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Divagações Sobre o Natal


Sarita Barros


Quando chega dezembro as pessoas vão se ouriçando. Natal, peru, festa, presentes. Os que podem, é claro. Os outros... bem os outros... sei não. Que o Natal há muito deixou de ser NATAL, para ser natal. Uma festa da mídia e do comércio. Uma festa do Mercado. Mas não sou contra não. Sempre há lugar para a paz. Por um motivo ou outro, Jesus, anjos, Maria e José vêm à tona junto a Papai Noel, renas, Reis Magos, panela de pressão, viagens, cornetas, bonecas, brilhantes e cartiers. Oh! Ia esquecendo carros, lembrancinhas, amigos secretos, bacalhoadas e churrascadas.

Sou de Natal. Data bem chatinha para comemorações particulares. Quando criança era só frustração, pois o presente vinha casado, um valendo dois. Festinha reduzida. Havia festa na casa de todos. Agora a frustração acabou, aproveito o 24. Decretei que depois da meia noite passa ser meu aniversário. Faço festa casada, uma valendo duas. Sai mais em conta e, no dia seguinte, todos ficamos em paz.

Nesta época a solidariedade vem à baila: “Natal sem fome. Nenhuma criança sem presente. Faça uma criança feliz”. Também existem aqueles que se aproveitam da boa vontade alheia em proveito próprio. Estarão errados? Houve tempo em que os condenei. Mas, se uma pessoa sai a pedir para os necessitados e fica como o produto arrecadado, é porque necessita, senão por que se daria a esse trabalho? Sei de várias que assim o fazem. Têm uma vida aparentemente sem carência material. Existem carências outras. Carinho, amor, companhia, sorriso, valorização, auto estima. Essas privações talvez sejam tão ou mais desesperadoras.

Natal. Sinos, alegria, sorriso, lágrimas, solidão, companhia, tristeza. Natal. Bebedeira, morte, doença, hospital. Natal. Retiro, jejum, prece, meditação. Cada pessoa faz o seu. Segundo suas crenças, contingências, atitudes e circunstâncias.

E o presépio? Jesus Menino na manjedoura. A Sagrada Família. Os pastores e os animais junto aos Reis Magos. Um mundo de Paz e Magia. Universo cheio de Graça e Amor. Um mundo em extinção? Creio que não. Existe muito amor, paz, solidariedade espalhados nesta Terra de Deus.

Se cultivarmos paz, amor, compaixão, tolerância, honestidade e contentamento no secreto de nós, o mundo muda. Como exigir dos outros o que não somos capazes de sustentar? Se desamor, ira, inveja, rancor são as flores que apreciamos bem lá no escondido da alma, como querer harmonia e felicidade no universo circundante?

Façamos de nosso coração um presépio onde o Deus Menino reine absoluto. Talvez seja esse o sentido do cântico angelical: “Hosana a Deus nas alturas e Paz na Terra aos homens de Boa-Vontade”..


 

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