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DÍDIMA
Dídima
foi uma babá nascida no Egito alexandrino em 13 a.C. Naquela época,
quando os pais não queriam um filho recém-nascido, levavam-no para o
templo local, onde quem pegasse a criança tornava-se seu dono e poderia
criá-la, escravizá-la ou vendê-la. Uma mulher, Isadora, pegou uma das
crianças expostas para ser sua escrava e contratou Dídima para tomar
conta e alimentá-la, pagando-lhe dez dracmas de prata e meio litro de óleo
por mês. O óleo era parte do pagamento por causa de suas múltiplas
finalidades: sabão, combustível para lampiões, creme umedecedor e
ingrediente de culinária. Dídima ficava com a criança na sua pequena
casa de campo e quatro dias por mês levava o bebê para a inspeção de
Isadora. Outras obrigações dela: estar sempre limpa, alerta, sóbria,
cuidar bem de si mesma e da criança, tomar conta de todos os pertences do
bebê, não ficar grávida ou amamentar outra criança. A prestação de
serviço de Dídima incluía amamentar a criança durante 16 meses e,
fracassando, teria que pagar uma multa de mais de quinhentos dracmas. Por
sua vez, Isadora também teria que pagar uma multa de valor mais ou menos
igual caso não pagasse o salário mensal de Dídima ou lhe tirasse o bebê
antes do contrato terminar.
ESTER
Ester
significa "estrela", mas a Ester que se fala aqui tinha seu
verdadeiro nome como Myrt e vivia com seu tio Morty em Susa, na Pérsia,
como exilados judeus em aproximadamente 460 a.C. até ser encontrada pelo
rei Artaxerxes(ou Assuero) que ali governava. Ela, virgem, foi preparada
no ritual de purificação com mirra e outros óleos e acabou esposa do
rei após sete anos. Assuero era de reconhecida beleza natural, orgulhoso,
amoroso, impetuoso e licencioso. Por isto, depois de destituir a rainha
Vasti, coroou Ester. Ela arrumou um inimigo que era próximo do rei: Haman.
Este conseguiu que fosse publicada uma ordem para que todos os judeus
fossem mortos, o que acabou por preocupar o pai de Ester uma vez que Haman,
intentando contra Ester, mandou que se fizesse uma forca não contando o
quanto o rei a amava. Assim, um dia, Artaxerxes perguntou a Haman como
poderia homenagear alguém, tendo recebido como resposta que seria com
roupas bonitas, coroa e uma marcha triunfal. Prontamente, o rei mandou que
Haman assim procedesse para com a rainha Ester e, feliz, ainda pediu que
Ester declarasse um desejo. Ela aproveitou, revelou a sua origem judia e
acusou Haman de querer exterminar o seu povo. Ele acabou por morrer na própria
forca que havia preparado, seguido de seus dez filhos, deixando sendo que
seu cargo foi ocupado pelo pai da rainha Ester e sua propriedade ficou
para ela.
HIPÁCIA
Criança
superdotada, ela estudou filosofia, religião, matemática, poesia e
artes, vindo a completar sua educação superior na Academia Neoplatônica
com Plutarco. Ela ensinou geometria, astronomia, filosofia e matemática.
Foi assassinada por monges em 451 d.C.
RAINHA
VASTI
No
terceiro ano de Assuero que reinou, desde a Índia até à Etiópia, sobre
cento e vinte e sete províncias, do seu trono na cidadela de Susã, deu
um banquete a todos os seus príncipes e seus servos, no qual se
representou o escol da Pérsia e Média, e os nobres e príncipes das províncias
estavam perante ele. Então, mostrou as riquezas da glória do seu reino e
o esplendor da sua excelente grandeza, por muitos dias, por cento e
oitenta dias. Passados esses dias, deu o rei um banquete a todo o povo que
se achava na cidadela de Susã, tanto para os maiores como para os
menores, por sete dias, no pátio do jardim do palácio real. Havia tecido
branco, linho fino e estofas de púrpura atados com cordões de linho e de
púrpura a argolas de prata e a colunas de alabastro. A armação dos
leitos era de ouro e de prata, sobre um pavimento de pórfiro, de mármore,
de alabastro e de pedras preciosas. Dava-se-lhes de beber em taças de
ouro, de várias espécies, e havia muito vinho real, graças à
generosidade do rei. Bebiam sem constrangimento, como estava prescrito,
pois o rei havia ordenado a todos os oficiais da sua casa que fizessem
segundo a vontade de cada um. Também a rainha Vasti deu um banquete às
mulheres na casa real do rei Assuero.
