Tecelãs fazem sucesso tecendo como nos tempos das avós
Bicentenário da Chegada de D. João ao Rio
PARTE IMPORTANTE DO IDEÁRIO
FEMININO, O VESTIDO DE NOIVA TEM EXPOSIÇÃO NO TUCA

Bicentenário da Chegada de D. João ao Rio
Exposição e palestra em Paquetá marcam 200 anos da vinda de Dom João
A Biblioteca Popular Municipal Joaquim Manoel de Macedo, em Paquetá, celebra
este mês os 200 anos da Chegada da Família Real portuguesa ao Brasil através do
Projeto Dom João VI, que reúne uma exposição literária e uma palestra sobre o
tema.
A exposição literária fica aberta ao público a partir das 8h30 de quinta-feira,
dia 6, e a palestra será às 13h, também com entrada franca, na Rua Príncipe
Regente 55 (a biblioteca está instalada no Solar Del-Rey, usada por D. João VI
durante suas freqüentes visitas ao bairro), que mantém exposição histórica
permanente sobre o Solar e a Ilha de Paquetá.
Exposição no Centro mostra o Rio de Janeiro deixado por D. João
O Centro de Referência da Educação Pública (Crep) inaugura, na segunda-feira,
dia 10, a exposição O Rio de Janeiro de D. João: 1808-2008, com fotos antigas e
recentes de espaços construídos para abrigar a Corte portuguesa e que continuam
presentes no dia-a-dia da cidade. Entre os locais retratados estão a Quinta da
Boa Vista, o Jardim Botânico e o Paço Imperial.
A exposição ficará aberta à visitação até novembro, com entrada franca, de
segunda a sexta-feira, das 10h às 17h. O Crep fica na Avenida Presidente Vargas
1.314. Professores interessados em levar alunos devem agendar visita pelo
telefone 2253-0365.
Família Real portuguesa é tema de programa de TV da MultiRio
A Empresa Municipal de Multimeios (MultiRio), vinculada à Secretaria Municipal
de Educação, apresenta no dia 13, às 14h30, na TV Bandeirantes, o programa
especial Família Real: Mudanças no Brasil e no Rio, com entrevistas ao vivo. A
programação da MultiRio é divulgada às quartas-feiras na última página do Diário
Oficial do Município, e pode ser consultada na página da instituição na Internet
http://www.multirio.rj.gov.br.
Prefeitura realiza a programação Rio 200 Anos - A Coroa é Feminina
A Prefeitura do Rio iniciou as atividades da série de eventos Rio 200 Anos - A
Coroa é Feminina, realizada em parceria entre o Rio Mulher e o Centro de Artes
Calouste Gulbenkian. A iniciativa, que promoverá diversas atividades até o final
de março, comemora o Dia Internacional da Mulher (8 de março), o Bicentenário da
Chegada da Família Real e os 139 anos de Calouste Gulbenkian, patrono do Centro
de Artes localizado próximo à Praça 11.
Agenda cultural gratuita
Exposição: Livros – A artista-plástica e poeta visual Helena Trindade ocupará
todas as salas e escadarias do centro cultural com cinco grandes instalações reunindo colagens, fotos e desenhos, duas salas de vídeo e um ambiente com
objetos – tudo para mostrar as diferentes maneiras de se relacionar com os
livros; Biblioteca Encarnada, Sala em Branco, Biblioteca Negra, Conversa na
Escadaria e Quarto do Oráculo são os nomes de alguns dos espaços. De terça-feira
a sábado das 10h às 10h, domingos das 10h às 18h, no Centro Cultural Municipal Oduvaldo Vianna Filho (Castelinho do Flamengo – Praia do Flamengo, 158).
Abertura da mostra.
Exposição: Passarelas de Imagina Som – O artista visual francês Cyril Hernandez
mostra suas instalações, compostas por móbiles interativos que produzem diversos
efeitos visuais e sonoros; as peças estão instaladas nos jardins do centro
cultural. De terça-feira a domingo, das 8h às 20h, no Centro Cultural Municipal
Parque das Ruínas (Rua Murtinho Nobre, 169 – Santa Teresa). Abertura da mostra.
Sarau no Castelinho – Evento em parceria com a Associação de Violão do Rio de
Janeiro, com a participação de seus filiados e “canjas” de quaisquer
instrumentistas interessados, basta levar o violão e a disposição para trocar
idéias; este mês haverá também palestra com o pesquisador Bruno Correia, sobre O
Repertório e os Instrumentos do Renascimento. A partir das 15h, no Centro
Cultural Municipal Oduvaldo Vianna Filho (Castelinho do Flamengo – Praia do
Flamengo, 158).
