Ano 11 - Semana 571

 

Turismo permanente:

Rota do Escravo, em São Paulo




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Vietnã

 

Atualizado em 08/03/2008
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Tecelãs fazem sucesso tecendo como nos tempos das avós

Bicentenário da Chegada de D. João ao Rio

PARTE IMPORTANTE DO IDEÁRIO FEMININO, O VESTIDO DE NOIVA TEM EXPOSIÇÃO NO TUCA
 

Bicentenário da Chegada de D. João ao Rio

Exposição e palestra em Paquetá marcam 200 anos da vinda de Dom João
A Biblioteca Popular Municipal Joaquim Manoel de Macedo, em Paquetá, celebra este mês os 200 anos da Chegada da Família Real portuguesa ao Brasil através do Projeto Dom João VI, que reúne uma exposição literária e uma palestra sobre o tema.
A exposição literária fica aberta ao público a partir das 8h30 de quinta-feira, dia 6, e a palestra será às 13h, também com entrada franca, na Rua Príncipe Regente 55 (a biblioteca está instalada no Solar Del-Rey, usada por D. João VI durante suas freqüentes visitas ao bairro), que mantém exposição histórica permanente sobre o Solar e a Ilha de Paquetá.

Exposição no Centro mostra o Rio de Janeiro deixado por D. João
O Centro de Referência da Educação Pública (Crep) inaugura, na segunda-feira, dia 10, a exposição O Rio de Janeiro de D. João: 1808-2008, com fotos antigas e recentes de espaços construídos para abrigar a Corte portuguesa e que continuam presentes no dia-a-dia da cidade. Entre os locais retratados estão a Quinta da Boa Vista, o Jardim Botânico e o Paço Imperial.
A exposição ficará aberta à visitação até novembro, com entrada franca, de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h. O Crep fica na Avenida Presidente Vargas 1.314. Professores interessados em levar alunos devem agendar visita pelo telefone 2253-0365.


Família Real portuguesa é tema de programa de TV da MultiRio
A Empresa Municipal de Multimeios (MultiRio), vinculada à Secretaria Municipal de Educação, apresenta no dia 13, às 14h30, na TV Bandeirantes, o programa especial Família Real: Mudanças no Brasil e no Rio, com entrevistas ao vivo. A programação da MultiRio é divulgada às quartas-feiras na última página do Diário Oficial do Município, e pode ser consultada na página da instituição na Internet http://www.multirio.rj.gov.br.


Prefeitura realiza a programação Rio 200 Anos - A Coroa é Feminina
A Prefeitura do Rio iniciou as atividades da série de eventos Rio 200 Anos - A Coroa é Feminina, realizada em parceria entre o Rio Mulher e o Centro de Artes Calouste Gulbenkian. A iniciativa, que promoverá diversas atividades até o final de março, comemora o Dia Internacional da Mulher (8 de março), o Bicentenário da Chegada da Família Real e os 139 anos de Calouste Gulbenkian, patrono do Centro de Artes localizado próximo à Praça 11.



Agenda cultural gratuita

Exposição: Livros – A artista-plástica e poeta visual Helena Trindade ocupará todas as salas e escadarias do centro cultural com cinco grandes instalações reunindo colagens, fotos e desenhos, duas salas de vídeo e um ambiente com objetos – tudo para mostrar as diferentes maneiras de se relacionar com os livros; Biblioteca Encarnada, Sala em Branco, Biblioteca Negra, Conversa na Escadaria e Quarto do Oráculo são os nomes de alguns dos espaços. De terça-feira a sábado das 10h às 10h, domingos das 10h às 18h, no Centro Cultural Municipal Oduvaldo Vianna Filho (Castelinho do Flamengo – Praia do Flamengo, 158). Abertura da mostra.