Ao sétimo dia, estando já o coração do rei alegre do vinho, mandou a
Meumã, Bizta, Harbona, Bigtá, Abagta, Zetar e Carcas, os sete eunucos
que serviam na presença do rei Assuero, que introduzissem à presença do
rei a rainha Vasti, com a coroa real, para mostrar aos povos e aos príncipes
a formosura dela, pois era em extremo formosa. Porém a rainha Vasti
recusou vir por intermédio dos eunucos, segundo a palavra do rei; pelo
que o rei muito se enfureceu e se inflamou de ira. Então, o rei consultou
os sábios que entendiam dos tempos (porque assim se tratavam os
interesses do rei na presença de todos os que sabiam a lei e o direito; e
os mais chegados a ele eram: Carsena, Setar, Admata, Társis, Meres,
Marsena e Memucã, os sete príncipes dos persas e dos medos, que se
avistavam pessoalmente com o rei e se assentavam como principais no reino)
sobre o que se devia fazer, segundo a lei, à rainha Vasti, por não haver
ela cumprido o mandado do rei Assuero, por intermédio dos eunucos. Então,
disse Memucã na presença do rei e dos príncipes: A rainha Vasti não
somente ofendeu ao rei, mas também a todos os príncipes e a todos os
povos que há em todas as províncias do rei Assuero porque a notícia do
que fez a rainha chegará a todas as mulheres, de modo que desprezarão a
seu marido, quando ouvirem dizer: Mandou o rei Assuero que introduzissem
à sua presença a rainha Vasti, porém ela não foi. Hoje mesmo, as
princesas da Pérsia e da Média, ao ouvirem o que fez a rainha, dirão o
mesmo a todos os príncipes do rei; e haverá daí muito desprezo e
indignação. Se bem parecer ao rei, promulgue de sua parte um edito real,
e que se inscreva nas leis dos persas e dos medos e não se revogue, que
Vasti não entre jamais na presença do rei Assuero; e o rei dê o reino
dela a outra que seja melhor do que ela. Quando for ouvido o mandado, que
o rei decretar em todo o seu reino, vasto que é, todas as mulheres darão
honra a seu marido, tanto ao mais importante como ao menos importante.
O conselho pareceu bem tanto ao rei como aos príncipes; e fez o rei
segundo a palavra de Memucã. Então, enviou cartas a todas as províncias
do rei, a cada província segundo o seu modo de escrever e a cada povo
segundo a sua língua: que cada homem fosse senhor em sua casa, e que se
falasse a língua do seu povo.
O
rei Assuero é também chamado de rei "Longímano" Artaxerxes da
Pérsia, reino que começava nas proximidades da Índia e terminava onde,
atualmente, se encontra o Sudão, na África. Ele gostava de passar o
tempo com os amigos, de beber vinho e da sua esposa, muito atraente, a
qual era descendente de uma das sete famílias de sangue azul da Pérsia.
No terceiro ano de seu governo, no ano 483 a.C., durante seis meses, ele
fez uma reunião para exibir o palácio de inverno em Susa aos vassalos de
suas 127 províncias. Para coroar o encerramento da reunião, ele armou
uma tenda para servir um banquete para 10 mil pessoas. Depois de uma
semana de festas, o rei teve a idéia de exibir a esposa e enviou um de
seus eunucos para dar o recado para Vasti. Porém, a rainha tinha os seus
propósitos e se sentiu ofendida de ter que ser exibida na frente dos
vassalos do rei. Além disto, ela era apoiada pela lei persa que
considerava tabu mesmo uma olhada de relance de um estranho para a mulher
de alguém.