Música no Museu/ Santa Teresa – Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, a
pianista Fernanda Canaud apresenta repertório de compositoras, que inclui
Chiquinha Gonzaga, Olívia Hime e obras de sua autoria. Às 11h, no Centro
Cultural Municipal Parque das Ruínas (Rua Murtinho Nobre, 169 – Santa Teresa).
Reapresentação no domingo (dia 9).
Museu da Cidade – O museu abriu ao público seu acervo de documentos, fotos e
gravuras que recontam a história do Rio de Janeiro desde a sua fundação por
Estácio de Sá, em 1º de março de 1565; Os visitantes poderão ver também a
exposição permanente em homenagem ao Prefeito Pedro Ernesto (1931-1936), criador
do Museu, que reúne móveis, documentos, fotos, condecorações e outros itens
cedidos por sua neta, Maria Helena Mossé. De terça a sexta-feira das 10h às 16h,
e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 15h, no Museu Histórico da Cidade
do Rio (Estrada Santa Marinha s/nº, prolongamento da Rua Marquês de São Vicente
– Gávea).

PARTE IMPORTANTE DO IDEÁRIO FEMININO, O VESTIDO DE NOIVA TEM EXPOSIÇÃO NO TUCA
Na exposição Vestidos de Noiva – no domínio da fantasia e do imaginário,
obras criadas por artistas mostram o vestido de noiva nas mais variadas formas e
materiais.
Durante os dias 11 a 31 de março, no Teatro Tuca, em São Paulo, o
vestido de noiva vai merecer uma exposição onde artistas especialmente
convidados pela Associação Brasileira dos Artistas Plásticos de Colagem (ABAPC)
criaram vários modelos em diversos materiais, explorando essa peça que, como
poucas, tem uma relação íntima com a história da mulher.
As
festas de casamento, que representam um dos principais acontecimentos
comunitários, estão presentes em todas as culturas e civilizações. Os casamentos
constituem uma festa coletiva de exaltação da Família, através da união entre os
esposos que são, afinal, os perpetuadores da espécie. A sua contribuição é
fundamental para o futuro e para o progresso físico e espiritual da sociedade.
A partir do final do século XVIII as noivas passaram a se vestir de branco,
imitando a moda da antiguidade clássica grega e romana. A cor branca vai
impor-se no casamento burguês durante o século seguinte, mas é fundamentalmente
depois de 1880 que se instala o uso da cor simbólica, ligada a pureza e a
inocência que se desejava para a jovem que contrairia o matrimônio. O vestido
manteve-se sempre comprido e o véu teve variações entre mais compridos e curtos.
É interessante verificar que nos anos 20, se procurou a conciliação entre o
vestido curto e a cauda comprida, optando-se por um véu de corte retangular de
aspecto monacal e sem rendas. Nos anos 30 o uso do branco generaliza-se a todas
as classes sociais.
Após a II Guerra, a tendência expressa-se marcadamente na elaboração de um
casamento e de um vestido de linha romântica. Esta imposição social é contestada
nos anos 70, época em que os modelos anticonformistas se combinam com a
tradição, do toucado com flor de laranjeira e do buquê de flores.
Hoje em dia está claramente absorvida a idéia de transformar a noiva numa
rainha, fato reafirmado pelos casamentos reais que exploram a noiva para o
domínio da fantasia e do imaginário. O final feliz é tão importante no cinema,
nos contos de fadas, como na eterna esperança de um paraíso possível. Deste
modo, a noiva assume o lugar destacado deste acontecimento e tanto nas
cerimônias religiosas como nas civis, o vestido de casamento transmite essa
idealização da figura da mulher, como mãe da humanidade.

Nesta exposição do Tuca, a arte contemporânea apropria-se de elementos do
cotidiano, destacando a união entre o sagrado e o profano. Mais do que
representações cênicas, as vestes constituem-se mitologias do objeto,
expressando a consciência individual, social, a dignidade humana e a submissão
em certos aspectos, capaz de revelar os complexos problemas da mulher em geral.
