|
Mulheres abastadas, proibidas de terem acesso ao curso superior, liam
folhetins com histórias de amor. Carolinas e Augustos viviam
emocionantes dramas que levavam às lágrimas jovens senhoras. Depois, o
grupo de leitores foi ampliado e muitas mulheres liam as fotonovelas em
revistas com títulos inesquecíveis, como Capricho, Grande Hotel, Sétimo
Céu, Noturno e outros. Atualmente, vêem novelas. Há aquele detalhe
importante, que é o quase, e por isso pode-se dizer que quase todas
assistem.
Apenas um entre os fragmentos da história das mulheres em nosso país.
Hoje, elas, em direitos conquistados, estão em todas as partes,
inclusive na política, na Literatura, no teatro e no cinema: uma
atividade exclusivamente masculina, no passado- basta lembrar da Lua
representada por um homem.
Mulher não podia fumar em público, nem tomar cafezinho. Tudo mudou,
entramos no XXI com a presença forte da mulher, e com elas tudo fica
mais colorido.
Alvo preferido do mercado, as indústrias investem pesado nesse cliente
potencial, lançando enxurrada de produtos para a beleza, a saúde e o
lazer, uma parte útil, outra para satisfazer a vaidade, parte integrante
dessa metade fundamental da humanidade.
Mulher não é só vaidade (Não pode ser a horrorosa Amélia - a sem
vaidade, que “às vezes achava bonito não ter o que comer”), e não é
também apenas a vulgarização imposta pelo mercado cultural, a imagem da
mulher objeto, subserviente, pronta para atender aos desejos e às
vontades do homem. Ela é, além da imagem projetada pelas mulheres
alienadas do mercado musical, a responsável (e bota responsabilidade!)
pela condução da sobrevivência e continuidade da espécie, e também o
fator de equilíbrio das relações afetivas solicitadas pela razão
amorosa.
Sentimentos ditos femininos através dos tempos, -quem condicionou à
mulher, os sentimentos essenciais para a sobrevivência afetiva dos seres
humanos, transferindo para o patriarcal os valores guerreiros,
inflexíveis e secamente racionais?- hoje estão mais acessíveis, mais
próximos da condição do homem, e isso é resultado das conquistas e do
avanço feminino no mundo, pois como faz parte da condição feminina o
atributo da divisão, esses sentimentos poéticos com regalias foram
espalhados, estando à disposição de todos os que se esforçarem para
alcançá-los.
Isso não significa que uma mulher no poder (no governo) não possa
decepcionar (principalmente quando utilizar o autoritarismo –imitando ou
absorvendo uma característica de governos tirânicos masculinos).
Entretanto, é visível a possibilidade do aperfeiçoamento humano com a
mulher junto.
Ela tem o dom da reorganização das coisas, e uma visão direcionada para
a limpeza do mundo. Como dá à luz, tem naturalmente uma predileção pela
luz.
Evidente que durante pelo menos dois mil anos foram vitimadas pelo
obscurantismo intelectual imposto pelo império patriarcal que dominou o
mundo, e apenas em nosso tempo apresenta fendas em seu edifício, frestas
pelas quais o mundo vai sendo presenteado com a oportunidade histórica
de melhorar.
Nada impede nem é prejudicial que o dia 8 de março seja um dia de flores
e bombons, mas é também (e principalmente) um dia de reflexão sobre a
luta histórica da mulher para ocupar o seu verdadeiro lugar no mundo,
que é o espaço ao lado do homem na construção de sociedades humanizadas.
Também não custa lembrar que apesar de todas as conquistas e das
mulheres estarem cada vez mais independentes, há ainda muita exploração
e muito sofrimento nos agrestes da vida contemporânea, além de serem
ainda vítimas de sistemas religiosos injustos, cujos dogmas ferrenhos em
nossos dias sobrevivem.
No Brasil, a exploração do seu corpo, e a sua submissão intelectual ,
encontram um forte aliado nas próprias mulheres, como algumas cantoras
de conjuntos musicais que atuam na mídia.
De qualquer modo, o importante no momento é vislumbrar as conquistas e
vitórias, e poder lembrar neste Dia Internacional da Mulher, que há
outros modelos femininos, além dos impostos pela indústria da cultura e
do divertimento.
|