A recusa dela não foi aceita pela rei facilmente, porém ela não se
dobrou diante da ordem do Longímano e continuou no banquete dos seus
aposentos com as amigas. Os sábios do reino, preocupados mais com o papel
da rainha do que com o sentimentos do rei, mandaram divulgar em todo o
reino que, daquela data em diante, todas as mulheres deveriam tratar seus
maridos como seus superiores. O decreto machista que alcançava quase toda
a população feminina da época mandava: "Que
todo marido fosse chefe da sua casa e que tivesse sempre a última
palavra."(Ester, 1.22)
Vasti, recusando-se a ser uma mera mulher objeto, foi banida da presença
do rei e Ester assumiu seu lugar. Ela perdeu a coroa e o marido, no
entanto não perdeu a dignidade.
SAFO
Safo,
" a ardente Safo, que deve ter vivido entre 610 a 560 a.C., foi
poetisa. Escreveu 9 livros de poesias dos quais ainda restam alguns
fragmentos. São dela expressões corriqueiras como "mais dourada do
que ouro" e "amor, esse desagregador de membros". Ela foi a
mais famosa habitante de Lesbos, incentivando o movimento poético e
musical além das carreiras criativas de dúzias de mulheres famosas e de
uma miríade de mulheres desconhecidas. Várias vezes ela foi banida para
a Sicília ou teve de fugir de Lesbos possivelmente por questões políticas
com sua família aristocrática se opondo aos que estavam no poder.
Devido à sua importância, ela foi cunhada em moedas datadas do século
III d.C., novecentos anos depois de sua morte, e também teve seu retrato
e seu nome gravados em vasos e bronzes, vindo a estar presente em grande
parte da arte romana.
Ela perdeu o pai quando tinha seis anos e assistiui a um de seus três irmãos
acabando com a fortuna herdada. Aos quarenta anos ficou viúva quando
faleceu Cercolas, deixando-a com uma filha chamada Cleis. Provavelmente,
conseguiu algum dinheiro compondo canções para casamento.
BERENICE
Berenice,
que vivia em Cirene, abaixo de Alexandria, depois de dois noivados reais,
casou-se com o rei Ptolomeu III. O faraó, rapidamente, "reuniu"
a colônia Cirene ao Egito e rebatizou uma das cidades da colônia com o
nome da esposa. Tiveram um filho que recebeu o nome de Ptolomeu IV.
Surpreendido com a morte do cunhado e, em seguida, com o assassinato da
irmã e sobrinho na Síria, Ptolomeu III resolveu ficar por lá e, assim,
Berenice II ficou governando o Egito durante 5 anos. A esposa, na ausência
do marido, cortou os cabelos, longos cachos dourados, e os deixou em um
templo acreditando que, assim, o rei retornaria seguro. Ocorre que, quando
ele voltou, e ela foi mostrar-lhe os cachos, eles haviam desaparecido de
maneira que um mago da corte lhe disse que voaram para os céus, apontando
para um grupo de estrelas, as quais chamou de "Coma Berenice"
ou "Cabelos da Berenice". A rainha ficou viúva em 221 a.C.
para, depois, ser assassinada por Ptolomeu IV, rei cruel e beberrão,
juntamente com seus outros filhos.
TECLA
Tecla
foi discípula de Paulo de Tarso e o único documento que fala dela é Atos
de Paulo e Tecla. Ela redigiu cartas entre 50 e 61 d.C.. Ela conheceu
Paulo quando ele foi a Icônio, cidade natal dela, situada na Ásia Menor
(atualmente chamada de Konya, na Turquia). Ela rompeu seu noivado e
dedicou sua virgindade a Deus, atitude popular no início do cristianismo,
passando os dez anos seguintes sendo perseguida por ensinar, batizar e
construir a igreja na sua região. Depois deste período, convenceu Paulo
a levá-la como companheira de ministério, cortando-lhe o cabelo à
escovinha e lhe arranjando uma capa masculina, tendo percorrido com ele o
caminho até a Espanha e do Mediterrâneo até Éfeso na Ásia Menor.
Apesar dos riscos, ela sobreviveu e voltou para o seu lugarejo de origem,
estabelecendo o primeiro monastério para mulheres na Selêucia, costa da
Turquia. Seu grupo As Apostáticas
desfrutou de distinção durante séculos, no entanto acabou por ser
chamado de herege.
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