Artistas convidados
Para esta exposição promovida pela ABAPC foram convidados os seguintes artistas:
Sheila Oliveira, Nino Millán, Carlos Dercoles, José Freire, Rosina D’Angina,
Barbara Schubert Spanoudis, Diana Mart, Lucas Cardoso, Jeane Eva, Wilson Lima,
Monica Nudelman, Adriana Riskallah, Ivan Porterro e Áurea Valentim.
Sobre a ABAPC
A Associação Brasileira dos Artistas Plásticos de Colagem (ABAPC) comemora seus
34 anos de existência, reunindo nomes conceituados e consagrados aos novos
talentos. A entidade surgiu da necessidade dos artistas interagirem. Robert
Richard, seu atual presidente e fundador, utilizou a técnica da colagem quando
começou a se interessar e estudar arte, mas foi na juventude que começou a
procurar artistas que praticassem a mesma modalidade. A entidade já promoveu
mostras em locais como MASP, MIS, Paço das Artes, Museu Guído Viário e Museu da
Casa Brasileira, além de galerias e espaços culturais alternativos.
VESTIDOS DE NOIVA – no domínio da fantasia e do imaginário
Teatro da Pontifícia Universidade Católica – TUCA
Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes
Visitação: 11 a 31 de março de 2008
2ª a 5ª e domingo, das 10h às 18h
6ª e sábado das 10h às 20h

Tecelãs fazem sucesso tecendo como nos tempos das avós
Dilma Tavares
Uma casa simples, aconchegante, com
mulheres tecendo em teares, dando dicas ou ensinando alguns pontos, numa
conversa tranqüila regada a chá, café fresco, biscoitos ou bolos caseiros. Esse
ambiente, que lembra os tempos de muitas avós ou bisavós, já é tradicional na
mística cidade de Alto Paraíso, na região da Chapada dos Veadeiros, em Goiás,
mas também pode ser vista em outras regiões do País, dependendo da ocasião.
É o estilo de trabalho do Grupo Tear Itinerante, composto por dez mulheres da
cidade e que integra o roteiro de visitas na Chapada do Veadeiros, desenvolvido
dentro do Programa de Roteirização do Turismo, realizado pelo Sebrae em Goiás em
parceria com os governos locais e o governo federal, via Programa Roteiros do
Brasil.
De acordo com o gerente de Negócios Culturais e Turismo do Sebrae em Goiás,
Décio Tavares Coutinho, esse roteiro está em atividade há cerca de seis meses e
já está ampliando a visita de turistas à região, especialmente de estrangeiros.
Ele será lançado oficialmente no Salão de Turismo - Roteiros do Brasil, que será
promovido pelo Ministério do Turismo, em São Paulo, de 2 a 6 de junho próximo.
Décio explicou que, além dos roteiros já praticados na Chapada dos Veadeiros -
como visitas a cachoeiras e regiões exuberantes como o Vale da Lua, com solo
rochoso parecendo a superfície lunar - foram agregadas visitas a "locais onde há
iniciativas desenvolvidas normalmente pelos moradores, que já fazem parte da
cultura local e ainda não conhecidas pelos visitantes", como nas áreas de
esoterismo, saúde e artesanato. É nesse contexto que entra o Grupo Tear
Itinerante.
Unindo fios e pessoas
Tudo começou com um curso de tear de pente liço - um tear manual que facilita o
aprendizado - ministrado, em 2002, por uma paranaense que foi morar em Alto
Paraíso, a cerca de 230 quilômetros de Brasília, e que adotou o nome de Gandhara
Prema. Junto com os ensinamentos, inseria incentivos ao empreendedorismo e ao
trabalho em grupo.
"Assim como não se tece com um único fio, a tecelagem típica da Chapada não pode
ser feita apenas por uma tecelã. É preciso que esse trabalho se estenda para a
comunidade", afirma Gandhara.
Em 2003, não só ela como algumas ex-alunas já estavam produzindo peças de forma
independente na cidade. Cada uma com seu estilo, mas todas com um ideal:
produzir um artesanato característico da Chapada dos Veadeiros. Conversa aqui,
conversa ali, concluíram que, para esse artesanato típico ganhar força e
divulgação, era preciso união de todas, mas mantendo a independência e estilos
próprios de cada uma. Surgia o grupo.
A estratégia foi apresentar os trabalhos conjuntamente, mas de forma itinerante,
trabalho facilitado pela utilização dos chamados teares de mesa, fáceis de
montar em qualquer lugar. Assim, dependendo do fluxo de turistas, levam peças
prontas e seus teares para a casa de uma das tecelãs, preparam uma mesa com café
fresco, biscoitos ou bolos caseiros, abrem as portas e começam a tecer e a
ensinar para quem vai visitá-las. E assim vão divulgando essa arte secular e
seus trabalhos.
