O valor da Mulher  

Arlete Moreira dos Reis   

Toda a mídia escrita e falada enaltece a Mulher neste dia criado para homenageá-la, e nós, já refletimos sobre a responsabilidade da Mulher no contexto social?

A Mulher de hoje já não pode moldar-se nas gerações passadas. Lutamos por melhores condições de vida, por empregos outrora só destinados aos homens, por creches para nossos filhos, por respeito à mulher, por tudo que há tantos e tantos anos vem nos oprimindo.

Para chegarmos vitoriosas a essa jornada, precisamos nos preparar e muito bem. Necessitamos realmente saber o que desejamos. Qual a nossa meta? - Quando a mulher fala em direitos iguais para ambos os sexos, não quer dizer que ela saia por aí a paquerar todos os homens que encontre, tornando-se uma caçadora em contrapartida aos chamados do sexo forte, os machões.

Temos que reconhecer que o homem, desde pequenino é condicionado a ser bígamo, a ter muitas garotas na adolescência para se firmar como homem e, mesmo assim, muitos deles chegam aos sessenta sem se firmar, sonhando com garotas que podiam ser suas netas.

A mulher tem uma educação diferente. Desde pequenina já semeamos no seu coração quando a presenteamos com bonecas, panelinhas e fogão, o sentimento de amor pelos filhos, o cuidado pela casa, as responsabilidades do lar. Queremos quando lutamos por direitos iguais, é conseguir salários dignos, todas sabemos que numa mesma função, o homem ganha mais do que a mulher. É a ocupação de cargos importantes dentro das empresas se a mulher tem real capacidade para assumi-los.

A mulher, além de responsável pelo seu lar deve participar da vida ativa do país e do mundo. É figura atuante se levarmos em conta o número de mulheres que deixam seus lares em busca do trabalho. Não podemos aceitar o adjetivo "frágil" para alguém incansável, enfrentando desde às seis da manhã, e às vezes mais cedo, o sufoco da condução, permanecendo oito horas dentro do escritório ou da fábrica, correndo de volta para preparar o jantar, passar em revista o uniforme dos filhos para a escola, muitas têm de deixar preparado o almoço para o outro dia e, depois de tudo isto, ainda estar disposta para o marido que nem sempre a compreende quando diz um pouco sem jeito, estou cansada.

Neste dia, não poderia deixar de dizer às amigas que nada conseguiremos se não formos unidas. E assim me expresso porque há uma triste verdade a ser dita e precisamos meditar sobre ela: o maior inimigo da mulher é a própria mulher. E por quê afirmo isto? - Muito fácil de explicar, as leitoras hão de concordar comigo:  - não perdoamos a vizinha ou a nossa colega de trabalho se ela tenta mudar sua vida, tenta o direito de se encontrar, de ser feliz. Somos as primeiras a deturpar  o fato, tornando-o maior, só para denegrir a imagem da outra que, não agüentando mais a violência doméstica, seja física ou moral, tem a coragem de procurar seus direitos e deixar o companheiro, seu torturador.  Como jararacas, começamos a tecer os piores comentários, deixando de ver o lado humano, esse lado sensível de cada uma de nós. Ao invés de apoiar, estender a mão em solidariedade, fazemos justamente o contrário, não perdemos nenhuma chance de levar aos quatro ventos, de forma maldosa o ocorrido.  Já os homens, não, estes ajudam-se uns aos outros, encobertam para os amigos os chifres que recebemos, emprestam seus apartamentos para o amigo pular a cerca e quando chegam em nossas casas, sem o menor remorso, nos dão beijinhos, fazem a maior festa.

A competição dentro do ambiente de trabalho é outro assunto que devemos encarar com seriedade. No mundo atual, a competição está sempre presente. Faz parte da vida, o importante não é ganhar, mas competir. Podemos competir de forma honesta, com nosso trabalho árduo e responsável, com dedicação pela qual conduzimos nossas tarefas, mas nunca escondendo informações necessárias ao bom desempenho da colega, nunca usar de meios ilícitos, de fofocas até, para eliminar aquela que você, na sua mente doentia, encaixou como uma terrível adversária, substituta do seu lugar.

Só a união faz a força, o admirável seria que todas nós, nas mais diversas profissões, fôssemos unidas, tivéssemos a sensibilidade de ajudar-se mutuamente, fazendo a equipe de mulheres funcionar como se fosse uma corrente e cada uma de nós um elo dessa corrente tão bem soldado que nada o faria desprender dos demais.

Vamos despertar dentro de cada uma de nós a amizade, o gostar, o querer bem, a compreensão que deve existir em cada uma para formarmos um todo admirado e respeitado. PARABÉNS MULHER BRASILEIRA!

   
 Arlete Moreira dos Reis é escritora.