A Mulher nas artes   

Luiz Carlos Guedes - (Pesquisa)   

ANITA MALFATTI
Brasileira, 1896-1964
Pintora

Uma exposição de Anita Malfatti em 1917 foi o estopim da briga que dividiu artistas, críticos e jornalistas brasileiros em dois times: modernistas e antimodernistas. Quando veio a Semana de Arte Moderna de 1922, o ambiente já estava carregado, as posições tomadas. Anita Malfatti foi o divisor de águas. Estudou muitos anos na Alemanha e nos Estados Unidos, onde desenvolveu um belo estilo expressionista e voltou ao Brasil em 1916. Na exposição de 1917, mostrou os famosos quadros "O homem amarelo", "A estudante russa", "A mulher de cabelos verdes", entre outros.
A reação, capitaneada por Monteiro Lobato no jornal "O Estado de S.Paulo", foi imediata: "Paranóia ou mistificação", argumentava. Ao lado dela ficaram os jovens Guilherme de Almeida, Oswald de Andrade, Di Cavalcanti, Mário de Andrade. Apesar de ter vivido em conflito consigo mesma, o trabalho que realizou até o fim da vida permanece como um marco histórico definitivo do desenvolvimento da arte brasileira.
 

CACILDA BECKER
Brasileira, 1921-1969
Atriz

"o mundo (pausa) fez de mim uma prostituta (pausa)e eu quero fazer do mundo um bordel!" Assim, com respiração curta, que introduzia tensas pausas nas falas, combinada com um timbre de voz anasalado, gestos preciosos e um domínio absoluto da personagem e do espaço cênico, Cacilda Becker transformou Clara, de A visita da velha senhora, em mais uma figura inesquecível do teatro brasileiro.
Essa mágica aconteceu muitas vezes na carreira de Cacilda, em obras como "A dama das camélias", "Maria Stuart", "Pega fogo", "Quem tem medo de Virgínia Woolf". Foi uma líder da classe teatral durante a primeira fase do regime militar de 1964. A vida de Cacilda Becker confunde-se com a história do próprio teatro brasileiro ao qual se dedicou por 29 anos. Em 06 de maio de 1969, ela e o marido Walmor Chagas encenavam a peça Esperando Godot de Beckett quando o espetáculo foi interrompido bruscamente. Ainda vestindo as roupas de seu personagem, Estragon, foi levada para o hospital onde veio a falecer 38 dias depois de estar em coma profundo, provocado por um aneurisma cerebral.
 

ANA BOTAFOGO
Brasileira, 1957
Bailarina

Uma das maiores bailarinas brasileiras internacionais, a carioca Ana Botafogo Fonseca Marcozzi iniciou sua carreira na França, nos Ballets de Marseille, de Roland Petit. Voltou ao Brasil e, em 1981, conquistou o lugar de primeira-bailarina do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Bailarina carismática, de estilo e repertório clássico, pequena, 43 quilos, faz questão de dançar no País inteiro. Como estrela convidada, apresentou-se com o Sadlers Wells Royal Ballet, de Londres, com o Ballet Nacional de Cuba e com a Ópera de Roma. Dançou com bailarinos famosos, sendo o mais constante deles o cubano Fernando Bujones.
 

MARIA CALLAS
Greco-americana, 1923-1977
Cantora lírica

Foi a mais distinta e influente soprano de ópera de todo o período pós-guerra. por dez anos dominou os palcos com seu temperamento dramático, virtuosidade técnica, musicalidade e obsessão pelo trabalho duro, o que certamente contribuiu para abreviar sua vida profissional. Possuía uma habilidade vocal estupenda, mas sempre foi uma cantora muito controvertida, pois chegava a emitir sons horríveis ao cantar nos tons mais baixos.
No final dos anos 50, freqüentou as manchetes por causa do conturbado relacionamento com Aristóteles Onassis. Tornou-se o alvo favorito dos paparazzi devido ao luxo em se vestir e a vida social extremamente agitada. Em 1964, fez sua última apresentação nos palcos do Covent Garden, em Londres, como Tosca.
 

FERNANDA MONTENEGRO
Brasileira, 1930
Atriz

Ela é a maior atriz brasileira - maior, significando melhor e mais prestigiada - e reconhecida internacionalmente. Seu talento engloba comédia, drama, tragédia, atuando no teatro, cinema e televisão. Em todos eles, transparece o profissionalismo e o gosto por trabalhar. Fez algumas representações históricas no teatro: "A profissão da sra. Warren", de Bernard Shaw, "Beijo no asfalto", de Nelson Rodrigues, "A volta ao lar", de Harold Piter e , sobretudo, "As lágrimas amargas de Petra von Kant", de Rainer Werner Fassbinder, um dos maiores sucessos de bilheteria e crítica da história do teatro brasileiro. No cinema teve interpretações marcantes em filmes como "A falecida", "Tudo bem", "Eles não usam black-tie" (recebeu o prêmio Moliére), e "Central do Brasil" (que chegou a ser indicado para o Oscar).

   
 Luiz Carlos Guedes é jornalista e radialista
fonte: 1000 que fizeram o século XX
IstoÉ - The Times