Exposição: Passarelas de Imagina Som – O artista visual francês Cyril Hernandez mostra suas instalações, compostas por móbiles interativos que produzem diversos efeitos visuais e sonoros; as peças estão instaladas nos jardins do centro cultural. De terça-feira a domingo, das 8h às 20h, no Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas (Rua Murtinho Nobre, 169 – Santa Teresa). Abertura da mostra.
Sarau no Castelinho – Evento em parceria com a Associação de Violão do Rio de Janeiro, com a participação de seus filiados e “canjas” de quaisquer instrumentistas interessados, basta levar o violão e a disposição para trocar idéias; este mês haverá também palestra com o pesquisador Bruno Correia, sobre O Repertório e os Instrumentos do Renascimento. A partir das 15h, no Centro Cultural Municipal Oduvaldo Vianna Filho (Castelinho do Flamengo – Praia do Flamengo, 158).
Música no Museu/ Santa Teresa – Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, a pianista Fernanda Canaud apresenta repertório de compositoras, que inclui Chiquinha Gonzaga, Olívia Hime e obras de sua autoria. Às 11h, no Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas (Rua Murtinho Nobre, 169 – Santa Teresa). Reapresentação no domingo (dia 9).


Museu da Cidade – O museu abriu ao público seu acervo de documentos, fotos e gravuras que recontam a história do Rio de Janeiro desde a sua fundação por Estácio de Sá, em 1º de março de 1565; Os visitantes poderão ver também a exposição permanente em homenagem ao Prefeito Pedro Ernesto (1931-1936), criador do Museu, que reúne móveis, documentos, fotos, condecorações e outros itens cedidos por sua neta, Maria Helena Mossé. De terça a sexta-feira das 10h às 16h, e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 15h, no Museu Histórico da Cidade do Rio (Estrada Santa Marinha s/nº, prolongamento da Rua Marquês de São Vicente – Gávea).

 


PARTE IMPORTANTE DO IDEÁRIO FEMININO, O VESTIDO DE NOIVA TEM EXPOSIÇÃO NO TUCA



Na exposição Vestidos de Noiva – no domínio da fantasia e do imaginário, obras criadas por artistas mostram o vestido de noiva nas mais variadas formas e materiais.


Durante os dias 11 a 31 de março, no Teatro Tuca, em São Paulo, o vestido de noiva vai merecer uma exposição onde artistas especialmente convidados pela Associação Brasileira dos Artistas Plásticos de Colagem (ABAPC) criaram vários modelos em diversos materiais, explorando essa peça que, como poucas, tem uma relação íntima com a história da mulher.

As festas de casamento, que representam um dos principais acontecimentos comunitários, estão presentes em todas as culturas e civilizações. Os casamentos constituem uma festa coletiva de exaltação da Família, através da união entre os esposos que são, afinal, os perpetuadores da espécie. A sua contribuição é fundamental para o futuro e para o progresso físico e espiritual da sociedade.

A partir do final do século XVIII as noivas passaram a se vestir de branco, imitando a moda da antiguidade clássica grega e romana. A cor branca vai impor-se no casamento burguês durante o século seguinte, mas é fundamentalmente depois de 1880 que se instala o uso da cor simbólica, ligada a pureza e a inocência que se desejava para a jovem que contrairia o matrimônio. O vestido manteve-se sempre comprido e o véu teve variações entre mais compridos e curtos.

É interessante verificar que nos anos 20, se procurou a conciliação entre o vestido curto e a cauda comprida, optando-se por um véu de corte retangular de aspecto monacal e sem rendas. Nos anos 30 o uso do branco generaliza-se a todas as classes sociais.

Após a II Guerra, a tendência expressa-se marcadamente na elaboração de um casamento e de um vestido de linha romântica. Esta imposição social é contestada nos anos 70, época em que os modelos anticonformistas se combinam com a tradição, do toucado com flor de laranjeira e do buquê de flores.

Hoje em dia está claramente absorvida a idéia de transformar a noiva numa rainha, fato reafirmado pelos casamentos reais que exploram a noiva para o domínio da fantasia e do imaginário. O final feliz é tão importante no cinema, nos contos de fadas, como na eterna esperança de um paraíso possível. Deste modo, a noiva assume o lugar destacado deste acontecimento e tanto nas cerimônias religiosas como nas civis, o vestido de casamento transmite essa idealização da figura da mulher, como mãe da humanidade.

Nesta exposição do Tuca, a arte contemporânea apropria-se de elementos do cotidiano, destacando a união entre o sag
rado e o profano. Mais do que representações cênicas, as vestes constituem-se mitologias do objeto, expressando a consciência individual, social, a dignidade humana e a submissão em certos aspectos, capaz de revelar os complexos problemas da mulher em geral.

