Ano 11 - Semana 586

 


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Atualizado em 21/06/2008
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Clássicos da Música


Johann Strauss Junior

Rosângela Scheithauer


A 25 de outubro de 1825 nasceu em Viena Johann Strauss Junior, no seio de uma família já com tradição musical. Seu pai, Johann Strauss, tinha alcançado grande fama na Europa, por ter sido um dos criadores da valsa. A mãe, Anna Streim, era possivelmente descendente de ciganos ou espanhóis. O pequeno Strauss, entretanto, não ficou muito tempo com o pai: tendo Anna Streim descoberto que Johann Strauss, o pai, tinha um caso extraconjugal com uma costureira, exigiu a separação e a guarda dos filhos, inclusive Strauss Jr, que foi proibido pelo pai, assim como seus cinco irmãos, de se dedicar à música.

Entretanto, a mãe de Strauss Jr. ensinou-lhe os rudimentos de música e contratou-lhe um professor de violino. Assim, o pequeno Strauss foi expulso da Escola de Estudos Comerciais, onde se tinha matriculado por ordem do pai, porque pôs-se a cantar a plenos pulmões durante uma aula. A música era sua paixão. Strauss o Velho não aprovou sua atitude, e tentou colocá-lo em cargos burocráticos, mas o moço não lhe dava ouvidos: no ano de 1831 estava empenhado nas aulas do mestre de capela da corte Joseph Drechsler, encomendadas e pagas por Anna Streim. Strauss o Jovem não se interessava muito pela polifonia clássica ensinada por Drechsler, mas essas aulas também davam ao rapaz os fundamentos da teoria musical.

Em 1843 Johann Strauss Junior teve sua primeira obra apresentada em público: Tu Qui Regis Totum Orbem, para coro e orquestra, na capela da corte de Viena. No ano de 1844 o divórcio de Anna Streim com Johann Strauss foi efetivado, e ela, não podendo mais contar com a pensão que até então recebera do marido, encontrou-se em dificuldades para prover o sustento e a educação dos filhos. Joseph Drechsler ofereceu-se para lecionar gratuitamente para o jovem Strauss, mas este resolveu interromper os estudos e trabalhar para ajudar o sustento da família. Por ser menor de idade, Strauss Jr. precisava da autorização da polícia, que por sua vez dependia da concordância do pai, para trabalhar. Enviou então uma carta ao pai expondo a situação da família e obteve a autorização.

Strauss Jr. reuniu então uma pequena orquestra de quinze elementos e foi tocar num cassino, de propriedade de Dommayer. Viena ficou alvoroçada quando foram colocados os cartazes anunciando a nova orquestra do Cassino Dommayer. Em 15 de outubro de 1844 o salão do cassino ficou lotado. A estréia de Johann Strauss Junior foi um grande sucesso, tanto como regente quanto como compositor. Entusiasmado com os aplausos, fechou o concerto com uma obra de seu pai: Canto de Lorelei sobre o Reno, uma valsa de estrondoso sucesso na capital austríaca.

Por volta de 1848 surgiu o choque entre liberais e conservadores. Strauss Jr. desejava um futuro republicano, mas seu pai se mantinha fiel à monarquia. Respondendo à Marcha Radetzky, composta por Strauss pai para homenagear o marechal que comandava a opressão às revoltas liberais, Strauss Junior compôs a Marcha Revolucionária. A monarquia acabou vencedora, e a Marcha Radetzky tornou-se um símbolo de violência contra a liberdade.

Strauss o Velho veio a falecer dia 25 de setembro de 1849 vítima de escarlatina, e a regência da orquestra passou a Johann Strauss Jr. No dia do sepultamento de seu pai, Strauss Junior regeu a orquestra do pai na execução de Requiem, de Mozart. Depois disso, Strauss Jr. dividiu a orquestra paterna em quatro pequenos grupos e colocou cada um deles em uma das melhores casas de dança de Viena: Dommayer, Dianabad, Sophiensaal e Redoutensaal. Isso rendeu ao músico grandes lucros, e ele passou a viajar pela Europa e a estabelecer orquestras em vários lugares, criando assim uma grande rede de negócios. Johann Strauss Junior passou a ser conhecido em Viena como "o rei da valsa".

Strauss, ocupado com seus negócios, deixou um pouco de lado a composição. Em 1860, entretanto, compôs Acelerações, que marcou o início da valsa sinfônica. Depois dessa obra, Strauss teve um período criativo: em 1863 escreveu Folhas da Manhã. Em 1867 apresentou o que muitos consideram sua obra máxima: No Belo Danúbio Azul. Além dessas, Vinho, Mulher e Canção, de 1869, alcançou grande popularidade.

Com o surgimento da opereta, Strauss também cultivou esse gênero, com O Morcego, de 1874. Depois disso, o compositor foi inspirado pelo progresso industrial e científico da época, como atestam suas obras Quadrilha dos Motores e Eletromagnética, além de numerosas outras.

Em 3 de junho de 1899, faleceu em Viena, aos 74 anos, Johann Strauss Junior, coberto de glórias e sucessos, rico e cheio de títulos, considerado o segundo pop-star da história (o primeiro havia sido Franz Liszt).
 

 


 



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