Mulher Imaginada  

Alberto Cohen   

Por que não vens, mulher imaginada,
impedir que me tornem tão pequeno
que morra a chafurdar no meu veneno
e do que eu era não te sobre nada?

Vem recoberta de milhões de luas,
vestindo o manto que bordei de estrelas,
vaguei nos sonhos para recolhê-las,
disfarçado de Deus fazê-las tuas.

Por que não vens, agora, de repente,
para que eu volte a crer que inda sou gente,
embora machucado e ressentido?

Só teu amor, mulher imaginada,
pode ensinar-me que há uma nova estrada,
em busca do horizonte pressentido.


 

Mulheres de Atenas  

Alberto Cohen  
 

Mulheres de Atenas,
mulheres apenas
muito mais serenas,
tão fortes mulheres.
Mulheres curtidas
por vindas e idas,
esperas, partidas,
de um só marinheiro.
Mulheres no leito
de lençol desfeito,
nem sabem direito
quando uma outra vez.
Mulheres do pranto,
de negro, num canto,
rezando acalanto
por seus nunca mais.


 

Alberto Cohen é poeta e escritor.