Ano 9 - Semana 461

 


 

   28 de janeiro, 2006
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Clássicos da Música


Wolfgang Amadeus Mozart

- maior glória da civilização européia -

Rosângela Scheithauer

       Mozart foi um dos maiores compositores de todos os tempos. Nasceu em 27/01/1756, em Salzburgo. Tinha um gênio musical surpreendente e aos três anos estudava cravo, já compunha aos quatro e aos sete tocava violino, cravo e órgão. Realizou o seu primeiro recital público como menos de seis anos de idade. Fez várias viagens, obtendo grande sucesso. Deixou um grande número de composições e exerceu profunda influência no desenvolvimento da música. Foi batizado com o nome de Johannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus Mozart.

      Os relatos sobre o inicio de sua vida sugerem que era uma criança agradável e afetuosa, com uma cativante falta de inibição. A irmã de Wolfgang, Nannerl, achava que a aparência do irmão foi permanentemente prejudicada pela varíola que contraiu em 1767. Todavia, três anos depois, o consagrado compositor Hasse descreveu o menino como "bonito, vivaz e gracioso". Quando Mozart amadureceu, permaneceu pequeno e pálido, freqüentemente com uma aparência pouco saudável. Seu primeiro biógrafo boêmio Niemetschek atribuía esses traços à falta de exercício na infância e ao fato de que, desde a idade dos seis anos, Mozart passou a maior parte do tempo sentado. O cantor Michaek Kelly, que desempenhou os papéis de Basilio e Don Curzio na primeira produção de "Le nozze di Figaro" lembrava de Mozart como "um homem notavelmente pequeno, muito magro, pálido, com uma profusão de lindos e loiros cabelos, dos quais era um tanto vaidoso". De acordo com a geração mais jovem, "Mozart não usava peruca, mas empoava os próprios cabelos". Mozart emergiu de sua infância extraordinária surpreendentemente ileso do ponto de vista psicológico. Como um prodígio musical, fora admirado pelas cabeças coroadas e pela mais alta sociedade da Europa. Sua vivacidade juvenil, aliada ao talento excepcional, permitiram uma intimidade com governantes e aristocratas que era desproporcional à suas origens sociais. Quando, por exemplo, em 1762 a família teve uma audiência com a imperatriz Maria Theresa em Schönbrunn (residência de verão dos imperadores em Viena), Leopold descreveu como o filho de seis anos "pulou no colo da imperatriz, pôs-lhe os braços em volta do pescoço e beijou-a calorosamente". Em tais ocasiões, Mozart vestia um traje lilás e colete de chamalote enfeitado com galão dourado: era um refúgio do arquiduque Maximiliano. Alguns anos mais tarde, o adolescente Mozart era tratado com igual cortesia pelos príncipes da Igreja, tinha audiências com cardiais e até com o papa e tornou-se Cavaleiro da Espora de Ouro (o único músico a atingir tal dignidade desde Orlande de Lassus). Esse processo triunfal cessou abruptamente quando ele voltou ao mundano meio musical de Salzburgo.

       Muitos biógrafos afirmam que Mozart tinha um caráter vulgar e grosseiro. Certamente, sua família gostava de um humor escatológico muito cru. Há numerosos exemplos não apenas na correspondência do próprio Mozart, como em cartas de outros membros de sua família. É o caso, por exemplo, de uma saudação enviada de Munique por sua mãe Maria Anna, com 57 anos, ao marido Leopold usando palavras de baixo calão.

       O comportamento de Mozart muitas vezes incomodava alguns de seus contemporâneos levando-os a concluir que, embora Mozart fosse musicalmente talentoso, em outros aspectos era rude e não-refinado.

       Apesar dessas influências, talvez a mais extraordinária faceta do caráter de Mozart tenha sido a confiança em sua própria criatividade.

       A esposa de Mozart, Constanze, tem despertado considerável censura por parte dos biógrafos. Ela tem sido retratada em primeiro lugar, como ardilosa em enredar Mozart à irresponsabilidade displicente, em vez de proporcionar-lhe um ambiente familiar estável para o trabalho. Tem-se a impressão de que os autores desaprovavam simplesmente Constanze, mas se ressentiam do fato de que Mozart julgasse alguma mulher digna de seu afeto e companhia. O que parece provável é que Mozart, até certo ponto, foi compelido ao casamento com Constanze Weber pela mãe dela. De fato, Mozart havia se apaixonado pela segunda filha, Aloisia Weber. Viajou para Paris na certeza de que seu amor era retribuído, porém ficou amargamente decepcionado com sua indiferença quando voltaram a se encontrar. Ela era uma bem-sucedida cantora em Munique e quando foi contratada pela Ópera Alemã em Viena, em 1779, toda família migrou para a capital. Em Viena ela se casou com o ator Joseph Lange.

