A mulher na literatura   

Luiz Carlos Guedes - (Pesquisa)   

AGATHA CHRISTIE
Inglesa, 1890-1976
Escritora

Pense em um escritor de romances policiais e de quem você lembra? A maioria das pessoas, Agatha Christie. Pense em um livro policial - e novamente muitos lembram de "O assassinato de Roger Ackroyd" (1926). Este romance é um dos mais perfeitos exercícios de investigação já escritos, um ardil que, mesmo depois de mais de 70 anos de seu lançamento, não deve ser revelado, porque sempre haverá novos leitores para se surpreender com o seu desenlace. "A ratoeira" não é a sua melhor peça teatral, mas está sendo apresentada há mais de 40 anos. E porque? Talvez seja a lenda que existe em torno de Agatha Christie, mas também o seu conhecimento do que faz a platéia vibrar - o aconchego misturado com alguns indícios de algo podre por baixo de tudo.
Ela adorava o aconchego, preferindo Miss Marple a Poirot, nunca permitindo que a violência entrasse em seus livros. Apesar disso, a sua fascinação por crimes domésticos escoa para milhões de leitores. Agatha Christie deixou muitos sucessos e permanece como rainha inconteste do crime impossível.
 

SIMONE DE BEAUVOIR
Francesa, 1908-1986
Escritora

Ela influenciou o mundo intelectual tanto por seus livros quanto pelo estilo de vida. Sacerdotisa do existencialismo do pós-guerra e companheira de toda vida de Jean-Paul Sartre, nasceu de uma família burguesa decadente, e desde cedo atacou as restrições impostas por sua educação católica. Conheceu Sartre em 1929, quando estudava Filosofia na Sorbonne, e o seu casamento serviu de modelo para os "relacionamentos abertos". Muitos livros de Sartre foram escritos por Simone, que se inspirou neles para escrever suas próprias obras de cunho filosófico e feminista, romances, memórias, sobre os Estados Unidos e a China, a terceira idade e a morte. Com Sartre editou a revista Les Temps Modernes e formou uma dupla de embaixadores de causas radicais, tanto em seu país quanto fora dele. Seus primeiros romances, que culminaram com Les mandarins, vencedor do Prêmio Goncout de 1954, já lhe teriam garantido um lugar na história da literatura francesa. Mas foi seu corajoso estudo sobre a mulher, "O segundo sexo" (1949), que lhe deu o sucesso internacional. Não era exatamente uma heroína exemplar como se retratou na autobiografia em quatro volumes, todos escritos entre 1958 e 1970, mas foi uma mulher marcante, escritora lúcida e sensata que, até sua morte, continuou lutando pelos direitos da mulher.
 

RACHEL CARSON
Americana, 1907-1964
Bióloga e escritora

Em seu livro "Silent spring" (Primavera silenciosa), de 1962, alertou seu país e o governo sobre o desequilíbrio ecológico que ocorreria pelo uso indiscriminado de pesticidas e presenteou os conservacionistas com um dos mais sagrados testamentos sobre a natureza, tornando-se a criadora do movimento ecológico. Seu primeiro trabalho como bióloga do Departamento de Pesca americano, foi uma preparação para mais um livro. Under the sea wind (Sob o vento marinho), o primeiro de uma trilogia na qual descreve a delicada e complexa ecologia marinha. Teve o azar de ser lançado à época do ataque a Pearl Harbour, em 1941. Tornou-se, no entanto, um "best seller" ao ser relançado dez anos mais tarde. Ela escreveu Silent spring a pedido de um amigo cuja reserva de pássaros fora destruída pelo DDT durante o programa governamental de extermínio dos mosquitos. Carson reuniu provas incontestáveis do envenenamento do solo e da água pelos compostos tóxicos utilizados pelo homem. Os resultados de seus trabalhos foram endossados pela equipe do comitê consultivo de ciência, criado na época pelo presidente Kennedy. Como conseqüência, o governo americano iniciou um controle rígido sobre os agrotóxicos e criou leis para conter a poluição das águas e do ar.
 

MARIE STOPES
Inglesa, 1880-1958
Cientista e escritora

Um casamento consumado e a busca de informação a respeito inspiraram Marie Stopes a escrever "um livro sobre o casamento e o sexo que ensinasse homens e mulheres a compreenderem os problemas sexuais individuais de cada um". Este livro era Married love (Amor conjugal, 1918), que vendeu dois mil exemplares nos primeiros 15 dias. Depois do segundo casamento, com Humphrey Verdon Roe, que a ajudou a publicar o livro, ela escreveu Wise parenthood (Paternidade sábia, 1918), em que descrevia diversos métodos e de controle da natalidade. Em 1921, abriu a primeira clínica para controle da natalidade em Islington, na capital inglesa. Aos 40 anos, depois de uma breve carreira como cientista, ela descobriu o trabalho que a realizaria. Foi Foi hostilizada pela Medicina e atacada violentamente pelos católicos romanos. Em 1922, um certo dr. Halliday Sutherland atacou seu trabalho de maneira tão venenosa que Marie Stopes o processou por difamação, a primeira de muitas batalhas legais que serviram para disseminar sua fama entre milhões de mulheres que desejavam atingir. Ela não era apenas uma brilhante propagandista - chegou a escrever uma peça teatral sobre controle da natalidade -, mas uma mulher preparada para pôr em prática suas idéias.

   
 Luiz Carlos Guedes é jornalista e radialista
fonte: 1000 que fizeram o século XX
IstoÉ - The Times