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Natal - 2012


Pedro Franco
(podia ser Natalino Franco)

O que é o Natal? A maioria das crianças sabe responder e sem hesitações. Nascimento do Menino Jesus. E o Natal tem significados diversos, à proporção que o tempo de cada um passa. Alguns, que lamento, não podem se separar das perdas emocionais. Sofri também lacunas importantes até de parentes insubstituíveis. E, ainda assim, abrigo imensa ternura pelo Natal e recordo-me muito dos que já me deixaram. Sinto também saudades do menino que fui. Gostaria de tê-lo deixado intacto, ingênuo, pondo fé no Papai Noel e, alvoroçado, escrevendo a carta com pedido de presentes. Depois esperava. Envelheci, não mais escrevo aquelas cartas, ainda que ganhe muitos presentes afetivos, tantos quanto fiz por merecer, que Natal não é época de falsas modéstias. Há os que o fazem festa de compras apenas e apregoam que só vale quem tem. Para estes o Natal é meramente argentário e alguns até descreem dele, face ao aparato comercial estabelecido. Não é a mídia que vai fazer arrefecer minha verdadeira devoção natalina. Para cada abraço social, recebo e dou muitos plenos de alegria, bons votos sinceros e de coração. E o âmago do meu significado para o Natal? Combinei com quem tive a ventura de casar, que a Ceia de Natal seria em nossa casa. E, graças ao Bom Deus, é e com decoração no capricho e ceia idem. Então para você o Natal é o amor, com quem, há quatro anos, comemorou bodas de ouro? Afirmo, é e não é. Porque Natal é até mais. Explico-me. Há filhos e netos e os filhos, pelos casamentos, aumentaram a Família. Então Natal é a emoção de ter filhos e netos em volta na Ceia. De novo é e não é. Complicado então! Não é apenas ter junto a Família, que inspira minha Festa, ainda que sejam todos absolutamente indispensáveis. Ceia alegre, jogral de ótimo texto religioso escolhido anualmente pelo filho (e por sabedoria nunca foi escolhido texto de minha autoria) para ser lido na Ceia. E não é só isto? É mais. É algo místico, onde a ingenuidade anterior defronta-se com a realidade. Saudades misturam-se a sorrisos, às esperanças agregam-se nostalgias do passado. Natal é período com base utópica e quimérica, onde o meu passado, o nosso passado, imbrica-se com o presente e aparecem vislumbres do futuro de cada um de nós. E se somos nós dois, filhos e netos no momento da Ceia, familiares e amigos saudosos estão continuamente lembrados. Falando das amizades chego, assim creio, ao âmago do meu Natal. A Família. Nela encadeiam-se os laços de sangue e os de amizade. O sentimento de fraternidade é a expressão mais legítima do Natal. E sabe qual é a vantagem desta visão global e futura? Agregar a família e passar esta noção de congraçamento pelos próximos trezentos e sessenta e cinco dias. Exagero? Quem sabe? Garimpo o desejo que a sensibilidade da Festa, aflorada no período, acompanhe-nos, porque, se a chama familiar e suas benesses acenderam-se no Natal, devem perdurar durante o ano seguinte. Enfim, acredito que Jesus estava com sua família ao nascer e vieram amigos, representados pelos Reis Magos, anunciados pela Estrela de Belém e congraçados até com os animais do estábulo. A lição foi simples e profunda, e todos festejaram o Nascimento. Então Natal tem seu maior significado na Família, que nestes dias turbulentos pode fazer enorme falta e sob todos os aspectos. Feliz Natal e lute por criar raízes natalinas, familiares, imorredouras. A Família não precisa ser multidão. É mais afeto que número de convivas, mais amor que caros presentes, ainda que nada tenha contra os mesmos. Apesar de tudo e das inúmeras dificuldades da vida, desejo um Feliz Natal e que 2013 carregue os sentimentos positivos, que embalaram os dias vinte quatro e vinte cinco deste dezembro de 2012.

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