       Durante seus anos em Viena, Mozart e Constanze mantiveram-se próximos de Aloisia e seu marido; Mozart trabalhou com Aloisia em vários projetos musicais, sem mágoa aparente. Quando em junho de 1781 Mozart rompeu com o séquito de Salzburgo, buscou refúgio na casa da viúva Frau Weber, e foi então que se afeiçoou a Constanze, a terceira filha. Envolveu-se a tal ponto que foi acusado pelo tutor da moça de comprometer sua honra. Embora Mozart o tenha negado redigiu um documento declarando que se casaria com Constanze dentro de três anos ou lhe pagaria uma anuidade de 300 florins. Não se preservou a resposta de Leopold Mozart a essas revelações, mas ele, com certeza, se opôs energicamente à união. Eles se casaram no verão de 1782 e, entre 1783 e 1791, Constanze deu à luz seis vezes.

       Em julho de 1791, Mozart havia terminado a maior parte de "A Flauta Mágica". Em um dos primeiros relatos de Niemetschek (1798) Constanze narra uma extraordinária história à misteriosa encomenda de compor uma missa réquiem.

       Certo dia uma carruagem parou à porta e um estranho fez-se anunciar. O homem, de meia-idade, sério e firme, desconhecido tanto para Mozart quanto para sua esposa, indagou se o compositor estaria interessado em compor uma missa réquiem para um cavalheiro que não desejava revelar sua identidade pois uma pessoa querida havia falecido e ele desejava lembrar-se de sua morte de forma digna. Indagado quanto cobraria, Mozart pediu cem ducados no ato da entrega. O cavalheiro não esperou, pagou antecipadamente e saiu dizendo que voltaria para apanhar a partitura. Mozart mergulhou em devaneio e, sem dar atenção aos conselhos da esposa, pediu caneta, tinta e papel e imediatamente começou a compor a encomenda. Seu interesse pela obra crescia a cada nota, passou a escrever dia e noite, mas o corpo não resistiu e ele desmaiou várias vezes sobre a composição. Qualquer admoestação no sentido de se moderar era em vão: alguns dias após, a esposa persuadiu-o a acompanhá-la de carruagem até o Prater (parque de diversões de Viena). Ele se manteve sentado, sem nada dizer e perdido em seus pensamentos. Por fim não mais negou - que achava com certeza que estava escrevendo esta obra para seu próprio enterro. Nada o dissuadia desta idéia; trabalhava, portanto, como Rafael na sua "Transfiguração", com o onipresente sentimento da sua iminente morte e realizando, como pintor, sua própria transfiguração. Até falou de pensamentos estranhos relacionados à curiosa aparição e encomenda do desconhecido.

       Nesta versão, a encomenda ocorre pouco tempo antes de o Imperador Leopoldo partir para Praga e Mozart começa a trabalhar no Réquiem imediatamente até conseguir o estado de exaustão.

       Conclui-se, então, que Antonio Salieri, compositor italiano que viveu na mesma época que Mozart nada teve a ver com a encomenda do Réquiem como mostra o filme "Amadeus", em que ele é o principal causador do agravamento da doença de Mozart, que o levou à morte devido ao seu esforço em tentar terminar a encomenda. Muitos leitores e curiosos sobre a vida de Mozart possuem essa afirmação em sua mente. Salieri poderia ser uma pessoa invejosa, mas não ao ponto de se vestir com uma suposta roupa do falecido pai de Mozart e encomendar um Réquiem.

       Mozart morreu em 5/12/1791 em Viena vítima de lascidão nervosa.
 


Frases de pessoas proeminentes:

"Que imagem de um mundo melhor tu nos deste, Mozart!" (Franz Schubert)
Perguntado qual seria seu favorito entre os grandes mestres, disse Rossini: "Beethoven eu tomo duas vezes por semana, Haydn quatro e Mozart todos os dias" (G. Rossini)
"Eu acredito em Deus, Mozart e Beethoven" (Richard Wagner)
"Eu daria tudo para ter escrito esta obra" (Richard Strauss, no leito de morte, sobre o Concerto para Clarinete de Mozart (KV 622)
"Este jovem fará com que no futuro todos se esqueçam de nós" (J. Hasse)
(Anônimo):
"A música de Wolfgang Amadeus Mozart é uma das maiores glórias da civilização européia"


Rosângela Scheithauer  é escritora e artista plástica.
 

 



Direção
IRENE SERRA
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