Artistas convidados

Para esta exposição promovida pela ABAPC foram convidados os seguintes artistas: Sheila Oliveira, Nino Millán, Carlos Dercoles, José Freire, Rosina D’Angina, Barbara Schubert Spanoudis, Diana Mart, Lucas Cardoso, Jeane Eva, Wilson Lima, Monica Nudelman, Adriana Riskallah, Ivan Porterro e Áurea Valentim.


Sobre a ABAPC

A Associação Brasileira dos Artistas Plásticos de Colagem (ABAPC) comemora seus 34 anos de existência, reunindo nomes conceituados e consagrados aos novos talentos. A entidade surgiu da necessidade dos artistas interagirem. Robert Richard, seu atual presidente e fundador, utilizou a técnica da colagem quando começou a se interessar e estudar arte, mas foi na juventude que começou a procurar artistas que praticassem a mesma modalidade. A entidade já promoveu mostras em locais como MASP, MIS, Paço das Artes, Museu Guído Viário e Museu da Casa Brasileira, além de galerias e espaços culturais alternativos.


VESTIDOS DE NOIVA – no domínio da fantasia e do imaginário
Teatro da Pontifícia Universidade Católica – TUCA
Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes
Visitação: 11 a 31 de março de 2008
2ª a 5ª e domingo, das 10h às 18h
6ª e sábado das 10h às 20h

 


 

Tecelãs fazem sucesso tecendo como nos tempos das avós

Dilma Tavares

Uma casa simples, aconchegante, com mulheres tecendo em teares, dando dicas ou ensinando alguns pontos, numa conversa tranqüila regada a chá, café fresco, biscoitos ou bolos caseiros. Esse ambiente, que lembra os tempos de muitas avós ou bisavós, já é tradicional na mística cidade de Alto Paraíso, na região da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, mas também pode ser vista em outras regiões do País, dependendo da ocasião.

É o estilo de trabalho do Grupo Tear Itinerante, composto por dez mulheres da cidade e que integra o roteiro de visitas na Chapada do Veadeiros, desenvolvido dentro do Programa de Roteirização do Turismo, realizado pelo Sebrae em Goiás em parceria com os governos locais e o governo federal, via Programa Roteiros do Brasil.

De acordo com o gerente de Negócios Culturais e Turismo do Sebrae em Goiás, Décio Tavares Coutinho, esse roteiro está em atividade há cerca de seis meses e já está ampliando a visita de turistas à região, especialmente de estrangeiros. Ele será lançado oficialmente no Salão de Turismo - Roteiros do Brasil, que será promovido pelo Ministério do Turismo, em São Paulo, de 2 a 6 de junho próximo.

Décio explicou que, além dos roteiros já praticados na Chapada dos Veadeiros - como visitas a cachoeiras e regiões exuberantes como o Vale da Lua, com solo rochoso parecendo a superfície lunar - foram agregadas visitas a "locais onde há iniciativas desenvolvidas normalmente pelos moradores, que já fazem parte da cultura local e ainda não conhecidas pelos visitantes", como nas áreas de esoterismo, saúde e artesanato. É nesse contexto que entra o Grupo Tear Itinerante.


Unindo fios e pessoas


Tudo começou com um curso de tear de pente liço - um tear manual que facilita o aprendizado - ministrado, em 2002, por uma paranaense que foi morar em Alto Paraíso, a cerca de 230 quilômetros de Brasília, e que adotou o nome de Gandhara Prema. Junto com os ensinamentos, inseria incentivos ao empreendedorismo e ao trabalho em grupo.

"Assim como não se tece com um único fio, a tecelagem típica da Chapada não pode ser feita apenas por uma tecelã. É preciso que esse trabalho se estenda para a comunidade", afirma Gandhara.

Em 2003, não só ela como algumas ex-alunas já estavam produzindo peças de forma independente na cidade. Cada uma com seu estilo, mas todas com um ideal: produzir um artesanato característico da Chapada dos Veadeiros. Conversa aqui, conversa ali, concluíram que, para esse artesanato típico ganhar força e divulgação, era preciso união de todas, mas mantendo a independência e estilos próprios de cada uma. Surgia o grupo.

A estratégia foi apresentar os trabalhos conjuntamente, mas de forma itinerante, trabalho facilitado pela utilização dos chamados teares de mesa, fáceis de montar em qualquer lugar. Assim, dependendo do fluxo de turistas, levam peças prontas e seus teares para a casa de uma das tecelãs, preparam uma mesa com café fresco, biscoitos ou bolos caseiros, abrem as portas e começam a tecer e a ensinar para quem vai visitá-las. E assim vão divulgando essa arte secular e seus trabalhos.

