A mulher no cinema   

Luiz Carlos Guedes - (Pesquisa)   

BETTE DAVIS
Americana, 1908-1989
Atriz de cinema

Considerada uma das personalidades mais fortes e independentes produzidas pelo cinema, chegou a Hollywood vinda da Broadway. Pode-se dividir sua carreira em cinco fases distintas: no início dos anos 30, a Warner Studios tentou moldá-la - sem muito sucesso - ao padrão glamouroso da época. Of human bondage (Servidão hunama, 1934) mostrava uma atriz forte, e iniciou-a em sua melhor fase, quando filmou com William Wyler (Jezebel, 1938 e The little foxes, 1941) e ganhou deu primeiro Oscar por Petrified Forest (Floresta petrificada, 1936). Durante os anos 40, foi mais difícil encontrar papéis para o seu tipo, tanto no cinema como no teatro. Após o segundo Oscar, por All about Eve (A malvada, 1950), de Mankiewicz, entrou em um período de poucos trabalhos, com papéis incomuns e personagens estranhos (The virgin queen - A rainha virgem, 1955 e Pocketful of miracles - Dama por um dia, 1961). Nos anos 60, praticamente recomeçou sua carreira, fazendo sucesso com uma série de personagens femininas problemáticas como em Whatever happened to Baby Jane? (o que aconteceu com Baby Jone?, 1962), de Robert Aldrich. Nunca foi bonita. Pelos seus traços marcantes, olhos grandes, fala ríspida e preferência por maquiagens extravagantes, tornou-se o alvo preferido de cartunistas e comediantes. Criativa e temperamental, trabalhou até o fim de sua vida, apesar da saúde frágil. Desempenhou, com Lilian Gish, o seu último papel em Whales of August (Baleias de agosto, 1987), de Lindsay Anderson
 

MARLENE DIETRICH
Alemã, 1901-1992
Atriz de cinema

Irreverente, extravagante e anticonvencional, Maria Magdalene von Losch, sempre fazia mistério sobre sua origem e data de nascimento. Tornou-se Marlene Dietrich, símbolo do erotismo inatingível do século XX e uma lenda em seu próprio tempo. Sabe-se que ela apareceu em vários filmes alemães e trabalhou no teatro sob a direção de Reinhardt, antes que Joseph von Sternberg descobrisse nela a sua Lola para o Anjo azul, em 1930. Sob a direção de Sternberg, Dietrich se revelou uma parceira ideal para o sucesso, que continuaria em Hollywood com Marrocos, Desonrada, O expresso de Shangai, A Vênus loira, A imperatriz escarlate e Mulher satânica. Explorando seu olhar de desdém, fazendo jogo de luz e sombra sobre seu rosto anguloso com as maçãs saltadas e olhos fundos, além das pernas incomparáveis, Sternberg criou um mito erótico deslumbrante. A parceria acabou e Dietrich continuou sozinha com seu talento e brilho tanto nas telas de cinema como nos cabarés, usando sua voz grave e penetrante. Morreu em Paris, cercada pela família, numa lindo dia de primavera, um dia antes da abertura do 45o. Festival de Cinema de Cannes, que havia escolhido aquele ano para homenageá-la.
 

GRETA GARBO
Sueca, 1905-1990
Atriz de cinema

Sua carreira parecia acontecer sem nehuma direção consciente de sua parte: da infância pobre em Estocolmo à vendedora de loja, do trabalho como modelo, vestindo trajes de banho numa comédia barata, à descoberta por Mauritz Stiller e o estrelato em The atonement of Gosta Berling. Depois de estudar na Royal Dramatic School (Real Escola Dramática) em Estocolmo e desempenhar um papel na peça Joyless street, de Pabst, em Berlim, foi chamada para trabalhar na Metro Golwyn-Meyer, onde ficou até o fim de sua carreira, aposentando-se definitivamente em 1941. A sua arte, da mesma forma, parece ser também involuntária e inexplicável. Poucos dos seus filmes foram, em essência, mais do que kitsch - até mesma Anna Karenina poderia ser substancialmente diminuido na sua versão cinematográfica - mas ela sempre parecia conseguir transformá-los. Mesmo nos filmes de época, a atuação de Greta Garbo não se alterava. Apesar de ter uma constituição óssea larga e parecer meio desajeitada, na tela era sempre bela e graciosa. A sua languidez parecia saltar da exaustão de uma paixão muito intensa. Era incapaz de mentir, mesmo que o momentaneamente, quando interpretava qualquer papel. Ao longo dos anos, houve rumores incessantes sobre o seu retorno ao cinema, mas quando morreu, em Nova York, o seu rosto já não era mais visto havia quase meio século.

   
 Luiz Carlos Guedes é jornalista e radialista
fonte: 1000 que fizeram o século XX
IstoÉ - The Times