamento, replante as mudas em vasos de 15 cm e trate-as como plantas adultas.


Problemas e Soluções

Esses arbustos em geral não apresentam problemas, desde que as raizes sejam protegidas do frio intenso. Se a planta estiver em uma posição muito sombreada, as folhas perderão sua cor e vigor, e a floração escasseará. Ela precisa de um local claro e ensolarado para vicejar. As raizes podem apodrecer se a planta ficar muito molhada no inverno, devendo-se mantê-la quase seca de maio a setembro.

Observe se pulgões aparecem quando surgem novas folhas e botões. Combata-os com uma mistura de água e álcool, assim que notar sua presença.

A lenda da eritrina

Conta a lenda que nas margens do Rio Paraná vivia uma indiazinha feia, de traços rudes, chamada Anahi. Embora feia, nas noites de verão deleitava a toda gente de sua tribo guarani com canções inspiradas em seus deuses e no amor à terra da qual eram donos. Mas chegaram os invasores, esses atrevidos e aguerridos seres de pele branca que arrasaram as tribos e tomaram suas terras, seus deuses e sua liberdade.
Anahi foi aprisionada junto com outros indígenas. Passou muitos dias chorando e muitas noites em vigília, até que um dia o sono venceu o sentinela que a guardava e ela tentou fugir. Logo o sentinela despertou e a perseguiu. Anahi, para conseguir seu objetivo, golpeou-o com um punhal e escapou rapidamente para a selva. O grito do carcereiro ferido despertou os outros espanhóis que saíram em sua perseguição e em pouco tempo ela foi alcançada.
Como castigo, lhe impuseram a morte na fogueira. Amarraram-na em uma árvore e acenderam o fogo. Mas as chamas pareciam não querer atingi-la. Sem murmurar uma palavra, ela sofria, com a cabeça baixa. Quando o fogo começou a subir, aconteceu um assombroso milagre: Anahi se transformou em árvore.
No dia seguinte, ao amanhecer, os soldados encontraram uma formosa árvore de folhas reluzentes e flores de vermelho aveludado, que se mostrava em todo seu esplendor como símbolo de valentia e fortaleza ante ao sofrimento.



 


Direção e Editoria
Irene Serra