Se o fluxo de turista for maior e demorar por um período mais longo, os trabalhos também podem ser mostrados em um espaço alugado por determinado período e, quando chamadas para participar de eventos em outras regiões do País, lá vão elas com seus teares e peças. Instalam o ateliê em qualquer espaço e vão tecendo, conversando, ensinando, divulgando, vendendo seus trabalhos e agendando cursos para ensinar a tecer.

"O que mais me gratifica é a emoção das pessoas que, ao verem um tear e a gente trabalhando, dizem lembrar que também viram avós ou bisavós tecendo dessa forma", diz Jane Guper. Natural de São Paulo, há seis anos Jane foi visitar Alto Paraíso. Encantou-se com a beleza dessa cidade mística energizada por infinidades de cristais e acabou ficando.

Ocupou o tempo com o curso de tear e hoje integra o grupo e se envolve na divulgação do trabalho que, afirma, é um resgate pessoal e de uma paixão que vem de seus antecedentes judeus russos. Muitas vezes, conta, tece em meio à natureza. "Já atravessei cachoeira carregando o tear. Mas, valeu. Produzi um xale lindo, com as cores do arco-íris", lembra.

Típico da chapada

Mas o que é, exatamente, o que o grupo chama de tecelagem típica da Chapada dos Veadeiros? Segundo Gandhara Prema e Jane Guper, é a busca pela utilização de matéria-prima local, pelo resgate histórico, cultural, social e econômico daquele povo e a tradução, nas peças de tecelagem, desse esforço e de cores, energias, enfim, do espírito da região.

É assim, contam, que produzem desde xale a bolsas, blusas, tiaras e peças de decoração que fazem sucesso no Brasil e no exterior, especialmente, em países da Europa como França e Inglaterra, que visitam a região. Entre as formas de resgate sócio-cultural da região está a utilização de alguns fios de algodão produzidos por mulheres descendentes de escravos que ainda vivem no antigo quilombo Kalunga, de Goiás, o maior do País, com uma população aproximada de cinco mil pessoas.

Afro-descendente, uma das tecelãs, Arlete César dos Santos, optou por trabalhar com essa matéria-prima, a qual agrega outros materiais como a chamada seda da palmeira de buriti que, explica, é uma espécie de palha fina retirada do cume do caule dessa palmeira. Ela conheceu melhor os fios de algodão artesanais ao comprar alguns novelos para enfeitar a casa de uma pequena propriedade rural em que morava, em Teresina de Goiás, um dos municípios abrangidos pelo quilombo kalunga.

Tempos depois, morando em Alto Paraíso, apaixonou-se pela tecelagem, arte que via sua avó executar. Aprendeu a tecer, ganhou um tear e, nas primeiras peças, utilizou os restos dos novelos comprados dos kalungas. Desde então, não parou de utilizar esse material que, hoje, já tem inovações.

"Começamos com o fio branco, agora estamos testando tingimento natural utilizando pigmentos de produtos como urucum e açafrão", conta Arlete. Ela explica que, embora mais difícil de trabalhar e mais caro do que os fios industrializados, é um trabalho que compensa, pelo belo resultado rústico, pela definição de identidade do produto e pelo alcance social.

"Isso dá uma ocupação e resgata a auto-estima, principalmente para as mulheres kalungas mais velhas que, até pela idade, o oficio que podem fazer é fiar e agora têm para quem vender", diz Arlete. "Sabendo que há tecelãs que compram esses fios, os kalungas voltaram a plantar algodão e a fiar", afirma Jane Guper, que dá outro exemplo prático. Com o dinheiro conseguido recentemente com a venda de um carregamento de algodão, a calunga Deusamir dos Santos conseguiu comprar um burrico .

"É um meio de transporte valioso para quem mora na região de quilombo poder trazer para a cidade não só a linha como outros produtos que vende, como óleo de coco, buriti e farinha de jatobá", lembra. "O ideal é que utilizemos só a matéria-prima local, mas é trabalho que ainda está começando", diz Gandhara, reforçando que a intenção e o trabalho do grupo é expandir a tecelagem tradicional na região e com identidade própria da Chapada dos Veadeiros.


 

 




Direção
LUIZ CARLOS GUEDES
guedes@riototal.com.br