Tesouros dos mares vêm à tona no Rio
O Paço Imperial está lá tal qual nos tempos de D. Maria I, "A Louca". Está lá também a fonte do Mestre Valentim, do mesmo jeitinho do Século XVIII, quando abastecia os barcos na Baía de Guanabara. Agora chegou a
galeota de D. João VI, para completar a viagem no tempo em torno do primeiro porto do Rio, a atual Praça XV. Tudo isso e muito mais está no
Centro Cultural da Marinha, construído no antigo cais da Alfândega do Rio de
Janeiro, sobre área aterrada na segunda metade do século XIX.
A
galeota, com 24 metros de comprimento para 11 remadores em cada bordo, levando na popa uma cabine forrada de veludo para a família Imperial, reformada, é a maior atração do local. Construída
em Salvador em 1808, por ocasião da vinda da Família Real portuguesa para o
Brasil e trazida para o Rio em 1809, foi usada até os primeiros governos
republicanos para deslocamentos pela baía de Guanabara. Esse modelo não tem
similares em toda a América.
Nesta viagem no tempo, o Centro Cultural da Marinha apresenta uma grande quantidade de astrolábios, quadrantes, bússolas primitivas e outros instrumentos de navegação usados no passado; mapas e globos terrestres desenhados ainda sem o continente americano, com base na concepção do mundo de antes das descobertas.
A história da evolução das velas é ilustrada com modelos da vela quadrada, usada pelos europeus, e das velas triangulares, batizadas depois de latinas, inventadas pelos árabes e posteriormente utilizadas por espanhóis e portugueses para vencer os ventos contrários nas grandes descobertas.
O setor dedicado aos naufrágios é um dos mais interessantes. Porcelanas, moedas, utensílios de cozinha e mesa, além de santos e cruzes de bolso, fazem parte do que foi recuperado de alguns naufrágios na costa brasileira.
As miniaturas das caravelas e galeões são um capítulo à parte. Uma delas reproduz com exatidão as peças de artilharia dos navios holandeses que lutaram nos mares do Brasil nos séculos XVI e XVII.
A história da navegação é contada por meio de maquetes desde os tempos em que troncos faziam o papel de canoas. Um passeio pelas diversas regiões do País mostra os pratos típicos de cada lugar: os regatões do Amazonas, os batelões da Lagoa dos Patos e as jangadas do Nordeste.
A grande atração, porém, está atracada no lado de fora: o
contra-torpedeiro Bauru, aposentado da Marinha do Brasil, faz a viagem no tempo passar pela Segunda Guerra Mundial, onde serviu na Força Naval do Nordeste.
Ele ainda recebe a companhia do submarino Amazonas e do rebocador Laurindo
Pitta. O rebocador
faz a ligação entre o Centro Cultural e a Ilha Fiscal - a antiga sede da Alfândega, um dos raros prédios góticos do Rio, que foi cenário do último baile do Império.
Espaço Cultural da Marinha
Av. Alfredo Agache (em frente à Av. Presidente Vargas)
Tel: (21) 2216-6025
Horário: das 12:00h às 16:30h
Navio Bauru: de terça-feira a sexta-feira, das 12:00h às 16h30min; sábados e domingos das 10:00h às 16:00h
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da Revista
Rio Total