Se o fluxo de turista for maior e demorar por um período mais longo, os
trabalhos também podem ser mostrados em um espaço alugado por determinado
período e, quando chamadas para participar de eventos em outras regiões do País,
lá vão elas com seus teares e peças. Instalam o ateliê em qualquer espaço e vão
tecendo, conversando, ensinando, divulgando, vendendo seus trabalhos e agendando
cursos para ensinar a tecer.
"O que mais me gratifica é a emoção das pessoas que, ao verem um tear e a gente
trabalhando, dizem lembrar que também viram avós ou bisavós tecendo dessa
forma", diz Jane Guper. Natural de São Paulo, há seis anos Jane foi visitar Alto
Paraíso. Encantou-se com a beleza dessa cidade mística energizada por
infinidades de cristais e acabou ficando.
Ocupou o tempo com o curso de tear e hoje integra o grupo e se envolve na
divulgação do trabalho que, afirma, é um resgate pessoal e de uma paixão que vem
de seus antecedentes judeus russos. Muitas vezes, conta, tece em meio à
natureza. "Já atravessei cachoeira carregando o tear. Mas, valeu. Produzi um
xale lindo, com as cores do arco-íris", lembra.
Típico da chapada
Mas o que é, exatamente, o que o grupo chama de tecelagem típica da Chapada dos
Veadeiros? Segundo Gandhara Prema e Jane Guper, é a busca pela utilização de
matéria-prima local, pelo resgate histórico, cultural, social e econômico
daquele povo e a tradução, nas peças de tecelagem, desse esforço e de cores,
energias, enfim, do espírito da região.
É assim, contam, que produzem desde xale a bolsas, blusas, tiaras e peças de
decoração que fazem sucesso no Brasil e no exterior, especialmente, em países da
Europa como França e Inglaterra, que visitam a região. Entre as formas de
resgate sócio-cultural da região está a utilização de alguns fios de algodão
produzidos por mulheres descendentes de escravos que ainda vivem no antigo
quilombo Kalunga, de Goiás, o maior do País, com uma população aproximada de
cinco mil pessoas.
Afro-descendente, uma das tecelãs, Arlete César dos Santos, optou por trabalhar
com essa matéria-prima, a qual agrega outros materiais como a chamada seda da
palmeira de buriti que, explica, é uma espécie de palha fina retirada do cume do
caule dessa palmeira. Ela conheceu melhor os fios de algodão artesanais ao
comprar alguns novelos para enfeitar a casa de uma pequena propriedade rural em
que morava, em Teresina de Goiás, um dos municípios abrangidos pelo quilombo
kalunga.
Tempos depois, morando em Alto Paraíso, apaixonou-se pela tecelagem, arte que
via sua avó executar. Aprendeu a tecer, ganhou um tear e, nas primeiras peças,
utilizou os restos dos novelos comprados dos kalungas. Desde então, não parou de
utilizar esse material que, hoje, já tem inovações.
"Começamos com o fio branco, agora estamos testando tingimento natural
utilizando pigmentos de produtos como urucum e açafrão", conta Arlete. Ela
explica que, embora mais difícil de trabalhar e mais caro do que os fios
industrializados, é um trabalho que compensa, pelo belo resultado rústico, pela
definição de identidade do produto e pelo alcance social.
"Isso dá uma ocupação e resgata a auto-estima, principalmente para as mulheres
kalungas mais velhas que, até pela idade, o oficio que podem fazer é fiar e
agora têm para quem vender", diz Arlete. "Sabendo que há tecelãs que compram
esses fios, os kalungas voltaram a plantar algodão e a fiar", afirma Jane Guper,
que dá outro exemplo prático. Com o dinheiro conseguido recentemente com a venda
de um carregamento de algodão, a calunga Deusamir dos Santos conseguiu comprar
um burrico .
"É um meio de transporte valioso para quem mora na região de quilombo poder
trazer para a cidade não só a linha como outros produtos que vende, como óleo de
coco, buriti e farinha de jatobá", lembra. "O ideal é que utilizemos só a
matéria-prima local, mas é trabalho que ainda está começando", diz Gandhara,
reforçando que a intenção e o trabalho do grupo é expandir a tecelagem
tradicional na região e com identidade própria da Chapada dos Veadeiros.