Paquetá,
a Ilha dos Amores


Entre outros encantos, a Baía de Guanabara abriga uma ilha de 1.096.100m2
de extensão que proíbe o tráfego de veículos, para permitir
que bicicletas e charretes se locomovam em suas ruas revestidas de saibro
e coloridas pelos flamboyants.
Paquetá deve seu nome aos índios Tamoios, de dialeto Tupi, seus primeiros
habitantes, que assim batizaram a ilha por ser um "lugar habitado por
pacas e etás" - abundantes na época.
André Thevet, cosmógrafo da expedição de Villegaignon - que esteve pela
ilha com a missão de fundar a França Antártica, em 1555 - foi quem
registrou a descoberta de Paquetá. Formalmente reconhecida em 18 de
dezembro de 1556, hoje tem o nome oficial de "Freguesia do Senhor
Bom Jesus do Monte da Ilha de Paquetá".
Paquetá foi também um dos principais focos da resistência Francesa à
expedição de Estácio de Sá, que tinha como uma de suas principais missões
expulsar os franceses: os portugueses aliados aos Temiminós do Cacique
Araribóia contra os franceses aliados aos Tamoios do Cacique Guaixará.
Nas águas de Paquetá ocorreu uma das principais batalhas da vitória
Portuguesa, com a morte do líder Tamoio Guaixará.
No ano da fundação
da Cidade do Rio de Janeiro (1565), Estácio de Sá incluiu Paquetá nas terras doadas a seus aliados, sob forma de
duas Sesmarias: a parte norte da Ilha,
hoje o bairro do campo, doada a Inácio de Bulhões e a parte sul, bairro da
ponte, doada a Fernão Valdez.

A chegada de D. João VI a Paquetá, em 1808, ocorreu após uma tempestade na Baía de Guanabara em que o
galeão de Dom João VI atracou na Ilha. Deslumbrado com sua beleza, o
Príncipe Regente chamou-a de "Ilha dos Amores", dela fazendo seu
local preferido para as férias de verão.
Paquetá assumiu, então, o papel de centro político. Vários nobres e personalidades
importantes passaram a freqüentar, ou mesmo morar em Paquetá. Destaca-se a presença de José Bonifácio de Andrada e
Silva, o Patriarca da Independência, que em 1829 afastou-se da Corte por
motivos políticos, nela se exilando. José Bonifácio, perseguido
e combatido por defender o fim da escravidão e do latifúndio, foi mantido
preso, a partir de 1833 e até completar 70 anos, em sua casa na ilha de
Paquetá.
O transporte regular aquaviário na Baía de Guanabara foi iniciado em 1853,
com a criação da "Companhia de Navegação de Nichteroy", empresa
privada que fazia o transporte de passageiros entre o Rio de Janeiro e
Niterói,
utilizando apenas três embarcações.
Paquetá é um lugar pitoresco e aprazível. O acesso à ilha é feito em
barcas, catamarãs e aerobarcos
que partem do cais da Praça Quinze, no Centro do Rio, em horários diversos.

A vegetação é tropical, com coqueiros e árvores preservadas por sua
importância na paisagem da ilha. Paquetá abriga um dos vinte únicos
exemplares brasileiros do baobá - árvore originária da África, que ficou
conhecida pelos moradores como "Maria Gorda". Outra árvore característica
de Paquetá é o flamboyant, alguns com mais de cem anos.
Famílias de sagüis e garças
pousadas serenamente nas pedras redondas são também grandes atrativos da
ilha.
As praias são calmas e entre os passeios mais interessantes estão o Parque Darke
de Mattos e a Pedra da Moreninha (localizada no final da Praia da Guarda,
passou a ser conhecida por este nome depois que Joaquim Manuel de Macedo a
utilizou como cenário de seu famoso romance - "A Moreninha") .

A ilha também tem um mirante, que fica no Morro da Cruz, de onde se tem um
panorama parcial da ilha.
Ao final da tarde, nada mais romântico do que
passear de pedalinho assistindo ao pôr-do-sol da Baía de Guanabara ou
namorar em um de seus inúmeros bancos que ficam à beira da praia.
A Gruta dos Amores - lenda
Era no tempo dos Tamoios que Itanhantã ia em sua ubá - espécie de canoa
usada pelos índios - pescar e caçar na Ilha de Paquetá. Depois, ele sempre
repousava no aconchego de uma gruta.
Uma indiazinha, chamada Poranga, ia diariamente encontrar Itanhantã, mas
ele não lhe dava a mínima atenção. Todos os dias Poranga subia na gruta e
cantava, esperando Itanhantã chegar, pescar, caçar e descansar. E todos os
dias suas lágrimas caíam na pedra.
O canto e o choro de Poranga não amoleceram o coração de Itanhantã, mas
suas lágrimas conseguiram abrir um buraco na pedra e, certo dia, caíram
sobre os olhos do caçador adormecido. Ele se assustou e saiu correndo para
a sua ubá, quando avistou Poranga e disse: "Cunhã-Porã" - moça linda em
Tupi.
No dia seguinte, ao voltar ao seu local de descanso, Itanhantã reparou a
linda voz da indiazinha e apaixonou-se por ela. Os dois foram felizes pelo
resto de suas vidas. E as lágrimas de Poranga se transformaram na fonte
que existe até hoje na Gruta dos Amores.
Dizem que quem quiser encontrar um amor para a vida inteira, basta beber
da fonte da Gruta dos Amores, junto com a pessoa amada.
Monumentos:
Paquetá abriga edifícios históricos, como a Igreja de São Roque, o Solar
del Rey e a Casa de José Bonifácio.
No início do século XVII foi construída a capela consagrada a São Roque,
padroeiro da Ilha. Anos mais tarde, foi erguida a Igreja da Matriz do
Senhor Bom Jesus do Monte. E, em 1833, Paquetá deixou de fazer parte da
Freguesia de Magé, passando a pertencer à Corte (Rio de Janeiro). Em 1938
o Solar d'El Rey foi tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional e, em 1965, transformado no Museu de
Artes e Tradições Paquetaenses tornando-se, em 1977, sede da Biblioteca
Popular de Paquetá.
Fotos de Luiz Anciães
www.artefotos.fot.br
Horário das
Barcas e aerobarcos - veja aqui.
Mapa da
localização de Paquetá.
Conheça mais sobre Paquetá no
Projeto Pró-Memória da Ilha de Paquetá
,
que apresenta fotos antigas e algumas raridades
sobre a história da Ilha.