Ano 9 - Semana 436

 

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06 de agosto, 2005
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Luis Lidón

As 18 rotas do Mestre da Música

Mozart teria viajado durante dez de seus 35 anos de vida;
jornadas eram complicadas

CAMINHOS MUSICAIS


Reviver as viagens do compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) é o objetivo de uma associação com sede em Salzburgo, na Áustria, que catalogou, em 18 rotas européias, os caminhos trilhados pelo gênio da música ao longo da vida. Segundo Gerhard Spitz, secretário-geral do projeto Os Caminhos de Mozart, o compositor passou 3.720 dias de sua vida viajando, ou seja, um total de dez anos, dos 35 que viveu. O cálculo se baseia nas estimativas da Fundação Mozarteum, de Salzburgo, que reúne 75 cidades, regiões e organizações e é a responsável por guardar o legado cultural do compositor que mais produziu na história, autor de obras-primas como "O Casamento de Fígaro", "A Flauta Mágica" e "Don Giovanni".

Sua primeira viagem o levou a Munique, em 1762, onde se apresentou para o príncipe da Baviera, Maximilian III Joseph. Na época, ele tinha apenas 6 anos. A última cidade visitada por Mozart foi Praga, em 1790, um ano antes de sua morte. Nesse período, Mozart escreveu mais de mil composições e deixou muitas outras sem terminar, o que não tem precedentes na história da música, garante Spitz.

As viagens de Mozart se dividem em 18 rotas, passando por Áustria, Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Suíça, Holanda, Bélgica, República Checa e Eslováquia. Os caminhos mostram os lugares pelos quais o compositor passou, como Paris...

...Já em Canterbury, no Reino Unido, Mozart participou de uma corrida de cavalos. Na Itália, o compositor passou por cidades como Cremona, lugar em que ficou apenas uma noite. Em Kundl, na Áustria, o músico parou para repor as energia em um jantar.

COMEMORAÇÕES

A iniciativa de mapear as 18 rotas surgiu em 1999, com o apoio do governo do Estado Federado de Salzburgo, como parte do Ano Mozart 2006, que comemora o 250º aniversário de seu nascimento. Na Áustria, a data será lembrada com diversos eventos culturais em homenagem à sua figura universal.

Em todas as cidades e regiões que fazem parte do projeto haverá comemorações e atividades culturais para divulgar o legado do músico, nascido em Salzburgo, mas que viveu grande parte de sua vida em Viena, onde também veio a falecer.

A iniciativa também tem o apoio do Conselho da Europa, que a incluiu em sua categoria de importante rota cultural e dará às instituições participantes - cidades, monumentos ou rotas - um selo próprio de distinção.

Para Spitz, há uma analogia entre o período das viagens de Mozart (1762 a 1790) e a época atual, ambas fases de mudanças. O pano de fundo das jornadas de Mozart era o Iluminismo e o ambiente da Revolução Francesa mas, naquela época, segundo o projeto, as condições de viagem eram muito diferentes das atuais: as carruagens percorriam uma distância de aproximadamente seis quilômetros por hora e tinham de para a cada 25 quilômetros para mudar os cavalos, o que levava cerca de duas horas.

Desta forma, eram gastos dois dias para percorrer os 100 quilômetros entre Salzburgo e Munique. Atualmente, essa mesma distância é atravessada em apenas uma hora pela rodovia.

Além disso, as viagens se tornavam ainda mais difíceis, com alojamentos úmidos, pouco asseados e a presença de salteadores pelo caminho. No entanto, os maiores riscos eram "o vinho, o chamado belo sexo e o jogo de azar" conforme encontrado no sítio eletrônico www.mozartways.com ...

(Luis Lidón / EFE /Viena - Jornal O Estado de São Paulo -
Cultura - Viagem & Aventura pág. V17 / Terça-feira, 12 de julho de 2005.)


  Artigo enviado por Artur da Távola.

 



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